Luiz Geraldo Mazza
Segundo o vereador do Piauí há bode respiratório e não expiatório. O do Lerner é o Jaime Lechinski, apontado por vários setores como a causa do baixo desempenho nas pesquisas como se não devesse debitar a ele pelo menos parte dos créditos quando a situação era inversa.
Quem se comunica mal no governo é o governador, o que parece uma contradição em termos numa figura apontada como um surfista do marketing. Ainda ontem deu para percebê-lo: como havia cometido a imprudência de adiantar no Bom Dia, Paraná a chegada de mais uma montadora, agora no interior, buscou, bem no estilo atabalhoado que o caracteriza, um Jerry Lewis mais gordo, corrigir-se e buscava cúmplices, inclusive nos meios de comunicação, para apagar a indiscrição. Convocou seus auxiliares para que não abrissem a boca sobre o assunto, ainda mais depois que a indiscrição palaciana fez vazar o informe de que a empresa seria a Suzuki.
Não é só nesse caso, mas ele confirma, como um paradigma, a ausência de determinação, a incapacidade de transmitir comando à equipe, com o que acaba valorizando os piores, os menos dotados, embora fervorosos áulicos. Como a turma do amém é majoritária e se esgota na bajulação, essa naturalmente é a que engrossa a culpa em cima do polaco e do Jaime errados, já que não tem peito para mostrar o Jaime certo.
Qualquer notícia negativa, principalmente as de natureza política, nas quais o jogo de espelhos confunde fato com a versão e o circunstancial com aquilo que é permanente, o desestabiliza. Ontem sopraram no Palácio que em Brasília Álvaro Dias chegara a um acordo com Requião no sentido de que os dois deveriam disputar a governança e unidos detonariam Lerner no primeiro turno (como se fez com Richa), partindo para a disputa final em segundo turno. Mesmo sem pesar a veracidade e a viabilidade da hipótese, passa a sofrê-la com tal intensidade com que se o habilita rapidamente a sair da neurose para estágio pior.
A insegurança e a hesitação se comunicam rapidamente ao primeiro e segundo escalões. Então o remédio é buscar a saída mais fácil: enganar-se na definição do culpado e os bruxos vão mais longe fazendo o vodu, transfixando o boneco de cera com agulhas mágicas que configura o Jaime e o polaco indevidos.
BIZARRICE Na Lapa, terra do Lechinski, há um ditado cheio de ceticismo sobre os caras que abandonam um vício como o baralho, a bebida ou as drogas. O bode quando se afasta pode estar ganhando impulso para a próxima e derradeira marrada.
GLOSA Há parlamentares que poderiam ganhar fortunas na publicidade caso ficassem sem mandato. São especialistas em vender pastel de vento e pirão de areia. Roberto Requião é um dos mais dotados e o que está em foco no momento. Só joga para a platéia. Coluna de anteontem de Márcio Moreira Alves.
Lerner na mesma situação ficaria na dúvida: pastel ou pirão?
SPRAY Diz o Pedro Longo que o PMDB tem o desdobramento do DataFolha e que na espontânea Álvaro Dias está com 16 pontos e Lerner com 13. Como terror num governo suscetível, a arma é mortal.- Prefeitos de oposição do tempo em que Requião era governador mandam informações sobre o uso político de verbas. As havidas com Fernando Ribas Carli, então prefeito de Guarapuava, hoje deputado federal, são fichinha. O macete é de todos, basta estar do outro lado do balcão.- Houve saturação das linhas da CBN ontem quando da entrevista de Álvaro Dias: respondeu, com elegância, a todas as broncas de usuários dos telefones. Ninguém ligou para perguntas políticas.- Cândido Martins de Oliveira conhece mais gente do interior do que Lerner ou qualquer outro integrante do governo. É por tudo, especialmente num ano político, a pessoa certa para a Casa Civil. Esse é o calcanhar de Aquiles, o front político deste governo.- Ipardes projeta crescimento de 5,5% do PIB paranaense em 97, mas crê numa retração no primeiro semestre. No Paraná, já dizia Munhoz da Rocha, as pesquisas nascem desatualizadas.- Se a taxa de desemprego está exagerada por deficiências metodológicas de apuração, também aquela badalação de que criamos 450 mil empregos é inaceitável. O Paraná seria um fenômeno mundial num momento de precarização do trabalho, capaz de levar os franceses, ora em barricadas, outra vez, a nos invejarem.- Controlar os exageros da sinistrose (o DIEESE é um cultor necessário dela, o que não é pecado num momento em que se estreitam as esperanças de quem trabalha e ainda por cima numa ordem confessional) e do triunfalismo oficial é uma necessidade.- O maior grupo empresarial do Paraná, a Inepar, o mais ajustado à globalização, tem mais ônus do que bônus por ter ligações com o governo estadual. Um das suas dificuldades é sediar no Paraná alguns dos seus empreendimentos, como se deu com o Iridium no Rio, outros em São Paulo e agora o da sua subsidiária Sade-Vigesa (mais CSN, Bradesco) que pode implicar em 350 empregos e investimento de R$ 350 milhões por culpa dos constrangimentos criados pelos situacionistas.-
FOLCLORE Habituado ao jogo de porrinha (palitos) na Boca Maldita, um dia o ex-presidente da OAB, Mansur Teophilo Mansur, saiu-se com esta: estou nesse vício desde quando o desembargador Westphalen era ainda juiz substituto.
CROMO Cantiga de ninar em tempo globalizado é na base do rock pauleira.
AFORÍSTICO Nessa negociata do Centro Cívico em torno de imóvel da Fundacentro, dizem, há mais alvaristas do que avalistas. Pior para Álvaro Dias que nada tem a ver com o episódio e que prejudicará a imagem de FHC em ano eleitoral.





