Dentre as revelações do discurso eleitoral de Lerner de ontem, no encontro da ADVB, a mais relevante é a referente a como encontrou o Banestado com um comprometimento diário de R$ 700 milhões no interbancário como herança da gestão anterior. Assunto guardado a sete chaves, tanto que o Banco Central recebeu informe a respeito no início de 95, percebe-se que o governador só se refere a ele agora como uma espécie de revanche para a campanha deflagrada por Requião, de que o Paraná está quebrado.
Não será com notícias negativas que se curará a ferida ainda não cicatrizada - e nos próximos dias teremos matérias documentais na imprensa nacional dando sequência às pauladas anteriores - dos efeitos da novela dos empréstimos. E liberando apenas agora uma informação, que em nada favorece o Banestado como instituição permanente, o governador se mostra desorientado como a confirmar o que os adversários dizem sobre a saúde econômica e financeira do Paraná.
Ademais, a ofensiva da ‘‘flexibilização’’ das estatais, como a autorização da venda de 49% das ações da Sanepar, ajuda a consolidar o conceito negativo, tanto que o inefável deputado Rosinha está repetindo o refrão de que estamos quebrados. Enfim, o governo se descuidou de tal forma como se usasse gasolina para apagar um incêndio. Melhor isso do que uma guerra de babuínos, os símios que digladiam com as próprias fezes, mas o inusitado da situação justificaria funcionalmente o uso da imagem autodestrutiva.
Ironia das ironias é o fato de que um homem que deve a sua carreira e de forma especial ao ‘‘marketing’’ ter o seu calcanhar-de-Aquiles justamente na comunicação. Não sabe fazê-lo e a impressão que se tem é que o governo não passa de uma estrutura de departamentos estanques. Não se trata do sentido mais específico da comunicação, área entregue a Lechinski, que é leal e no momento passa a ser alvo de especulações de queda. Se tal acontecer, o mau caráter, por certo, não é ele.
BIZARRICE Na fala aos empresários (aliás, que coisa insuportável é a mesmice desses eventos, a pobreza de cenário, a servidão funcional), Lerner usou as expressões a ‘‘raiva’’ e a ‘‘saliva’’, a primeira para alcançar Requião e a segunda para os irmãos Dias. Um oposicionista sugeriu que era a ‘‘plasta’’ que se referia à ‘‘raiva’’ e à ‘‘saliva’’.
ZACARIAS A comemoração ontem dos 144 anos de emancipação política do Paraná levou muitos à reflexão de que a maior figura paranaense até hoje na cena brasileira foi justamente o primeiro presidente da província, Zacarias de Góes e Vasconcelos. Governador também de Piauí e Sergipe, ministro da Marinha e presidente do Conselho de Ministros, teve uma influência na vida nacional até hoje não superada por seus sucessores. Dos tempos recentes, os mais qualificados foram Munhoz da Rocha e Ney Braga, mas Lerner desfruta um posicionamento forte e que pode habilitá-lo a um desempenho incomum. Falta-lhe a cultura de Munhoz e o porte de estadista e a energia e senso de liderança de um Ney Braga.
Munhoz e Ney, aparentados, devolveram ao Paraná a presença ministerial, o que foi algo que quebrou a nossa acomodação.
REAÇÃO Como só houve pergunta pra levantar a bola de Lerner, nenhum empresário o inquiriu sobre o fato de as montadoras estarem contratando empresas de fora para obras civis e instalações das fábricas. A Renault havia contratado a OAS e houve chio do próprio governo, que conseguiu transferir o trabalho para um ‘‘pool’’ de organizações caturras. Agora tudo se repete com a Audi-Volks, que privilegiou organizações alemãs. Não há sentido numa coisa dessas, ainda mais quando tão grandes foram as concessões.
Um detalhe: nos institucionais que o governo lançou para marcar a chegada das montadoras havia a promessa de uma espécie de aproveitamento pleno dos espaços por empresas locais. Não é verdade. Tanto que uma francesa, Sodexo do Brasil, traz um complemento de cozinha industrial. É preciso monitorar tudo isso e apurar o lado bom e o negativo. Num dos anúncios aparecia uma dona de boteco, eufórica, dizendo que iria ampliar seu estabelecimento para restaurante. Muitas das expectativas criadas não vão ser atendidas. Essa é a verdade.
SPRAY Boa parte da claque do Clube Curitibano era de burocratas do governo e de oficiais PM.- Por que houve quem tivesse um ataque de riso ao saber a lista dos integrantes da comissão que vai investigar o caso do Hermas?- Ansiedade no Palácio Iguaçu quanto à notícia de que vem mais ataques cerrados da imprensa nacional sobre a situação do Paraná.- Governo surpreendeu com a autorização da venda de 49% das ações da Sanepar. Usou o silêncio para evitar a ideologização do tema. Não houve vazamento, não entrou pelo cano.- Empresas estrangeiras interessadas no negócio da água: Compagnie General D’eaux, Lionaise d’Eaux, Águas de Barcelona.- Sob o título ‘‘O rei está nu’’ uma nota dos diretórios regionais do PMDB e PSDB contesta o repúdio do PFL contra Requião e Osmar.-
FOLCLORE A rádio CBN foi investigar o caso da moça seduzida pelo padre em Cianorte e uma senhora da região disse que o religioso tinha sido vítima de assédio sexual, pois as mulheres, tanto solteiras como casadas, andam muito folgadas. Como se vê, as mudanças comportamentais mais confundem do que esclarecem.
CROMO O mundo virtual é esse que ‘‘cria’’ um peixe fosforescente e para maior realismo deixa cair na mão do observador uma escama translúcida.
AFORÍSTICO 20% dos brasileiros que moram nos grandes centros não sabem quem é o presidente da República, segundo o IBGE. Pior do que isso é o número daqueles que na zona urbana ou rural não sabem quem são e para onde vão.

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