Quem fez a ponte de Guaíra: Roberto Requião ou Jaime Lerner? Um iniciou e outro concluiu a obra que estava quase parando, curiosamente no ritmo Lerner das decisões políticas. Por que, por que parou? Porque a Marinha, para preservar interesses da navegação, a interditou e porque não havia sequer o RIMA, o Relatório do Impacto do Meio Ambiente. Quem botou mais grana na obra foi Lerner, embora se deva reconhecer o esforço geral de Requião para a baixa do custo das obras públicas.
O Paraná deve a um homem alguns feitos na área hidráulica. Chama-se Arturo Andreoli, que foi presidente da Copel e diretor da Eletrosul e brigou por essa obra de arte, junto à crista da barragem da hidrelétrica de Ilha Grande que a Copel deveria brigar para construir, o que não pode fazer porque o modismo na área é o da privatização, mesmo quando se sabe que a Light não está cumprindo as suas obrigações e jogando as tarifas na estratosfera.
Quem inaugura obra leva méritos pelo menos no teatro da política. Ney Braga incorporou, entre seus primeiros feitos, a estrada Curitiba-Ponta Grossa praticamente acabada por Lupion e tocada pelo Lolô Cornelsen. Jaime poderia fazer o mesmo oba-oba com a ligação com Garuva que Álvaro Dias explorou publicitariamente e não fez e Requião tocou a maior parte.
Se todas as nossas pendências fossem em cima de obra e seus custos o Brasil estaria bem, mas isso é exceção. Requião e Álvaro Dias, embora os feitos em rodovias e no manejo das microbacias, não trouxeram um só investimento de vulto ao Paraná. Ao contrário alguns arrepiaram carreira e se mandaram. Mas Requião deixou a legislação (via Aníbal Khury) que estabelece os estímulos para investimentos.
Governo é continuidade, não necessariamente continuísmo. Mas no momento, nas condições atuais, os menos ruins são FHC e Lerner, apesar de tudo. Os que pretendem substituir FHC e Lerner são os já testados, à exceção do Lula que, como o Maluf, compete, compete e por isso não se mostra competente.
CHARGE Obra inconclusa do tempo do Requião é a Ferrovila que aliás era apontada pelos militantes do PMDB como a Curitiba que turista não via. Ajudavam a fazer a invasão para dizer que havia miséria. Foram punidos de forma poética: perderam as eleições até nos núcleos invadidos. Punição que lembra intervenção de Deus do Velho Testamento.
BIZARRICE O governo estadual escondeu tanto a negociação com a Suzuki que ninguém queria dar o nome dos japoneses que vieram até o Paraná. Aí disseram que um que conversava à vontade com Lerner se chamava Osvaldo. Esclareça-se: era nipônico e não o protegido secretário de Esportes, aquele da Leasing.
SPRAY O DIEESE não faz parte da coligação oposicionista, mas vai fornecer-lhe material de primeira: promete divulgar os números do desemprego de setembro e outubro hoje em coletiva à imprensa.- Stalin ensinava: a morte de uma pessoa é tragédia, a de milhões pura estatística. Desemprego quando não atinge a nossa casa é estatística. Como na guerra nós aceitamos a morte do companheiro de trincheira, mas a nossa, nunca.- Se há exagero (e acredito nisso) na forma como o DIEESE toca as pesquisas também não se pode negar que os 450 mil empregos do Lerner lembram aqueles 800 mil bóias frias dos anos 70, que todos citavam, sem que houvesse qualquer censo ou senso.- Vendedores do prédio do Centro Cívico à Fundacentro afirmam que o negócio é legal e não entendem o que chamam de tentativa de ‘‘politização’’ do assunto. Dizem-se as partes ligadas politicamente a Álvaro Dias que a avaliação da Caixa Econômica Federal é sempre por baixo (R$ 600 mil) e que o preço de mercado na área é de R$ 1.200 o metro quadrado. O prédio tem 1.300 metros quadrados.- Guaraituba quer obter água da Sanepar na marra e foi à justiça. E os deputados ainda queriam transformar a localidade em município.- É sempre assim: no litoral prometeram que Pontal do Paraná iria redimir as praias abandonadas por Paranaguá. Hoje tem prefeito ganhando 7 mil, vereadores recebendo 3 mil, aspones, enfim todo o aparato burocrático. As chuvas dos dois últimos dias mostraram a mentira que foi a expectativa de que viria o paraíso, o shangri-lá e não o dilúvio. Fezes boiando, ruas intransitáveis, o juízo final.
AXIOMA Observação do Eduardo Schneider, codinome do Ricardo Prefeito, sobre a operação dos irmãos Requião e denúncias de manipulação de verbas:‘‘ Maurício foi convertido em Juruna pós-moderno.’’ O gravador estava para o Juruna como o celular para o Carvalhinho.
FOLCLORE Banho de lama em calouro na PUC tem um sentido litúrgico ao inverso do batismo em cima da água, fonte de vida: ele se sente mais brasileiro. E lama, como lembraria o Jacques Brandt, é o anverso de alma no poema praxis. Num tempo em que Landraces e Durocs se recusam a chafurdar não deixa de ser uma experiência epistemológica. Mais um dado: Adão foi feito de barro que é a lama enxuta, desidratada.
CROMO E você, que encontro todos os dias e que me cumprimenta e vai adiante, num passo elegante na ciclovia, e que deixa um sinal de mistério em sua passagem, quem é afinal? Qualquer dia um de nós se vai e esse ritual do cotidiano se esvai, volátil como o nosso relacionamento passageiro.
AFORÍSTICO A alegoria é mais forte do que o físico quando se diz que Aníbal Khury ocupa todos os espaços.

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