Brizola saudou a tese da canditadura própria pelo PMDB pela razão elementar de que tiraria votos de FHC e não da oposição supostamente à esquerda, Traduzindo em miúdos: um boi de piranha, daqueles que sangrados acabam lançados ao rio, para que o rebanho passe em outro ponto distante do sangue e fora do alvo da cardume agressivo.
Mais ou menos teria sido este o resultado do encontro entre Álvaro Dias e Roberto Requião em Brasília: bater-se-iam os dois contra Lerner e o que sobrasse teria o apoio do sacrificado. Coisa nobre demais para a política, arte onde o sacrifício é exceção como o de Getúlio Vargas, saindo da vida para entrar na história, ao matar com um tiro no peito a conspiração da UDN e dos militares golpistas, que adiariam a trama por dez anos.
Álvaro está confiante. Acredita que tem, na espontânea, três a quatro pontos na frente de Lerner, segundo misteriosa interpretação, até hoje não bem explicada, do DataFolha. Isso vem em socorro de sua tese de que as oposições deveriam marchar juntas e com a cabeça da chapa ao que estivesse melhor nas pesquisas. Se ficasse atrás de Requião, aceitaria a senatória. Como se vê o supra-sumo do oportunismo e com um mínimo de riscos.
No encontro de hoje do PMDB, que sabe que suas possibilidades se esgotam no peso eleitoral de Requião (atrás dessa corre também o PT, sua linha auxiliar) como puxador de votos, haverá apelos em dois sentidos: um pela candidatura própria nacional e outro, que corre em contradição a esse, pelo lançamento imediato da postulação ao Palácio Iguaçu. De qualquer forma o PMDB se retempera com tudo isso, depois de tanta fossa.
Ganhar de Lerner, com essa divisão imaginada, fica mais difícil. Se houvesse a candidatura única, o que daria um traço plebiscitário ao pleito, as coisas seriam facilitadas. Há complicadores em quaisquer das hipóteses e a eleição nacional vai condicionar a regional na maioria dos estados, inclusive no Paraná, dada a expressão do colégio, a não ser que se torne impossível a acomodação relativamente às alianças de FHC.
Até aqui o que se percebe é que a ambição de ambos os lados é maior do que a verdadeira perspectiva de um ganho fácil, como se alardeia.
BIZARRICE Ontem, meio dia e meia, entram no restaurante do antigo Braz Hotel, hoje Slaviero, todos os diretores da binacional de Itaipu. Um frequentador da Boca Maldita não resiste: ‘‘O País diz que se reforma, mas a Itaipu é a prova contrária por lembrar uma vaca barrosa com tetas para atender os que perdem eleições, como se nada houvesse mudado.’’ Ao lado um mais maldoso cochichou: ‘‘Olha que a orelha do Scalco capta até murmúrio!’’
É sempre assim: quem picha normalmente tem inveja da mordomia, o que não anula a verdade proferida. O gigantismo de Itaipu não justifica a hipertrofia burocrática e política.
AXIOMA Haja igualdade: FHC com mandato permanente e o trabalhador com o contrato provisório.
SPRAY Caiu ontem pela manhã o placar da Boca Maldita mostrando os senadores que votaram a favor e contra no caso dos empréstimos. Não foi ação política de brigadas de Requião ou Osmar, mas um acidente na recolocação dos bancos da Avenida Luis Xavier. À tarde já estava no lugar outra vez. - Na posse da direção do Tribunal de Contas foi anunciado o controle dos gastos com campanha eleitoral como se isso já não fosse atribuição daquele organismo. Curioso é que na foto apareciam dois conselheiros (Quielse e Artagão) que têm filhos candidatos a deputado estadual. - Causa da promessa de criar o TC municipal é uma das respostas permanentes de deputados inconformados com o poder de fogo que pode ser exercido em cima de prefeitos e dos comandos políticos. - Código de Trânsito vai dar força à tiriva e ao inspetor de quarteirão. Povo fica entregue à voracidade das multas e de possíveis ‘‘mordidas’’. O pior é que seu casuísmo facilita mil safanagens como o caso dos carros que saem da linha de montagem sem aparatos que o Código está exigindo. - Para exemplificar: o ícone eleitoral de Greca, o ‘‘Ligeirinho’’, é proibido por estacionar à esquerda. - O prefeito de Brumadinho, Minas Gerais, Candido Amabis Neto, mandou expediente ao senador Requião condenando a divulgação de gravação não autorizada. - Outros do Paraná vão lembrar, como fez Fernando Ribas Carli, das perseguições sofridas quando o senador estava no Palácio Iguaçu. - Duas coisas negativas e comuns a todo o País - rebelião nas penitenciárias e bronca nas filas para as matrículas nas escolas - não acontecem no Paraná e isso é um crédito que se deve tributar ao governo estadual e antecessores. - Donos da Cemat (Copel de Mato Grosso) - grupos Rede e Inepar - converteram esta semana R$ 290 milhões em ações, reduzindo o seu endividamento. Não é o que se dá com outras privatizadas como a Light sob os puxões de orelhas da Anatel.
FOLCLOREUm colunista social, numa seção de mexericos, contou que um cartorário havia sido flagrado em lugar público e com mulher que não era a sua (a própria, a dele). Irritado, o cartorário, dublê de jornalista, chamou o colunista de homossexual num jornal de pouca circulação. O ofendido processou o cartorário e este contratou um advogado que numa das primeiras audiências pleiteou uma perícia anal no queixoso e o juiz acatou. O processo acabou.
CROMO A crise é tanta que João de Barro mora na casa da sogra. E em Irati afoga-se o porco antes de matá-lo para que os vizinhos, ao ouvirem seus guinchos, não pretendam levar algum pedaço para fazer um pururuca.
AFORÍSTICOLerner visita Aníbal: agir político ‘‘pega’’ por osmose?

mockup