Somos um estado politicamente fraco. Observe-se o potencial das lideranças de que dispomos e veremos a ‘‘carência fatal’’. Quais são os nomes? Lerner, Álvaro Dias, Requião. Stalin perguntou quantas divisões tinha o Papa e é o caso de sabermos quantas legiões têm esses líderes. De todos o que mais agrega é Lerner: não só em termos de massa, mas em capacidade de aglutinar grupos tanto empresariais como culturais numa escala ampliada, nesse aspecto, em relação a Ney Braga, o genuíno criador da ‘‘nova classe’’, os empreiteiros.
Dos empresários em geral, os do comércio especialmente e aí não faltam os da indústria tradicional, o que temos é aquela postura de cumplicidade a todo e qualquer governo. Basta tirar uma foto de reuniões e ver-se-á a mesma fauna, seja na ADVB, em clube de serviço, enfim em todo ôba ôba com a maioria exibindo aquele ar de euforia, uma espécie de eucaristia dos pragmáticos. Ao brigar com Cecílio Rego Almeida, e com sobras de razão, na questão de Segredo, Álvaro Dias botou no ‘‘ranking’’ outros empresários como Darci Fantin, da DM, patrão durante bom tempo do Euclides Scalco e do Deni Schwartz, e ainda os da CESB e da Sinoda, hoje habilitados como barrageiros.
Mas isso não basta para o tipo de batalha que o Paraná está enfrentando agora com os paulistas à beira de ataques convulsivos. É indispensável muito mais do que o apoio da mídia (obrigatório nessa questão, o que não significa alinhamento e bloqueio ao direito de os contestadores se manifestarem) a ação política em vários fronts: no empresarial nas instâncias próprias (entidades das classes conservadoras), no parlamento (mobilizando a bancada que é de uma mediocridade astronômica e, afora o pouco talento, marcada por um oportunismo selvagem, como se vê na disputa da coordenação), no campo interestadual com as alianças às demais unidades interessadas na desconcentração industrial.
Não temos representatividade. Nas mínimas coisas isso se manifesta, o que decorre de questões psicossociais profundas, entre as quais a falta de identidade. Essa não se consegue com vinhetas cromáticas na tevê ou com as artes do Manoel Coelho, exímio profissional, com as folhinhas verdes da prefeitura e do Paraná. Também não se a obtém com o triunfalismo inócuo dos institucionais, tipo ‘‘terra de todas as gentes’’, velho cacoete da praça.
Dizer que o Paraná não foi afetado quer pela guerra dos empréstimos e agora pela revelação do protocolo da Renault é típico dos embotados. Ontem o governo começou a comunicar-se ao apresentar uma argumentação, não gaguejada e muito menos reticente, sobre o assunto. Já é um começo, mas não deixem pessoas inabilitadas se passarem por porta-voz e só ouçam o anedoteiro, versão atual do bobo da corte, nos momentos de curtição e nunca nos de mínima seriedade.
BIZARRICE Ricardo Prefeito diz que Joni Varisco, após observar a galeria de ex-amantes de Bill Clinton, deu-lhe o apelido de São Jorge: ‘‘o homem não pode ver um dragão que já empunha a lança’’.
SPRAY Horácio Rodrigues, deputado do PL, sugere Aníbal Khury para o governo e quer agora plebiscito nos municípios criados entre 87 e 97 para que a população decida se são viáveis ou não. É um vereador estadual.- Paraná não está lá essas coisas em educação: tem 8,2% de crianças (7 a 14 anos) fora da escola. Na Grande Curitiba o índice cai para 7,26%. O do Brasil é de 12.3%.- Índices negativos mais fortes: Centenário do Sul 30,1%, Doutor Ulysses 28,7%, Ortigueira 24,6%, Guaraqueçaba 23,7%, Laranjal 23,1%, Reserva 21%.- Vejam agora a ironia: Pien está recebendo a Tafisa do Brasil (painéis de madeira aglomerada) em investimento de R$ 145 milhões e 1.300 empregos e tem 19,9% das crianças fora da sala de aula, uma prova visível do distanciamento entre o dado econômico e o social, velha deformação do nosso capitalismo caboclo, tanto o brasileiro quanto o paranaense. Os dados são do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (MEC,INEP,IBGE).- Bocaiúva do Sul aparece com 21% e o prefeito Élcio Berti se preocupa com as camisinhas que estariam sendo furadas pelos espermatozóides anabolizados. Nós merecemos o circo.- Quatro Pontes tem apenas 1,8% de crianças fora da escola e Nova Aliança do Ivaí 2,1%.- Versão mais caricata sobre o corte da consignação da APP nos contracheques dos mestres: a Celepar teria visto o fato como antieconômico, já que não haveria retribuição da entidade. Aí tem.- Vergonha é o governo facilitar, por todos os meios e modos, a agiotagem em cima de funcionários, mesmo quando feita através de bancos, os usurários assumidos, pois sabe o problema social que está criando.-
FOLCLORE Diz o José Fernando, aqui da redação, sobre assaltos ao Banestado: a coleta foi tão mixuruca diante do disponível em caixa (apenas R$ 2 mil) na agência da Augusto Stresser, que esse tipo de alcance não dá notícia e torna antieconômica a ação dos assaltantes. Já os assaltos internos rendem muito mais: vide a Leasing, outra vez denunciada.
GLOSABlitz policial em todos os cantos da cidade para multar motoristas. Além disso guardas da URBS (sem qualquer preparo, enquanto PMs ficam nos quartéis aprendendo técnicas de abordagem e conhecimento das leis) entram em ação para valer. Enquanto isso Curitiba, como qualquer cidade de porte médio do Paraná, está entregue ao crime. Prioridade no mínimo discutível.
CROMO Se você tira de mim a mesma energia que lhe tomo somos vampiros, às vezes doces, às vezes desagregadores. Na boca, o rubi de sangue.
AFORÍSTICOPaulo Santiago, prefeito de Cruzeiro do Iguaçu, costuma dizer ‘‘quem não sabe viver com pouco vai estar sempre na pior.’’ E isso porque a abastança lhe parecerá insuficiente e o fará sofrer.

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