O fato de FHC ir ao Rio Grande do Sul e não à Guaíra para assistir ao ato de inauguração da maior ponte fluvial do país não é isolado. É verdade que Antonio Britto, governador daquele Estado, é um aliado-chave, hoje encostado nas pesquisas com os petistas. E no Paraná, embora Lerner esteja mais próximo do estilo e da identificação doutrinária e política de FHC, Álvaro também - por estar no comando do PSDB - apóia a reeleição presidencial, o que tornaria o quadro mais confortável.
A pesquisa do Instituto Bonilha mostra um ganho de 20% nas intenções de voto de Lerner quando acoplado a FHC, saltando de 53,38% (confronto com Álvaro) e 48,36% (Álvaro e Requião na lista) e 55,47% (apenas no duelo com Requião) para um total de 61%. E, mais do que isso, clareia que a aliança de FHC com Álvaro daria 22,72%. Dava para juntar a esses cálculos o desempenho da eleição anterior, quando ficou visível a sincronia, ainda que Lerner fosse do PDT. O público interpretou, por conhecer o estilo alvarista, que Lerner configurava a modernidade e o progressismo opostos ao improviso e à pregação moralista que saturara o público na campanha de Collor e nas práticas também de Requião.
Trata-se de um colégio eleitoral, o do Paraná, estratégico. Por isso mesmo, os cardeais do tucanato não irão admitir o tipo de oportunismo, aqui em lenta incubação, para montar uma federação oposicionista com o PSDB, tomado por um furor fisiológico atrás de uma comandita impossível - a fazer parceria com uma frente ideológica oposta a tudo o que o presidente representa - saudosa do Estado patrimonialista, ora em degelo.
Essa questão não passa pela cabeça dos que pretendem transformar o pleito maior, o federal, num acessório do estadual, o que é uma subversão da lógica, ainda que em certas circunstâncias ocorra esse distanciamento, como se dá na Bahia e lá por força do mando imperial de ACM, o que leva o PSDB a associar-se ao PT. Só falta Álvaro Dias repetir os ‘‘conceitos’’ de Lula e Requião no sentido de que vão rever as privatizações (aliás, uma auditoria geral até que pegaria bem) e também as concessões ao capital estrangeiro.
O absurdo é tão grande que Lula andou dizendo que só aceitaria a aproximação com o PSDB do Paraná se este se distanciasse de FHC. É no que dá o oportunismo, pois Lula não está lelé.
BIZARRICE Lerner tira o atraso do ócio. A frequência dos anúncios oficiais está enchendo. Há quem se irrite com a Daílsa Damas atravessando a ponte e torcendo para que ela tenha cãimbras, mesmo fora dágua. O panorama visto da ponte prova que o governo não tem noção de dosagem: ou é lento demais ou apressado. Lento na questão dos empréstimos, apressado no faturamento do feito que deveria ter ocorrido há pelo menos um ano.
BIFRONTE Manchete, ontem, da Folha de S.Paulo: ‘‘Desmatamento já atinge 12,9% da Amazônia’’. Destaque de primeira página do Estadão: ‘‘Desmatamento na Amazônia cai à metade, comprova Inpe’’. O primeiro aposta no negativo e o outro nem sempre no positivo. Ecologistas querem a dramatização do tema, o quanto mais melhor. Pragmáticos desejam o contrário. Ainda dizem que notícia não tem ideologia ou induzimento.
SPRAY Questão de honra para as autoridades a resposta que virá contra os boys do Batel (Curitiba) e os de Londrina que desafiam a autoridade burlando as regras mais elementares no trânsito.- Urge agir, mas não tentando descontar o tempo que passou e que o devemos à omissão sistêmica das autoridades.- Caso do Batel é um dos mais graves: o ‘‘footing’’ motorizado dos fins de semana bloqueia artéria fundamental, obriga à mudança de itinerário de linhas de ônibus e é um cenário de violência contida. Na Copa do Mundo de 94 deu para ver o potencial destruidor.- Uma incursão pedagógica se faz necessário. Sem violência e sem dissimulações como usar luva de pelica e soco inglês.- Local da termelétrica de Paranaguá, vetada por Lerner por temer um congresso de ecologistas (o recuo aí foi positivo), é um lixão comprometedor que contamina as águas da baía, uma realidade igual a dos esgotos nas praias que os ecologistas não enxergam. É que isso não dá impacto, como também não dá para combater, por exemplo, invasões em áreas de preservação permanente e que deveriam garantir água potável à população.- Arturo Andreoli, o encarregado na Copel de gestão de parcerias, impostas pelo novo modelo energético, é a quem se deve, como já disse, quando estava na Eletrosul, a iniciativa nos anos de 85 e 86, de haver construído 32 vigas-trave dando início à ligação.- O Paraná deve a Andreoli outras coisas: como a cautela de um superdimensionamento de algumas das nossas usinas, em aberto confronto com o DNAEE, e que permitiram ganhos na capacidade instalada irremovíveis.- Essa hidrelétrica de Ilha Grande, abandonada definitivamente pelo governo FHC com a implantação do parque nacional, iria ser um pólo integrado intermodal de transportes (ponte rodoferroviária, eclusa, porto), complexo este tão ou mais importante do que a produção de energia.- Paranaguá se beneficiaria com o fluxo de carga do Mato Grosso do Sul e Norte do Paraguai.-
FOLCLORE Lerner vive falando, quando trata da ponte de Guaíra, de mais um elo da ligação bioceânica entre o Atlântico e Pacífico. Quando se comemorou o centenário do engenheiro Rebouças (há uma placa alusiva na avenida Luís Xavier em Curitiba) e houve inauguração de uma ponte na esquina da travessa Oliveira Bello com a rua XV, dava-se o feito como a abertura da estrada de Mato Grosso. Antecipando-se ao virtualismo do nosso governador, contemporâneos chamavam a praça Osório de Oceano Pacífico. Essa ligação já era prevista no caminho do Peabiru, pré-cabralino, pré-lerneriano.
AFORÍSTICO Quando virá a pesquisa sobre os institutos de pesquisa?

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