Mais cedo do que se esperava, as razões de militares e estrategistas, que se opõem à picaretagem da moda de vender a Vale do Rio Doce a preço de banana para sustentar o charme de FHC junto ao capital internacional, ficaram sobejamente evidenciadas: não se pode vender um patrimônio cuja dimensão exata se desconhece.
A descoberta de reservas inimagináveis em Carajás, sul do Pará, desmascara o açodamento dos vendilhões, que lançam mão de um argumento safadíssimo para justificar a entrega do Brasil em nome de um afrouxamento das dívidas interna e externa. Militares, como o ex-ministro Leônidas Pires Gonçalves, conhecedor profundo de questões logísticas, argumentaram sempre que não se podia vender um patrimônio, cujas reservas não eram sequer dimensionadas, o que aliás está comprovado agora com essas descobertas, de cobre e ouro, boa parte associados, o que reduz custos de exploração, isso sem falar nas jazidas de ferro com alto teor de pureza.
Só falta agora a escumalha entreguista sugerir que se trata de simulação dos profissionais da Vale para dificultar a sua venda ou reavaliá-la. Como o patriotismo é uma velharia, ao ponto de ser considerado ‘‘o último refúgiodos canalhas’’, e vivemos o modismo cosmopolita da globalização (que não vai nos tirar da periferia, ainda mais se curvando e mostrando o traseiro), na sociedade militarmente hegemônica não vai ser fácil mobilizar a opinião pública para a resistência, ainda mais quando o poder detém esse monopólio.
A Petrobrás, a despeito daquela greve idiota dos petroleiros, está mais bem defendida nos meios institucionais do que a Vale. E esta parece agora que recebe um apoio, ainda que demagógico (mas, nesse caldeirão, toda emoção passa a ser válida) do Movimento Sem Terra com o anúncio, via Rede Globo, pelo Rainha, de que haverá ocupações em terras das províncias minerais e também em áreas próximas aos grandes centros urbanos, o que tende, pela encenação, a transformar o que até aqui tem sido gincana numa contrafação de batalha focal, de guerrilha de baixos teores, o que tende ao anedótico.
Algo é preciso ser feito para despertar o país mergulhado na anestesia de um conformismo orgânico, manipulado pelo sistema, nunca, porém, em cima de velharias do nacionalismo dos anos 50, padrão ISEB, que eram nutridas pela guerra fria. O fato de haver globalização e de ser até válido abrir a economia não justifica que tenha desaparecido o ‘‘interesse nacional’’. Surpreende o fato de a ESG, Escola Superior de Guerra, não retomar a temática do poder nacional. O caso da Vale o reclama e com urgência, antes que os colonizados, que se julgam colonizadores, com uma petulância que lembra a dos reis e cardeais de escola de samba, vendam o Brasil ao correr do martelo.
BIZARRICE Papagaio de pirata é uma tradição. Quando se votava a questão das diretas e dos decretos sobre salários não poucas vezes o ex-deputado Valmor Giavarina cuidou de aparecer erguendo os braços do faraó Ulysses. Agora a onda é ‘‘beliscar’’ cenas da Globo como aconteceu com o guardamento do senador Roberto Caxias da novela ‘‘O Rei do Gado’’. Diz o Carlos Marassi que só faltava o Requião interromper as gravações gritando que o verdadeiro Roberto Caxias é ele e não o virtual.
SPRAY O PT investiga se é comum o BID financiar entidades como a Farol do Saber de Greca. Segundo o ex-prefeito (entrevista de 27 de dezembro) o escritório particular receberia 3 milhões de dólares ao ano. - Outra ação será contra o fato de utilizar-se de marca pública para fins pessoais, algo parecido com aquela estória do ‘‘ligeirinho’’, cuja patente o Instituto Jaime Lerner (ou seu escritório) tinha como ‘‘sua’’. - Na rádio CBN uma pesquisa sobre a reeleição deu esmagadora maioria dos votos a favor e os que eram contra entendiam que o plebiscito depuraria o processo. - Há pessoas que quando começa a chover sentem dor nos calos. Alguns assessores de Rafael Greca chegam a entrar em crise neurovegetativa e falta de ar. - Chrysler vai dar cerca de 500 empregos diretos. Destes, a maioria vai para gente de fora, por causa da qualificação, e para a praça sobram as funções periféricas. No caso da Renault há um outro detalhe: a Sodexho do Brasil, empresa francesa, vai cuidar da cozinha industrial. Isso anula aquele papo do anúncio da mulher que sonha em montar um restaurante em lugar do seu botequim. Os efeitos sociais não foram calculados e nem o serão. O embotamento o impede. - Guaratuba tem sistema de esgotos que os moradores não usam por não fazerem a ligação. Daí a craca na praia, o grau de comprometimento em coliformes fecais e o fato de alguns já estarem chamando o balneário de Guaratubosta. -
FOLCLORE Diz-se que Greca não padecerá com a transferência de atribuições para a Secretaria da Fazenda: é que quem tem o verbo dispensa a verba. E quando não a tem simplesmente a promete.
CROMO Antes os meninos faziam barquinhos de papel que soltavam na sarjeta e os viam desaparecer nos boeiros. O urbanismo curitibano matou o lirismo e se os piás não se cuidarem a água os leva.
AFORÍSTICO Será que aquele apelo ‘‘bota as pastoras na avenida, Mangueira querida’’ não teria influenciado os evangélicos para uma comissão de frente de pastores? Por falar nisso, urge não confundir comissão de frente com comissão na frente, acusação que se faz agora entre grupos carnavalescos em torno das rendas apuradas.

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