De todas as batalhas que colocaram São Paulo em oposição ao Paraná nenhuma é mais sugestiva do que a de Itararé, justamente por ter sido, na opinião da esmagadora maioria, ‘‘a que não houve’’. Com a descentralização dos pólos industriais, automotivos especialmente, e a macrocefalia urbana, sem contar as tensões daí decorrentes, a hegemonia paulista perde um pouco de substância. E com isso se processa, ainda que lentamente, uma redistribuição de poder no território nacional, razão pela qual Minas é solidária ao Paraná, logo ela que foi a primeira a romper as condicionantes com o surgimento da Fiat, na qual o governo estadual foi parceiro relevante e indispensável.
As melhores respostas do governo paranaense partem de Miguel Salomão, outros chegam perto de disparates quando entram, mesmo bem intencionados, no debate e dentre eles o próprio Jaime Lerner, ruim (para não dizer péssimo) de papo, sem a mínima condição para entrar no olho de furacão de peito aberto e enfrentar figuras como Requião e Osmar Dias, Mário Covas e Emerson Kapaz.
Hoje pela manhã reúne donos de meios de comunicação social e jornalistas em café da manhã no Palácio Iguaçu e é bem possível que trate da estratégia que está afetando muitos interesses regionais e políticos internos. Certamente não irá pedir que a mídia seja mais cúmplice do que já é por hábito, e os impactos das denúncias sobre a Renault já chegaram à França, com destaque no ‘‘Liberation’’, e tocando naquilo que o arrepia: ecologia e justamente sobre prejuízos para a bacia do Iguaçu gerados pela montadora.
Estamos, no momento, num jogo de peteca. Não é hora de usar o tacape que deve ser reservado para as baixarias da campanha eleitoral, um deles enunciado ontem na entrevista de Requião atingindo o chefe da Casa Civil. Selecionar os interlocutores para esse debate (Miguel Salomão à frente) para que não se repitam as falhas de comunicação no andamento da questão dos empréstimos lá no Senado, aquela sim resolvida a tacape, no voto motonivelador. Não é possível que com tanta gente remunerada para pensar e escrever no governo não saia algo cartesiano, claro, conciso sobre o assunto.
A causa é paranaense, mas o contraste é indispensável porque acabou aquela moleza, inclusive da imprensa internacional, de manter o mito de que o nosso Lerner é um gênio infalível, quando se trata de um inegável talento, mas sujeito a escorregadas. Não basta atender as demandas do público interno, já que os meios de comunicação locais são tradicionalmente abertos (demais) ao governo, como seu cliente dominante (o que contrasta com a sociedade competitiva, a economia de mercado e a democracia no ambiente massivo) e é indispensável essa presença, o quanto possível inteligente, como foi ontem, com o artigo-ensaio no ‘‘Estadão’’ do mestre Miguel Salomão, companheiro nosso da sucursal da ‘‘Última Hora’’ de Curitiba nos anos sessenta e que une o talento da arte de ser claro com a seriedade acadêmica e aguda ironia do filósofo, substituto à altura da nossa melhor ‘‘cuca’’, Belmiro Valverde.
BIZARRICE Diz o Rubinho Ferreira, lá de Guaratuba, que Lerner estava numa lanchonete na praia quando o garçon perguntou: ‘‘Coca ou Pepsi?’’, ao que respondeu ‘‘será possível que em tudo tenho que decidir?’’ E teria levado horas para fazer a opção, enquanto o Rubinho jogava duas partidas de tranca.
DENÚNCIA Um depósito de R$ 319.163,44 na conta Prefeitura (Arapongas)-Detran, número 17.165-8, agência Banestado, entrou no dia 19 de dezembro e já no dia 22 a conta estava zerada, assim continuando até 2 de fevereiro. Ex-prefeito Waldyr Pugliesi anuncia ação contra seu sucessor Aparecido Bisca. Em tempo de ciclone, tufão é como o minuano para gaúcho. Como não havia obra licitada, o dinheiro não poderia sumir.
SPRAY O desembargador Otávio Valeixo, comentando na CBN mudanças municipais como a imaginada pelo vereador Jairo Marcelino dando preferência aos táxis para estacionamento, lembrou do Stanislaw Ponte Preta e da matéria prima que o Código de Trânsito lhe forneceria.- Aníbal Khury, candidato de conciliação ao governo do Paraná: por que não da ‘‘Boca Maldita’’, já que também presidiu o Atlético? O culto ao Buda é um exagero. A mídia é desfrutável.- Estância Dorizon com decisão na instância superior volta aos donos a partir de julho. Ganhe quem ganhar, é preciso reequipá-la no interesse do ecoturismo. Está degradada e os arrendatários (o principal, Jaco Mehl) não investiam porque tudo estava suspenso na justiça.- Resposta aos provincianos de Curitiba que foram contra uma londrinense que fez crítica na ‘‘Gazeta do Povo’’ : há quatro londrinenses disputando dois dos principais prêmios do teatro brasileiro. Para consegui-lo foram ao Rio e São Paulo, como se deu aqui com Ari Fontoura e tantos outros, e lá se instalaram. Precisamos romper o insulamento autárquico da nossa cultura. Encenação de ‘‘O Vampiro e a Polaquinha’’ em São Paulo é um desses caminhos.-
FOLCLORE A propósito de jogos de peteca em que uma das partes usa tacape: o choque entre a APP (sempre ela!) e o governo (sempre ele!), com este cortando as consignações em folha de professores, lembra aquele entre juízes e o Requião em que aqueles, em represália, tiraram os depósitos judiciais do Banestado. Nessa hora, Álvaro Dias pede perdão aos professores pelas cacetadas que também não quis atribuir à responsabilidade do hoje desembargador Lopes de Noronha. Enfim um jogo de sinuosidades que mais deseduca: professor acha que pode invadir repartições, o Legislativo, jogar ovo em deputados e não pede perdão, além de transformar os pais em seus reféns com greves inócuas e iníquias.
CROMO No interior de um livro reencontro um bilhete esquecido de uma jovem que precisa urgentemente falar comigo. Assopro a poeira e guardo a relíquia.

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