Luiz Geraldo Mazza
Pergunte-se a um desses estudantes ou mesmo deputados estaduais se são capazes de discorrer sobre privatização das universidades ou a respeito de neoliberalismo, enquanto gritam palavras-de-ordem ou fazem discursos que lembram o Cantinflas, e descobrir-se-á que são apenas vítimas de um processo de ideologização, como sempre inevitavelmente primário. Slogans tentam substituir o raciocínio com as pessoas induzidas ao maniqueísmo.
Políticos são corretores da esperança e como tal defensores do tudo para todos, que às vezes acaba em nada para niguém, simplesmente para manterem a pose do cidadão prestante, do socialmente engajado. Artífices da missão de fazer omelete sem quebrar ovos, algo próximo da prestidigitação, quando presas da teia ideológica e do radicalismo só trafegam pela via do obscurantismo, apesar de se acreditarem vetores da história.
REFLEXÃO AGUDA No ano passado, nossa melhor cuca, o mestre Belmiro Valverde, fez uma palestra em seminário do Ipardes em torno da reorganização estatal em cima de uma tese - a de como redimensionar o Estado pelo uso criativo da diversidade. A certa altura definiu com precisão a ausência de matizes nas discussões sobre o dimensionamento estatal com o espectro variando de dois pólos radicais: a ausência do Estado, delírio dos debilóides do neoliberalismo, oposta à onipresença, cujas experiências recentes à direita e à esquerda se mostraram escravistas e ineficientes.
O CONTRASTE Belmiro condena a nomenklatura, que se opõe de forma doentia a qualquer reforma e à diversidade, que crie entes novos na gestão pública e sob a forma de parcerias (dá o exemplo dos mutirões da casa própria aos quais poderia ajuntar algumas das experiências de assentamentos dos sem terra e, sobretudo, com ações comunitárias e outras como a do orçamento participativo). Além das reflexões de Belmiro, tivemos, nos últimos dias, a reprise de uma entrevista de Paulo Francis com John K. Galbraith, em que o liberal ianque moeu o jornalista hoje empolgado com o neoliberalismo, olhado como fatalidade inquestionada, e a entrevista de Celso Furtado na Veja enfocando a falta de respostas convincentes ao problema da exclusão e da miséria.
Essa é prova de que é possível o contraste e a crítica numa ordem que caminha para ser confessional, assemelhada a uma teocracia, com o mercado substituindo o bezerro de ouro do Velho Testamento como a expressão da providência. Essa falta ajuda a transformar slogan em sucedâneo do raciocínio, tal qual se deu com o marxismo de compota que circulava na esquerda substituindo uma doutrina refinada e complexa. E explica o berreiro da paranóia que ao invés de servir à causa que supostamente pretende defender apenas ajuda a confundir, a exacerbar, ao paroxismo. Ideologia, normalmente, é isso apenas: o preconceito erigido em sistema, a prisão do raciocínio à bitola estreita do fanatismo.
BIZARRICE Por falar em privatização, dois registros: o cemitério de Umbará, feito pela prefeitura e tocado por empreendedor particular, e o de Fazenda Riogrande, pertencente à família do ex-prefeito Cartário. Em Paranaguá, numa das gestões de Vicente Elias, o prefeito lembrou o coronel Odorico Paraguaçu ao criar um campo santo para o qual não havia mortos.
SPRAY Justiça do Trabalho deu ganho de causa a Requião na ação movida pelo seu motorista, Valdir Leal, o Tabaco, por entender que não havia vínculo e sim relação de governo. - Bento Chimelli, ao deixar a Prefeitura de Rio Branco do Sul, retirou as máquinas e equipamentos que lhe pertenciam e vinham servindo a municipalidade. - Amanhã, 19h30, Igreja do Cristo Rei, missa de 3º ano de morte do inesquecível Júlio Alípio Begheto, irmão jornalista. - Como a ação que correu contra Requião e determinou a sua cassação, tramita na justiça, ainda na primeira instância, a impugnação do mandato de Cássio Taniguchi. Como aquela em segredo de justiça. - Por falar em Taniguchi, ele botou em operação o seu plano de levar antipó a todas as localidades. Urge melhorar, isso sim, a qualidade e a durabilidade da emulsão. O Paraná domina, há tempo, a tecnologia do asfalto subdimensionado e que foi considerado modelar no governo Canet Júnior. Uma tecnologia alternativa e de custo baixo não deve ser desprezada. - Tenta-se colocar um biombo de normalidade na Polícia Militar, mas a posse do coronel Renildo Gonçalves no Comando de Policiamento da Capital e o deslocamento do coronel Sérgio Tippa para o Estado Maior dão alento às especulações de que o que aparenta ser permanente é provisório. Consequência ainda da sorvetada na testa do governo ao contaminar a PM com a pressão dos políticos no caso do afastamento do coronel Bortolini. - FOLCLORE Para a inflação mínima que tivemos, o aumento do IPTU em Curitiba em cerca de 40% acabou lembrando que a dama de ferro da Inglaterra, Margareth Tatcher, começou a cair do poder quando mexeu num tributo equivalente. Só que lá, na Inglaterra, há democracia de verdade e pressão da opinião pública, o que aqui não acontece. Opinião do jornalista Cândido Gomes Chagas, o homem da Paraná em Páginas que listou o Greca entre os piores do ano.





