Luiz Geraldo Mazza
O ex-prefeito de Curitiba e Chefe da Casa Civil, Rafael Greca, merece as manifestações de solidariedade que está recebendo dentro e fora do governo, mas isso nada tem a ver com a questão estratégica da sucessão e a vaga do Senado. Ocorre que o vitimalismo, velha pulsão brasileira, poderia, pelo clima emocional gerado, criar a idéia de que a inclusão de Greca como candidato à Câmara Alta complementaria o desagravo. Mas isso seria penoso para o governo, ainda que se deva reconhecer no postulante o mais habilitado intelectualmente a desempenhar esse papel até para contrapor-se a Requião e Osmar Dias.
Se há um fator que restabelecerá a idiossincrasia anti-metropolitana, mais forte do que o inconformismo com os investimentos na Grande Curitiba, será justamente esse: de uma chapa com nomes da Capital. Desde que se adotou a vice na história paranaense houve a preocupação de manter o equilíbrio: assim Paulo Pimentel, do interior, tinha na vice o engenheiro Plínio Costa e na sequência, mesmo nos governos biônicos, o ritual foi observado. Com a redemocratização, Richa na cabeça o vice era João Elísio, metropolitano; Álvaro Dias contou com Ari Queiroz e Requião com um homem do oeste, área sensível, com Mário Pereira.
Não há, portanto, qualquer relação entre o vomitório da campanha contra Greca e a questão da senatória, essa uma imposição de montagem, de engenharia política, imposição da geografia eleitoral. Não é fácil convencer alguém como Rafael a entender esse raciocínio, ainda mais num momento em que, por todos os modos, merece apoios e solidariedade. Mas a sua candidatura ao Senado pode trazer mais prejuízos, e até devastadores, se a oposição retomar o discurso da última eleição municipal em que as suas perdas devem ser debitadas a uma suposta preferência de cuidados do governo Lerner com a sua Capital.
Uma das qualidades mais fortes do político é quando demonstra capacidade de doação e renúncia: as razões do indivíduo não se sobrepõem as do grupo. Aliás, quando se deixa de lado um Rafael para o Senado já se está praticando um ato de renúncia: abre-se mão do melhor para a que a presença do mais conveniente sirva aos objetivos do conjunto. É um regramento que vale para sempre no utilitarismo que marca a arquitetura política.
BIZARRICE Num dos jantares da Boca Maldita, que se refere ao núcleo da avenida Luis Xavier, os frequentadores do Senadinho, que fica uma centena de metros à frente na rua XV, compareceram e com um slogan: o de que aquilo era um encontro boca a boca. Bastou o enunciado para que um grupo de gaiatos gritasse boca a boca, isso é coisa de bicha! E veio o coro: bicha, bicha que se provocasse desmaios seria redundância a respiração boca a boca para reanimar.
UM ACENO O encontro hoje do PMDB é menos relevante para a tese da candidatura própria do que o ato, estranhíssimo, de Itamar Franco se dizendo interessado. O pior é que ele transmite quase nenhuma convicção quanto essa convocação regional que terá poucas estrelas, já que a de intensidade maior será Requião.
O PMDB vai rachar, não há como evitá-lo. Os que pleiteiam a candidatura própria até possuem razão na medida em que assegurarão moratória ao partido que agoniza. Mesmo provando com tabulações à mão que mesmo com desempenhos ridículos dos seus candidatos- Quércia, o último, e Ulysses Guimarães, aquele que figurou anteriormente- o PMDB continuou sendo o maior partido do Brasil e é esse silogismo o maior argumento para que um boi de piranha se apresente e, se possível, com alguma condição de disputa.
Partido que depende de um só nome (é o que se dá com o PSDB com FHC, o PFL do Paraná com Lerner e o PMDB com Requião) e que portanto se mostra vocacionado para o caciquismo só sobrevive circunstancialmente e não é permanente. Por maior boa vontade que se tenha com Paes de Andrade não dá para compará-lo com Ulysses Guimarães. Todavia ele tenta personificar uma resistência que mal disfarça o desejo da permanência. Igual ao dos adesistas da reeleição de FHC.
SPRAY Há uma tese entre professores de que a retaliação do governo na questão das consignações em folha de pagamento para a APP exige medida igual: sugere-se a retirada de valores depositados no Banestado pela entidade e também pelos professores.- Uma idéia mais radical para marcar posição seria cada professor retirar todo o seu dinheiro do banco, o que demandaria numerosos problemas, entre os quais o do convencimento dos correntistas, já que teriam bastante aborrecimento sem falar nas perdas com transferência de numerário em função da CPMF.- Por falar em Banestado a operação com automóveis da Leasing (seriam 500) atinge R$ 11 milhões e a dificuldade técnica de contornar os prejuízos é praticamente nula pelo risco da queda do débito em crédito em liquidação. Tem gente do escalão já demitido envolvida no processo.- A área sempre foi um foco de problemas para o banco estadual, razão pela qual se pretendeu privatizá-la, o que tem tudo de escapismo e de falta de pulso para enfrentar o problema. A rigor questões como essa, ao lado de outros vícios, é que passam a impor a necessidade da privatuização de toda a organização.-
FOLCLORE Já que a camisinha está se transformando no símbolo carnavalesco por excelência, como se vê na campanha publicitária da Master, por que não nos vestirmos todos, da cabeça aos pés, com ela?
CROMO Antes se cantava o conféte e a serpentina, agora é a vez da camisinha. É o fim da metáfora e também da galanteria. Não separe cão transando na rua porque pode ser a comissão de frente de uma escola de samba.





