Há um apreciável estoque de denúncias contra o governo. Algumas inócuas como essas de Requião pretendendo sugerir que se deve a ele a ponte de Guaíra; outras, porém, sérias como as acumuladas sobre a Banestado Leasing e os Jogos Mundiais da Natureza. A campanha eleitoral tem tudo para alcançar níveis de sordidez nunca dantes registrados. Naqueles pontos em que o governo deixou de tomar providências para punir irregularidades (a da Agricultura, apesar de haver procedimento judicial, e de o Hermas Brandão ter tirado o time, é um bom exemplo) a vulnerabilidade será maior.
Uma publicação de Sergipe - denominada ‘‘Cinform’’ - divulgou matéria sobre os feitos do ex-governador João Alves, protegido numa operação da Leasing, em que, sem oferecer garantias, a Rápido Laser levantou R$ 3 milhões quando seu patrimônio não ultrapassa R$ 50 mil. Essa rocambolesca história ainda se completa com aquele dado incrível de o domicílio apontado na operação ser o do pai do dirigente da Leasing, o ex-deputado Joaquim dos Santos Filho.
Há gente ligada ao PMDB em várias repartições, inclusive o Tribunal de Contas, que fornece a matéria prima. Áreas mais agudas são a dos Transportes, a de Esportes e Turismo, Banestado, Comunicação Social, Fazenda.
A dificuldade de recursos, apesar do ‘‘oba-oba’’ momentâneo com os atos de inauguração da ponte de Guaíra, está patente no atraso dos pagamentos de empreiteiros, fornecedores, prestadores de serviço etc. Locadores de salas e edifícios vão à loucura com o atraso superior a quatro meses, a Telepar tem uma paciência de Jó para ouvir explicações do governo, como se deu com as faturas atrasadas da Secretaria de Esportes. Se houvesse essa secura lá na Leasing, aquele problema não teria ocorrido.
O meio de neutralizar isso tudo seria um feito no campo das obras e também no das inversões na economia como os anunciados R$ 14 bilhões. O público, aqui no Paraná, é condicionado a ser chapa branca, notadamente quando se faz muita marola em obras, mesmo que deixadas pela metade. Como a lei da selva impera, o governo vai fazendo também dossiês de Requião e de Álvaro Dias.
BIZARRICE Sumiu da cidade, depois de estada em hospitais psiquiátricos, o Esmaga, figura popular, ‘‘mordedor mor’’. Dizia-se, nos últimos dias, que o Alvino Cruz, este seu nome, estava preso por tentar esfaquear uma pessoa. Até então o Esmaga se limitava a ‘‘facadas’’ alegóricas, com as quais montou um apreciável fundo em poupança.
Uma das estórias dele no campo dos feitos sexuais foi convencer uma garota de programa a transar ao ar livre que, segundo ele, era mais romântico. Ela exigiu que houvesse uma bebida para aquecer, pois fazia frio. Esmaga atravessou a avenida e foi buscar um licor de cacau. Assanhado, tomou o primeiro gole e passou a garrafa para a companheira. Esta deu uma garrafada na cabeça do Esmaga, tomou-lhe todo o dinheiro e deixou-o desmaiado e sangrando no terreno baldio. ‘‘De cada dez cantadas, há pelo menos uma dessas’’ - justificava depois, dizendo que valia a pena, aureolado pelas ataduras que lhe cobriam a cabeça. E apontava para o curativo do Pronto Socorro, alertando: ‘‘Melhor isso do que chifre’’.
SPRAY Querem puxar o tapete da Beaulieu, indústria de carpetes a ser instalada em Ponta Grossa.- Produtores da área, que não recebem incentivos, denunciam que os dirigentes da Domo, subsidiária, foram em cana na Bélgica por fraude.- O chio é válido. A Gurgel, única fábrica automotiva legitimamente brasileira e levada à falência, poderia fazer o mesmo diante do governo.- Primeira semana de fevereiro volta a circular o Impacto, ainda degravando fitas da política local. Uma das matérias de fôlego é a da Leasing e o lance de sua suposta venda ao Banco de Boston.- Governo se comunicou mal interna e externamente no caso da ponte de Guaíra. A própria imprensa, independentemente de se tratar de fato oficial, não apreciou a importância da obra. Para culminar, uma derrota política a ausência de FHC, que poderia ter efeitos multiplicadores internos.- Governistas do PMDB deram o repique nos autonomistas ao toparem o desafio da queda de braços na convenção. A resposta dos que defendem Paes de Andrade e a tese da candidatura própria veio rápida: um encontro nacional em Curitiba de presidentes da Fundação Pedroso Horta e dos diretórios regionais, no qual se extrairia uma carta em defesa do rompimento com FHC. Época de farolagem de lado a lado, como se vê, de resto, na política regional com o PPB tentando ampliar o seu cacife e o PC do B sugerindo uma força que não tem.- Muita gente praguejando contra Álvaro Dias, ontem, na Capital, por causa de falhas nos serviços telefônicos. Hora do bônus, hora do ônus.- Se os governos federal, estadual e municipal tivessem gasto com divulgação do novo Código de Trânsito a décima parte do que jogam fora com a exaltação dos seus feitos teríamos um investimento cívico, bem melhor do que esse ‘‘cínico’’ do dia-a-dia.
FOLCLORE Você imaginou o Orlando Pessuti cantando? Pois isso vai acontecer no dia 12 de março no Clube Curitibano no ‘‘Jantar das Estrelas’’, em que artistas amadores vão se exibir numa promoção em favor do Lar ‘‘O Bom Caminho’’. Ao lado dos cantores e instrumentistas amadores haverá a ação de cozinheiros como o Malu e Luís Alfredo Malucelli, que teve a idéia. Além de Pessuti, haverá outros como o Sílvio Name, intérprete de boleros, e o engenheiro Edmond Fatuch, cantor de tangos (uma noite em Buenos Aires ele substituiu profissionais do ‘‘Velho Armazém’’ com brilho) e diretor do Porto de Antonina.

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