As cartas, na ‘‘buena dicha’’, não mentem jamais. Anunciam aos olhos da cigana o sinal de sangue na arena contra o toureiro, indicam sempre vida ou morte nos presságios. Há quem olhe as pesquisas de opinião com essa medida de precisão e certeza. Pois agora ‘‘pintou’’ uma sobre dobradinhas entre FHC e candidatos da terra, nas quais quando soma com Lerner obtém 61,05% contra 23% ao acoplar-se a Álvaro Dias, o que dilui os sonhos de revanche.
Como o governo não está muito bem com FHC (a prova disso parece ter sido bem recente com a ida para inaugurar uma obra gaúcha, menos relevante do que a de Guaíra), o jeito é convencê-lo por via das pesquisas. Como é um tempo de chantagem e blefe, essa pesquisa veio na hora. Traduzindo: ela reafirma que há mais afinidade entre Lerner e FHC do que com Álvaro. Aliás Lerner tem sido um aliado no PSDB, desde a candidatura Richa, ao contrário de Álvaro que ficou no Palácio para garantir Requião e no pleito mais recente, estadual, em que os tucanos fizeram parte da aliança vitoriosa, enquanto o presidente da Telepar estava no indefinido PP, depois de um estágio no PST. O oportunismo e a vindita, mais o descontrole verbal de Sérgio Motta e as derrotas municipais em Curitiba e Londrina, geraram a resistência ao ingresso de Lerner no PSDB.
A ânsia de vingança é de tal ordem que desaparece a noção de que a eleição presidencial condiciona as regionais, principalmente em função da ideologia das reformas. Ora, Lerner, também nesse aspecto, é a modernidade e a oposição, oportunista e desesperada, está comprometida com o que há de pior no passado em matéria de corporativismo e assistencialismo, na contramão de tudo o que o governo federal vem fazendo e com o máximo ônus político num ano eleitoral.
A resposta da ‘‘buena dicha’’ é clara, tanto quanto a bola de cristal ou o Oráculo de Delfos porque exibe o óbvio que a sanha oportunista e vingativa, próxima do embotamento, tenta encobrir. Junte-se isso com a reunião promovida na sede do PSDB para legitimar uma frente em que a maioria das siglas é de adversários zoológicos das reformas, isso sem falar nos que surfam ao gosto das marés da barganha, e ter-se-á com clareza o artifício imoral do projeto.
BIZARRICE Se persistir o quadro atual poderemos reprisar neste ano o ocorrido em 50 com Getúlio Vargas (este na sacada do Braz Hotel elogiava os dois candidatos ao governo estadual, engenheiros Munhoz da Rocha, republicano apoiado pelo PTB, e Ângelo Lopes, do PSD) e em 1960 com Jânio Quadros por cujo apoio brigavam adeptos de Ney Braga e Nelson Maculan. ‘‘Quem é Ney é Jânio. Quem é Jânio é Ney’’ foi o saque do grupo vitorioso. Mas naquele tempo havia mais inteligência e menos farolagem de agora quando o marqueteiro tenta parecer mais importante do que o candidato e o programa partidário.
SPRAY Pesquisas feitas por empresas locais (esta última das dobradinhas com FHC, por exemplo, leva a assinatura do Instituto Bonilha) são boas para quem as contrata, já que o outro lado diz só aceitar as do Ibope e DataFolha.- Volta e meia essas sondagens aparecem e a hostilidade é tão grande porque são feitas em nome de um cliente, interessado político, oficial ou oposicionista. - Rejeição a Lula é assustadora no Paraná, conforme a pesquisa, e isso faz periclitar o empenho do PT em pelo menos manter a sua representação. Daí o fato de alguns candidatos tratarem o partido como se fosse uma sublegenda do PMDB de Requião.- A Rápido Laser, que levou na moleza R$ 3,5 milhões da Banestado Leasing, seria do genro do ex-governador de Sergipe, João Alves, e o autor da operação no Paraná, José Edinalvo Moraes, não passaria de ‘‘laranja’’, conforme publicação sergipana, cuja cópia em xerox circula por aí.- Conforme as notícias, operações irregulares em leasing, feitas por Amorin, teriam provocado a demissão de um superintendente regional do Banco do Brasil em Sergipe.- Uma agência de notícias - encarregada de textos, arte gráfica - pode ser acionada por mensagens assumidas pelo cliente? Haverá hoje à noite debate sobre o tema entre agências de notícias e relações públicas no Sindicato dos Jornalistas. À tarde a jornalista Lara Sfair presta depoimento na polícia justamente por causa da campanha da família Tocafundo contra o Colégio Medianeira que não quer assumir a responsabilidade, admitida por unanimidade em câmara cível do TJ, pela indenização pelo tratamento do jovem Emerson, acidentado no pátio da escola por um motorista há 14 anos. Lara é sócia da agência que produziu a campanha da família Tocafundo.- Mediação é ato inspirado da santa Medianeira.
FOLCLORE Como tirava muito sarro do governo e sabia da truculência do Estado Novo, o Barão de Itararé (Aparício Torelly), depois de mais de uma provação com a polícia, deixou uma advertência diplomática à porta do jornal ‘‘A Manha’’, dirigida à autoridade: ‘‘Entre sem bater’’.
No pós 64, militares da hierarquia ‘‘revolucionária’’ invadiram o semanário ‘‘Binômio’’, em Belo Horizonte, e o metralharam. Aqui a bronca era em cima do jornal e TV de Paulo Pimentel com visitas quase diárias da Polícia Federal no curto reinado de Leon Perez. O aviso sutil do Barão funcionaria?
CROMO Para aquele cenário de Cuba com a visita do Papa se aproximasse das reproduções em pintura da Primeira Missa só faltava a presença dos índios.
AFORÍSTICO Em tempo de campanha eleitoral se valer de pesquisas não creditadas ao Ibope, Gallup, Vox Populi e DataFolha é uma necessidade como quem mostra cartas num jogo de pôquer. Neste é impossível todos blefarem ao mesmo tempo.

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