Luiz Geraldo Mazza
O governo federal não tinha alternativa. Era indispensável que a dívida dos municípios tivesse um encaminhamento, como se deu com a dos estados. É claro que a oposição vai dizer que se trata de uma artimanha para cercar prefeitos e garantir a reeleição como de resto o declarou quando da decisão relativa a encaminhar diretamente aos municípios e estados os R$ 11 bilhões da educação.
O direito de espernear é a glória das minorias.
Obviamente tanto esse caso, como o dos estados, é uma evidência de que andamos longe da austeridade, passamos ao largo, mas não há alternativa e isso tudo tem pelo menos o mérito de mostrar que o Brasil tenta acertar as suas contas no fatalismo do ritmo lento e seguro como se deu com a abertura. Como é visível que a maioria dos municípios está quebrada - e há sinais claros disso nas moratórias dos pagamentos a empregados e prestadores de serviço e também no fechamento dramático delas, como se deu várias vezes - a injeção de cânfora, que dificulta o programa de estabilização, tem frutos eleitorais de caráter imediato.
A ajuda aos estados chegou a R$ 103,3 bilhões. A dos municípios levará a União a emitir R$ 12 bilhões em títulos. Só a dívida dos municípíos das capitais se aproxima dos R$ 15 bilhões. É muito difícil compatibilizar idéia de austeridade com a pressão sobre as contas públicas, ainda mais num momento em que se registra o maior déficit dos últimos 15 anos em transações correntes, e que chega a 4,2% do Produto Interno Bruto.
O apelo a ARO (Antecipação de Receita Orçamentária) é um dos expedientes mais empregados pelas prefeituras. Só as do interior registravam quase R$ 1 bi no fim de 97, e a de Curitiba, das mais austeras do Brasil, também apelou para o recurso em função dos furos graves deixados pela gestão anterior.
Um argumento forte justifica essas oscilações de FHC na direção da concessão: o de que ele detém a credibilidade, tanto interna quanto externa, e ninguém mais estaria em condições de tocar um programa de reforma do Estado do que ele. Isso implica num velho e deformado vício nacional: o de que o País só anda com o homem providencial, o que conflita com a idéia de democracia, civismo, mas lamentavelmente faz parte do nosso jeito de ser.
BIZARRICETudo bem - disse aquele técnico do DIEESE ao seu colega do Ipardes - você me mostra onde estão os 450 mil empregos que o Lerner criou e prometo lhe dar de troco os 150 mil desempregados de Curitiba.
GLOSAPelas reuniões da ADVB e seus cafés da manhã, mais a churrascada de ontem do PMDB dá para prever uma engorda geral na campanha eleitoral. Quem ganha a parada: Santa Felicidade com sua polenta e frangos ou os abomináveis espetos corridos?
O PT é o partido que dá a impressão que come no bifê popular ou na refeição em quilo e se atraca no Ille de France. Diz a regra ética façam o que eu digo e não o que eu faço.
SPRAYEduardo Virmond na Justiça, Lúcia Camargo na Cultura e Cândido Martins de Oliveira na Casa Civil. Eram as indicações dominantes na semana. Todavia, tudo pode mudar. Afinal, faz pouco tempo que Lerner tomou posse. É um avanço, pois há pessoas que não tomam posse nem de si mesmo. - Eixos anti-recessivos no Paraná apontados pelo Ipardes para este ano: projetos infra-estruturais como o do Anel de Integração e retomada da construção civil. Ligue-se tudo isso ao cronograma eleitoral, sem falar nas obras de convênios municipais, e ter-se-á uma idéia do impacto. Há retração no primeiro trimestre, conforme o cenário detectado, e menor crescimento da renda agrícola. - Numa coisa o DIEESE tem razão na sua briga com o Ipardes: os critérios do IBGE não são assim nenhuma Brastemp. Afinal dizer que no Rio de Janeiro só há 4% de desempregados, taxa de Primeiro Mundo, é transformar Biafra em Bélgica. - Para descompensar, o governo tem razão (leia-se Miguel Salomão) quando diz que o DIEESE se vale de uma pulsão ideológica. Aliás sua clientela é justamente o mundo do trabalho. - O pedido de supressão da criança de 15 anos é um exagero legalista do Ipardes e por uma razão simples: também os contrabandistas, traficantes, que não são poucos, não poderiam ser listados por causa da atividade ilegal. - Quanto a essa história do trabalho do menor há muito preconceito, a pretexto de priorizar a sua presença na sala de aula. É melhor piá trabalhando do que cheirando cola, como se dá com os meninos de rua, sem que o Ministério Público faça, afinal, o enquadramento do abandono escolar e familiar configurados. - Paraná, no momento em que Lerner assumiu o governo, só ganhava do Piauí na estatística sinistra de o maior número de crianças em idade escolar no mercado. Realidade não se muda com discurso bem intencionado e propaganda tida como inteligente.
FOLCLOREAntonio de Paula Filho, diretor da DRT e parlamentar, procura o Freitas Neto, jornalista e presidente do sindicato, na redação de O Estado do Paraná para um comunicado da Federação dos Jornalistas. Ao referir-se ao jornalista e oficial da Aeronáutica Jocelyn, Paula Filho pronunciou o nome em francês corretamente. Freitas, que revisava textos sem tirar os olhos da mesa, replicou pois san como quem afrancesa o pois, sim. Depois explicou que se o visitante dissesse Jocelyn a rima o acompanharia.
AFORÍSTICOPrática dos jornais do Paraná em maioria é a da dependência ao governo, o que não os impede de reverberar pela diminuição do Estado e pela economia de mercado. Se houvesse essa, a maioria dos jornais fechava.





