Orestes - haja reverência ao personagem mito - Quércia foi o vencedor maior da convenção do PMDB, por sua capacidade de aglutinação que vai muito além da forte representação de São Paulo. É verdade que, a essa altura, até a bancada paranaense, que votou unida contra a reeleição, está se achando um tanto quanto tangida pelo ‘‘frisson’’ emocional de Brasília e se imaginando próxima do heroísmo, tal qual se deu na questão das diretas já.
Não há termos de comparação entre a mobilização das diretas, quando o público achava que elas resolveriam (como entendeu depois que tal se daria com a vitória de Tancredo Neves, o Plano Cruzado e, mais recentemente, com FHC e o Plano Real e agora com a reeleição, apontada como panacéia) todos os problemas nacionais, e a questão atual. Hoje, o público está muito mais tendente a apoiar a reeleição, do que naquele tempo a acatar a ida ao Colégio Eleitoral. Seria, por exemplo, inimaginável fazer aqueles painéis com os nomes de todos os parlamentares para marcá-los, pela execração, por sua postura contra a emenda Dante de Oliveira, no caso agora da reeleição. Não há clima e motivação. Ao contrário, o público está a conferir, como se percebe nas pesquisas, a máxima nota ao Plano Real, mais do que ao presidente, e isso o aproxima da tese.
Há muita farsa e jogo de cena em tudo isso: a recomendação não é expressa e nem ‘‘questão fechada’’ e fica visível também o oportunismo do partido em ter garantias quanto à eleição de Michel Temer à presidência da Câmara e a promessa de não intervenção de FHC na escolha do presidente do Senado, ora pretendida por Íris Rezende em confronto com ACM, que conta com a simpatia do Palácio da Alvorada.
De qualquer forma, é um breque nas ações principescas do presidente, que abre espaço para novas exigências e barganhas no furor fisiológico do momento, ao invés de reduzi-las - o que seria um imperativo moral. É justamente esse estilo de fazer política que acaba levando o público a confundir essa sordidez, como se fosse apropriada à democracia, e a defender o homem providencial, uma das nossas mais velhas deformações, numa retomada do patriarcalismo em que o líder está muito aproximado da postura dos chefes tribais do Velho Testamento, aqueles inspirados que dispensam intermediários para falar com Deus e trazem do além mais do que a Lei dos mandamentos como os raios de Zeus das medidas provisórias.
BIZARRICE O jornalista Reinaldo Dacheux Pereira, secretário de redação da ‘‘Gazeta do Povo’’, resolveu pregar uma peça no Dicesar Plaisant: pediu-lhe que fizesse uma nota social, já que se tratava de um redator eclético, sobre as bodas de ouro de um casal de Santa Felicidade: Romeu Capuletto e Julieta Montecchio. Não percebendo a perfídia, no azáfama da redação, Dicesar fez uma nota nada sóbria e com exacerbados adjetivos sobre o casal. Obviamente a nota era fria, embora o redator se referisse ao casal que terminaria seus anos em plena união na laboriosa Santa Felicidade. Situação menos romântica do que a dos jovens trágicos de Verona. E não foi a troca dos nomes que confundiu o grande Dicesar, mas o poder sedutor do Reinaldo.
SPRAY Parece que haverá ordem na gestão financeira com o retorno à Fazenda da atribuição de controlar os gastos, função delegada ao Planejamento, o que responde pelo descompasso entre receita e despesa até agora registrado. - Não se trata, em hipótese alguma, de qualquer ‘‘poda’’ de espaços de Rafael Greca, como seus entusiásticos seguidores possam julgar, mas de volta à racionalidade mínima nesse campo estratégico. - Na verdade, Cássio estava agindo menos como técnico do que como político e com isso gerando o desconforto dos déficits cumulativos, por absoluta ausência de previsão, e estimulado nesse sentido pelo próprio governador. - O planejamento é área de coordenação e programação, enquanto a fazenda é de receita, fiscalização e gestão financeira. Por sinal, a prometida ação contra os grandes devedores até agora não foi desencadeada. De outro lado, há um silêncio assustador em relação às gangues que vinham fajutando guias de ICMS em operação que envolveu uma elite empresarial. - Uma das coisas que mais irrita no Carnaval é a submissão da prefeitura e dos políticos em geral à minoria tirânica que profissionaliza a festa, aliás pessimamente acolhida pelo público, que em maioria esmagadora lhe dá as costas. As trocas de acusações entre os grupos que tentam monopolizar o Carnaval obrigaria a um mínimo de cautelas.- Privatizar o Carnaval seria uma necessidade mais imperiosa do que tantas privatizações abusivas. Carnavalescos que façam a festa e a explorem, mas sem a camisa-de-força oficial, que aliás na promoção ficaria bem com a de malandro. - A chance de inovação no carnaval da cidade corre à conta da iniciativa dos evangélicos em montar a sua escola de samba, o que só pelas reações que produziu nos meios pentecostais, em especial, já cria uma expectativa conflitiva que pode tirar a festa, já solemente mumificada em Curitiba, de sua tradicional inércia. - Mais cursos do Senac, dos dias 20 a 24 deste mês. Relações Interpessoais no Trabalho e Leasing: como realizar esta operação (das 19 às 22 horas) e de Prevenção de Acidentes (das 14 às 17h40). -
FOLCLORE Como a idéia dos evangélicos mexeu com religiosidade, me enviaram alguns saques do Mencken sobre o assunto: ‘‘Padres e pastores são cambistas esperando por fregueses diante dos portões do Céu.’’ E uma definição de arcebispo, ‘‘um eclesiástico cristão que chegou a um escalão superior ao atingido por Cristo.’’ Uma terrível: ‘‘Incrível como meu ódio aos protestantes desaparece quase por completo quando sou apresentado a suas mulheres’’.

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