Luiz Geraldo Mazza
Bom pistoleiro não avisa que vai matar. Surpreende o seu alvo com os cuidados de um profissional, jamais alertando a vítima. Luís Cláudio Romanelli, deputado brigador (e tem alguns feitos entre os quais o de fazer abortar a sacanagem cartorial da vistoria veicular), na ânsia de correr atrás da varinha antes de soltar o foguete, faz um estardalhaço em cima de uma documentação, a que se referia como se fosse o segredo da bomba hidrogênica, sobre o contrato da Renault. Marca a coletiva para as três da tarde e, às quatro, os secretários Miguel Salomão, do Planejamento, e Giovani Gionédis, da Fazenda, davam a resposta, ponto por ponto, das denúncias e interpelações feitas.
Uns viram o gesto do Romanelli como de nobreza, a preocupação em dar aos seus adversários o espaço da contradição; mas outros o olharam mais como o Inspetor Clouseau, aquele trapalhão da Pantera Cor de Rosa, do que como o Inspetor Javert, o perseguidor implacável de Jean Valjean em Os Miseráveis. De um lado se desmistifica de vez esse esoterismo em torno dos protocolos que já nos fez muito mal com aquele bloqueio no Senado e, de outro, o cenário político se movimenta em cima de um assunto sério e não de fuleragens como essa que está levando o ex-prefeito Rafael Greca a processar o senador Requião em cima de uma suposta disposição (provavelmente mais uma bravata) de colocar na Internet gravações que atingem o chefe da Casa Civil. Uma amostra, aliás, do nível de sordidez que transformará a campanha eleitoral numa cloaca.
O governo respondeu, uma a uma, as denúncias e aproveitou para lembrar que ainda há montadoras interessadas em vir ao Paraná, razão pela qual o sigilo ainda é necessário diante da cupidez dos concorrentes e deixou claro que isso é parte de um plano destinado a prejudicar o Estado, como se viu na obstrução havida no Senado por quase dois anos.
Louve-se, no entanto, esse exercício de oposição na parte documental: o público agora tem acesso a uma informação e o problema estará na decodificação das explicações de um lado e de outro. Se explicações oficiais ficassem para Lerner e Rafael Greca, seria pior - ánum caso por escassez verbal e no outro por excesso ornamental.
BIZARRICE Depois das universidades virtuais do Meio Ambiente e agora a do Esporte, só resta saber quando vai haver vacinas em postos de saúde ou quando se pagará a conta dos telefones da Secretaria do Esporte, mais a dos alugueres e empreiteiros e fornecedores.
Requião disse, certa vez, que o Palácio Iguaçu era Cabo Canaveral, plataforma de lançamentos. O Paraná vai ser recordista mundial de esquiar na maionese.
SPRAY Se o governo (e isso acontece com todos) não tivesse um comportamento fascista na negação de CPIs, de simples requerimentos de informações, no legislativo certamente o caso da Renault não andaria, razão pela qual ao PMDB não havia alternativa se não a de botar a boca no trombone.- Denúncia da praça indicava que um conselheiro do Tribunal de Contas tem um jornal que recebeu R$ 350 mil do governo.- Por falar em TC, os conselheiros Rafael Iatauro e João Féder não citam o nome de um e de outro nas referências mútuas. O senhor que analisa aquela inspetoria... é uma forma de indicar a quem se referem.- Eram amicíssimos, ajudaram a eleger Paulo Pimentel e ganharam os postos ao lado de outro da turma, já falecido, Bacila Neto. Resíduo da última eleição para a direção daquela corte.- PSDB representa contra Lerner por uso da máquina na divulgação da pesquisa (aliás desautorizada por Bonilha) na Corregedoria do TRE. Lerner não pode, Álvaro pode. Uma graça.- Ecologista gosta de dramatizar (e até o faz com razoável intenção), mas dizer que a cobertura vegetal natural do estado é de 2,6% quando o levantamento de 1990 registra 8,59% prova que aí, também, se confunde a árvore com a floresta.-
Há um problema de imagem no governo estadual: episódios mal explicados como os da Leasing, dos Jogos da Natureza e o mais recente da Agricultura acabam criando no público uma indisposição com a autoridade que prefere a caixa preta ao regime aberto de opinião e atua a favor da impunidade. Há vacina para isso: a informação clara e não tortuosa e obscura é apuração obrigatória de todas as denúncias, principalmente quando envolvem parentes e afins.
FOLCLORE O ex-prefeito Rafael Greca não gostou da referência ao fato de que a sinalização com pinhões estilizados é uma afronta às convenções internacionais de trânsito. E não é apenas em relação ao badalado código atual, mas também ao anterior. Para que a alegoria funcionasse bem em termos paranistas, um guarda de trânsito, trajado de gralha azul, poderia declamar aquela quadrinha e gesticulando é claro: Pinheiro me dá uma pinha// pinha, me dá um pinhão// menina me dá teus olhos// que eu te dou meu coração.
O problema não é de semi-ótica (enxergar pela metade) e sim de semiótica, a arte dos signos, também chamada semiologia.
PARANÓIA Não confundir, por favor, protocolos das montadoras com aqueles do livro proibido o protocolo dos sábios do Sião. Num tempo em que jovens de um colégio militar gaúcho consideram Hitler uma figura dominante tudo pode acontecer. No ritmo em pouco tempo voltamos às cavernas com Internet e tudo.
CROMO Gema de ovo no horizonte do mar é um flash. Outro: a aurora como um cravo cor de sangue. O fato é mais forte que a versão.
AFORÍSTICO O que distingue o fascismo nos nossos políticos é a pretensão de fazer dos outros um objeto, negando-lhes a liberdade. Esta é um apanágio deles, os inspirados, os vetores da história. Temos vários assim.





