Durou apenas pouco mais de um mês em noticiários a frente de oposições anti-Lerner que pretendia juntar o ‘‘sim’’ e o ‘‘não’’ com o ‘‘talvez’’. Manobra natimorta, que apenas serviu para especulações de uns e chantagens de outros, ela era a expressão da impossibilidade por unir dois partidos que certamente apoiarão FHC (o PSDB e o PMDB, este condenado ao ‘‘racha’’, haja o que houver em sua convenção), mais o oportunista visceral PPB e ainda por cima as siglas nanicas de sempre junto com o PT.
O grande erro desses gênios era o de ignorar o condicionamento forte que o pleito federal exercerá sobre os locais, embora, como exceção, em algumas regiões seja possível, como já se deu na Bahia uma vez e ocorrerá outra, a predominância das razões regionais. Lá a explicação é uma só: Antonio Carlos Magalhães e seu poder feudal, contestado na metrópole, Salvador especialmente, que coloca em aberto choque os interesses de PFL e PSDB.
O assanhamento com que alguns sem votos se atiravam na boa causa era digno de figurar numa comédia pastelão: partidos destituídos de representação como o PC do B (Gomyde foi eleito pelo Palácio Iguaçu, tanto que não alterou a falta de representantes na Câmara Municipal de Curitiba e muito menos carregou as baterias do PT como vice de Ângelo Vanhoni) queriam imitar os imperialistas ianques no Conselho de Segurança da ONU, vetando adesões.
Melancolicamente o PT, a meu ver ainda o melhor partido nacional, corre o risco de murchar no Paraná: os radicais conseguiram criar o fato consumado da candidatura da professora Milena Martinez, que teve passagem turbulenta pela Associação dos Professores da Universidade Federal, e com o objetivo claro de desmoralizar uma aproximação espúria com o PSDB e o PPB do Maluf. No ato de depuração um sinal de suicídio do PT, há muito com a deficiência de parecer uma linha auxiliar de Requião. Se este não for candidato, o quadro complica.
A frente anti-Lerner, que poderia funcionar num segundo turno, é apenas um delírio, mesmo com o oportunismo visível dos corporativistas que resolveram se mostrar palatáveis a Álvaro Dias, no caso dos professores. Para o pleito, se é que vai haver esse choque Lerner-Álvaro Dias, melhora considerável, pois ao menos estaremos livres da repetição do ‘‘massacre’’ de 1988 em que a PM impediu que os grevistas invadissem o Palácio Iguaçu como já haviam feito com a Assembléia por um cortejamento de sua comissão executiva.
O exército Brancaleone se desfez antes de começar a batalha. Uma lição para todos os oportunistas, à esquerda e à direita.
BIZARRICE Rubinho Ferreira, da porta do hotel que explora em Guaratuba, viu a ‘‘banana boat’’ e lembrou de uma situação inusitada: Jaime Lerner, Aníbal Khury, Orlando Pessuti, José Richa, devidamente paramentados com salva-vidas, sobre uma delas. E concluiu que só o ferry-boat poderia puxá-la.
SPRAY A primeira dama de Ponta Grossa, Marilu Cora Canto, deu uma de Hilary e saiu em defesa do marido: ele é bonito, inteligente e por isso é assediado.- Um detalhe: Hilary é uma importante advogada e sua defesa é tecnicamente perfeita.- Agora o doutor Rosinha quer que, no mínimo, a Câmara Municipal casse o prefeito Jocelito, o que também significa o enquadramento político do evento que deveria esgotar-se no Judiciário.- Psicodrama, ontem, no Chapéu Pensador com um exercício de crítica e autocrítica no velho modelo comunista. Só que com uma diferença: a maioria dos secretários fez um mínimo de crítica a suas atuações e um máximo de elogio. Bem no padrão deste governo.- Mais tarde na Assembléia Legislativa, abrindo a legislatura, Lerner no meio do discurso criticou a oposição pela divulgação dos protocolos, sugerindo que se tratava de traição. Ângelo Vanhoni, quebrando todos os rituais, aparteou, Aníbal Khury não lhe abriu o microfone e assim mesmo o parlamentar ficou falando, enquanto o coral iniciava a sua apresentação e ofuscava o chio do petista.- Papel de oposição é o de criar dificuldades que afinal testam a capacidade do governo, tanto no bloqueio dos empréstimos, quanto na denúncia dos protocolos. Quem escondeu os protocolos (embora tivesse razões para fazê-lo) foi o governo. E não me venham com a calhordice chamada ‘‘paranismo’’, que Dalton Trevisan disse tratar-se do ‘‘último refúgio dos canalhas’’.- ‘‘Impacto’’ já está firme na Internet com o seu número 185. O 186 é a partir desta semana. O código é o que segue: http://www.impacto.simplenet.com e depois do carnaval o jornal circula em Foz do Iguaçu e Cascavel.- Quem pintou na Boca Maldita, domingo, foi o Mário Celso Petraglia. Pelo jeito deu sorte no Atletiba.-
PROVÉRBIO O hálito não faz o mangue, ainda que possa enunciá-lo.
FOLCLORE Paranaguá tirava sarro de Antonina quando erguia arranha-céu, alegando que era para fazer sombra na outra cidade. Agora uma draga retira milhões de metros cúbicos de sedimento de fundo na Ponta do Felix para viabilizar o porto. Só que esse material vai acabar entulhando o Canal da Galheta, o que é ajustadíssimo para brigas de campanário, com o que, segundo um terrorista, os dois portos ficam inacessíveis. Seriedade também é folclore.
CROMO Light privatizada, vagalumes sob cerco no Rio de Janeiro porque têm mais luz do que a empresa, e com um detalhe: não se esgota.
AFORÍSTICO Quando se engorda uma praia, a gordura maior não fica justamente com a empreiteira? Além de tudo, para funcionar, o ‘‘engordamento’’ deve ser feito no mínimo de dois em dois anos, uma clientela cativa.

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