Luiz Geraldo Mazza
Em termos gerais, no Brasil ficou demonstrado que o vice não é apenas um posto de caráter decorativo (a morte de Getúlio Vargas que alçou Café Filho em 54, a renúncia de Jânio que entronizou Jango em 61, a morte de Tancredo que beneficiou Sarney e mais recentemente o impeachment de Collor que catapultou Itamar Franco). No âmbito mais restrito dos municípios a questão continua criando tensões. Em Curitiba, Algaci Túlio renunciou ao mandato de deputado estadual para assumir a vice, mas se não o fizesse o PSDB ameaçava melar tudo sob o fundamento da fraude eleitoral.
Pois em Maringá terminou, ontem, o prazo de definição do deputado Marquinhos Alves para definir-se ante a imposição de assumir a vice. Se não o fizesse abria espaço para a denúncia de uma farsa eleitoral, mais sutil do que a do Ferreirinha, mas suficiente para levar o eleitorado à indignação. Verdade é que partidos alheios à aliança vencedora é que deflagraram a campanha para que o deputado assumisse a vice apoiados por outras organizações da sociedade civil. Isso não restringe a legimitidade da resistência até porque o vice foi peça-chave para decidir uma eleição duríssima resolvida no olho mecânico.
Enquanto Maringá dá esse exemplo negativo, por transformar em novela uma questão simples e de compromisso com todo o público e não apenas com os que nele votaram, Pato Branco inova: Astério Rigon, duas vezes prefeito, vice de Alceni Guerra, é uma espécie de gerente da cidade, modalidade adotada como rotina em localidades norte-americanas. Em Curitiba Algaci Túlio fez um pouco de charme para assumir, naturalmente para definir espaços em favor de seus assessores, já que seria obrigado a renunciar. E fez muito bem porque o grupo que está no poder lhe deve muito mais do que isso, tanto que no pleito dos doze dias segurou o posto até a vigésima quinta hora para Lerner e nas disputas seguintes, a despeito de promessas, foi esnobado olimpicamente.
Há quem entenda que a chapa é indivisível - esse era o argumento do PSDB na Capital para agir na hipótese de Algaci tirar o time de campo tentando anular a própria eleição por entender que a farsa a contaminava - e que por isso mesmo não haveria como aceitar pacificamente a renúncia, como se sugeria no caso de Maringá. Claro que tudo isso é discutível e nem tem a singeleza sugerida pelos interessados em punir o renunciante, atingindo a totalidade da composição. Se sob o ponto de vista jurídico a questão é contraditória, já não se pode dizer o mesmo quanto ao aspecto ético pela presunção evidente de fraude, de manipulação aberta da vontade do eleitor.
BIZARRICE A cena é real e ocorreu semana passada: um casal de turistas japoneses fotografava no Ópera de Arame os cisnes e marrecos da lagoa lá existente quando teve a atenção despertada para alguns gabirus, ratos enormes, que comiam no cocho dos animais. Se flagraram os roedores e levaram as imagens ao Japão não pega bem sugerir que se trata de paca ou cotia.
SPRAY Governo tenta minimizar a confusão com os números de sua dívida, mas está com dificuldades para justificar duas coisas: a própria convocação extraordinária do Legislativo (caríssima e inócua) e que não pôde reverter, o que ficaria pior ainda, e o recuo na mensagem do pessoal de nível superior. - A defasagem entre o PIB e nossos ganhos em ICMS relativamente aos demais estados do sul é assunto agora muito discutido e no aguardo de resposta. - Grande feito do governo é o de recuperar o prestígio do Tecpar, que vai produzir a vacina tríplice (tétano, coqueluche, difteria). Há uma tradição de ciência e tecnologia no Paraná desde o antigo IBPT, Instituto de Biologia e Pesquisas Tencológicas, criado por Manoel Ribas, só que agora o raio de abrangência é menor e voltado à produção e não à pesquisa. - Nos anos 50, ante a epidemia de gripe asiática, uma equipe do IBPT foi a Manguinhos e se capacitou a produzir as vacinas. Pluralista em suas ações, quando das geadas que destruíram o nosso parque cafeeiro, foram testados no IBPT geradores que tentavam impedi-las, como os americanos faziam nos seus laranjais e se valiam da neblina para operações de guerra. - Agora, depois do resultado do vestiba, veremos o festival antiético das propagandas dos cursinhos, todos apelando à matemágica para provar que aprovaram mais gente: juntam o aluno que passou num ano ou dois ao que esteve no intensivo. Por mais nobre que seja a mercadoria, quando passa pelo filtro mercadológico, ela se torna exatamente isso aí, um valor a mais de consumo.
FOLCLORE Antigamente no vestibular havia exame oral. Há estórias clássicas de respostas engraçadas, como a da prova de biologia em que o professor mostrou um besouro e perguntou ao aluno se era macho ou fêmea.
- Macho
- Por que?
- Ora, olha o jeitão dele!
CROMO Na cancha aberta, no vai e vem do voleibol, a bola branquíssima, arremessada para o alto, cobriu por um instante a lua. Ninguém notou, a não ser o poeta que estava de olho na lua e não na bola.
AFORÍSTICO Se Roosevelt achar que converter-se ao canibalismo pode lhe render votos, mandará engordar um missionário no quintal da Casa Branca. Essa é também do H.L. Menchen que na década de 20 foi considerado pelo The New York Times o cidadão privado mais poderoso da América. Percebe-se na frase que sem exagero não se faz caricatura. Exigir equilíbrio e contenção na charge é uma contradição em termos.





