Luiz Geraldo Mazza
Em Direita e Esquerda, ao contrário do que interpretou FHC, Norberto Bobbio reafirma a manutenção das duas posturas no cenário mutante de hoje e coloca a liberdade como um objetivo essencial, de fundamento, do liberalismo e a igualdade como a irrenunciável busca do socialismo. Na globalização em curso percebemos que tanto um como outro valor acabam dissimulados e quase sempre vertidos em alegoria. A liberdade e a igualdade em hipóteses não vivenciadas.
Já me referi aqui a uma imagem: a legião de miseráveis do Zaire em marcha pelas estradas (uma idéia de liberdade inútil, inócua, a de ir e vir de um lado para outro carregando o mesmo destino) e ao fundo, como apareceu numa foto de primeira página, o outdoor em francês Toujours Coca Cola, Sempre Coca-Cola (caricatura de igualdade, afinal também a África, em seus lugares mais recônditos, tem acesso a esse benefício da civilização, marca profundamente globalizada).
Uma outra metáfora é a dos trajes dos adolescentes do mundo inteiro, mais ou menos equalizada, nos grunges: bermudão de skatista, bonezinho normalmente com logomarcas de times de basquete e beisebol americanos, blusa ou pulover amarrado à cintura. É uma falsa igualdade de um também sinal de inconformismo de mentirinha imposto como moda, o que tem mais de acomodação do que rebeldia. Esse uniforme esconde a condição social do respectivo dono e, o mais das vezes, é um mimetismo semelhante ao da menina que faz trottoir perto de uma escola e se vale de uma roupa igual ou parecida para vender o seu peixe.
É preciso alertar-se com o caráter dessas sinalizações que mais escondem do que clareiam as coisas, da mesma forma que uma torcida de futebol nivela, na mesma paixão, pessoas de classes sociais distintas e que vivem a ilusão de uma igualdade puramente circunstancial. Mas se a liberdade não pode ser preservada sem o contraste da autoridade para que as regras do jogo democrático sejam respeitadas também nenhuma pessoa sã da cabeça acata o igualitarismo que é uma violência contra a natureza humana por transformar o homem numa sociedade de massas num rebanho que, como dizia Munhoz da Rocha, visto um, vistos todos.
A esquerda, além de lutar pela preservação da liberdade, fundamento roubado no caso concreto do socialismo real, inclusive Cuba, apesar da visita do Papa, deveria fazer toda a sua reflexão em cima da igualdade. E convenhamos que o momento brasileiro, como se vê no contrato provisório de trabalho, cada vez mais aprofunda a divisão em castas: trabalhadores e cidadãos de primeira e de segunda classes. A alegação de que tais medidas respondem a uma questão emergencial, a um quadro crítico, nada refresca e apenas faz lembrar que também em razão de situações episódicas tem-se dado moratória ao autoritarismo clássico dos brasileiros. O emergente se faz permanente.
O pior é que as esquerdas, nocauteadas por tantos revezes sucessivos desde a queda do Muro e a desintegração do império soviético, insistem em manter seus dogmas já desmoralizados como o do Estado onipresente, a resistência à competição e, o que é pior, sustentam os mesmos fantasmas como os populistas do padrão Brizola incapazes de dar uma só resposta nova que não seja o realejo das perdas internacionais ou de tolices como o depósito polivalente de crianças como solução última para a questão educacional. Além disso o culto às corporações, o que ratifica o caráter darwinista do capitalismo .
BIZARRICEFiscal de pedestre: está aí uma profissão nova em função do Código de Trânsito que pode gerar muitos empregos, mais do que as montadoras.
SEXODentre as baixarias da campanha eleitoral já se sabe de uma que vem para valer: denúncia de filhos fora do casamento, assédio, homossexualidade. Como virou moda nos Estados Unidos descobrir casos do presidente Clinton aqui o pessoal tenta engatinhar nessa pista de lama. Como pode a justiça eleitoral, com os seus ritos, impedir que uma denúncia vaga ou sem provas faça estragos irremediáveis? Essa linha pode ser mais fulminante que o Ferreirinha.
SPRAY Maior infrator do Código de Trânsito é a Prefeitura: estacionamento à esquerda do ligeirinho e de pontos de táxi, ruas com mão inglesa, bloqueio do vidro traseiro dos ônibus com a campanha educativa. Como multar o multador? - Como ficaria no Código aquele caso do filho do Tocafundo no Medianeira, já em liquidação de sentença há sete anos, sem que a família seja indenizada? O fato é precedente, mas sua lembrança pedagógica. A pretensão salvacionista - e o casuísmo é marca disso - do Código é inútil. Não se revoga, pela lei, a cultura e costumes e nem se cria um novo homem, velha pretensão legisferante. - Nada menos de cinco deputados federais, ex-prefeitos no tempo em que Requião era governador, vão se revezar na tribuna para mostrar como eram discriminados em termos de atendimento. Fernando Ribas Carli, de Guarapuava, foi o primeiro. Mais três botam a boca no trombone e saem, ainda, na televisão. - O fim do regime automotivo em julho deste ano deve acelerar decisão sobre a Suzuki que pode não ser a última montadora a vir para o Brasil. - FHC deveria vir ao Paraná pelo porte da ponte de Guaíra, mas pelo jeito mais uma vez o setor político da administração estadual bobeou. Obra muito mal vendida.
FOLCLOREA fofoca afeta até estadistas. Quando Parigot de Souza estava em fase final de sua doença alguns açodados, que pretendiam tirar grana do governo a fórceps, sugeriram que o governador não assinava os atos oficiais. Levaram o governador, magérrimo, em péssimo estado, até a Boca Maldita para desmentir.





