Como se percebe, a novela dos protocolos não terminou. Ontem, o senador Osmar Dias, ainda inconformado com a derrota na CAE e no plenário, voltou à carga, da tribuna do Senado, mostrando a documentação secreta, já revelada pelo Romanelli, que de certa forma o ‘‘furou’’, no jargão jornalístico, chamando o acordo de patifaria e prometendo retomar o assunto na subcomissão que trata da guerra fiscal.
Num aparte, Requião se referiu ao acordo da Chrysler, alegando que essa só põe um real na fábrica, e ainda, fugindo um pouquinho do assunto, anunciou um ‘‘gaygate’’ no interior do governo entre um secretário e um PM catarinense.
O governo estadual vai ganhar, para o bem do Paraná, essa batalha como venceu a demoradíssima anterior que não soube abreviar por incompetência e preguiça. Mas será um repeteco da batalha de Pirro, aquela em que o vitorioso declara que as perdas sofridas são de tal monta que o inabilitam para outra. Teremos um desgaste pesadíssimo e, mais uma vez, pela incapacidade do governo de dar informação, de comunicar-se, de mostrar as coisas com clareza, deixando a dúvida sobre a sua honestidade tomar corpo e que tem base fática em episódios como os da Banestado Leasing, Jogos da Natureza e os convênios da Agricultura que apearam, antes do tempo, o deputado Hermas Brandão, isso sem falar em outros pouco referidos dentre os quais dá listar aquela estória da vistoria eletrônica, fulminada pela Justiça.
Lento demais nas respostas, compulsivo pela promoção (cria uma universidade do esporte num estado com rankings negativos, pelo menos no Sul, na parte social), é bisonho em política, o que está claro no seu isolamento, perdendo os aliados ou sofrendo como um refém das chantagens de siglas sacanas. Enfim, é aí que perde substância, incapaz de determinação, a qualidade-chave que lhe falta para figurar na galeria de estadista. Constrangido, assustado e por vezes ouvindo os anedoteiros em questões estratégicas, como se Don Pedro tivesse no Chalaça um preceptor de geopolítica e um rei se curvasse para ouvir conselhos morais e políticos do bobo da corte, dispersa energia como pródigo.
SENHA Seção de classificados em jornal ontem dizia que a Ban.Leazing (grafia incorreta para despistar) ‘‘aprova contas de empresários com qualquer precatório’’. Governo não tem espionagem e nem contra-espionagem, como se viu no vazamento do protocolo da Renault devido ao público interno. Mas é rápido para divulgar o que não pode legalmente como a pesquisa Bonilha.
Como dizia aquele sábio : mensagem cifrada é melhor do que a chifrada.
BIZARRICE Fábio Campana vai ao estádio ‘‘Defensores del Chaco’’ no Paraguai com o presidente Wasmosy para ver Olimpia e Flamengo. Quando alguns menguistas iniciam o grito dos funkeiros ‘‘u, u, terer꒒, o presidente se entusiasma achando que a referência era ao ‘‘terer꒒, o chimarrão frio que tanto os paraguaios como gente do Mato Grosso cultuam.
ECOLÓGICAS 1 Andaram lançando exemplares do tucanaré em represas paranaenses. A de Foz do Areia, em Cruz Machado, uma pousada, anuncia o peixe amazônico.
2 Um leão da cara suja ou onça parda, conforme relatos, teria sido abatido, há duas semanas, em Doutor Ulysses. Antes, pois, do abrandamento da pena.
3 O RIMA da usina a carvão do litoral, que não vai sair, tem 1.500 páginas e prova que não afetaria o meio ambiente. Investimento seria de R$ 700 milhões, daria centenas de empregos e faria o aterro sanitário dos lixões do litoral. É pelo menos o que diz o papel.
SPRAY FHC já viu a pesquisa Bonilha, mostrando que a aliança com Lerner é quase três vezes superior a com Álvaro Dias.- Uma estratégia, para evitar que o PSDB seja absorvido pelo PFL, recomenda o apoio aos tucanos. Assim será com Covas em Sampa.- De revistas: ‘‘Panorama’’ com uma batalha contra os camelôs que tomaram conta das praias e a cumplicidade do prefeito de Matinhos; ‘‘Paraná em Páginas’’ (fazendo 33 anos, como a idade de Cristo) traz documentário sobre os locais sagrados da trajetória de Jesus e bate em Lerner, o que não é novidade; e ‘‘Direção’’, preferida do governo, com 120 páginas das quais oitenta de propaganda, direta ou indireta, do Iguaçu. Dura de digerir, boa de dirigir.-
Essa pobreza dos meios de comunicação do Paraná, a serviço do conformismo, é uma fraqueza maior do governo do que dos empresários da área. Falta a promessa de Requião: o choque capitalista que nem ele teve peito de fazer. Um dia, antes do juízo final, chegaremos lá para o bem da profissão e da sociedade.-
Hauly e Gomyde falaram na Câmara sobre a Renault. O primeiro ignora ou finge fazê-lo que o comandante-mor desse processo é FHC. Por isso, está na Suíça para mostrar que arrombou o país ao capital estrangeiro. O segundo pode falar o que quiser: não tem o mínimo compromisso com a realidade, tal qual um estudante falando numa assembléia ou num aparelho no qual a luz do mundo já foi a Albânia.- Ninguém da bancada paranaense contestou. É a sincronia do governo Lerner que tenta se valer da frequência dos anúncios, já que a coordenação da bancada (Paulo Cordeiro e José Borba a disputam no noticiário) é acéfala e, mesmo que não fosse, calaria.- Nem tudo, ontem, foi ruim para o governo: Márcio Moreira Alves, em ‘‘O Globo’’, disse que Lerner é o político de maior reputação entre colunistas. Marcito falou e veio o Ato 5. É homem livre.
FOLCLORE ‘‘Se continuarem me atacando tomo posse do governo.’’ Frase atribuída a Lerner pelo PMDB light.

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