Luiz Geraldo Mazza
Nem o melhor dos nossos partidos, o PT, escapa de uma fragilidade: a sua dependência de formas de parasitismo. Aqui no Paraná essa situação fica bem visível quando age a reboque da candidatura de Requião e no momento admite até a de Álvaro Dias por enxergar a obviedade de que a FHC a liderança que interessa é a de Jaime Lerner.
Em São Paulo bastou haver a ameaça do PSDB paulista de afastar-se do presidente (o que é feito em função da assistência prestada a Maluf e ao PPB, com a ajuda do Banco do Brasil e BNDES) e o Partido dos Trabalhadores buscou aprofundar o possível racha acenando com um apoio à reeleição de Covas e de Suplicy para o Senado, em chapa comum. É nessas circunstâncias em que o pragmatismo se impõe que se percebe a utilidade do contraste representado pela ação dos ortodoxos e xiitas que se recusam à abominável liturgia.
Um dos prejuízos do governo FHC é o parasitismo e justamente do seu principal aliado: lembra o das parasitas nas árvores que as envolvem e as acabam dominando, por vezes asfixiando, pois as decaracterizam inteiramente ao ponto e tornarem o acessório mais importante que o principal. O adernar à direita de um governo que tinha tudo para ser de centro-esquerda decorre dessa situação, aliás prevista como fatal pelo filósofo José Arthur Gianotti, que mostrava a inconveniência de a esquerda abandonar FHC e ele se referia à aliada.
Aqui no Paraná esse parasitismo está presente no caso da resistência a Lerner quando desejou ingressar no PSDB. Esse partido estivera na aliança que elegeu Lerner, aliás em consonância com um convívio já consolidado quando o atual governador apoiou o tucano Richa contra Requião, que se elegeu com a permanência de Álvaro Dias no Palácio, onde inclusive houve lances ligados à encenação do Ferreirinha. Lerner em sua mostra de fidelidade ao PSDB foi mais longe: mesmo sendo do PDT, que tinha candidato à presidência, Brizola, apoiou Fernando Henrique.
A resistência local, nutrida inteiramente de ressentimento, em função da derrota infringida aos alvaristas em Curitiba e Londrina não leva em conta quaisquer daqueles antecedentes, mas tão somente o desejo de retaliação ao qual se acoplou, com uma veemência incomum, Hélio Duque, que se saíra muito mal como candidato a senador e no seu inconformismo tentou e até obteve, na primeira instância, a inelegibilidade de Requião, revista na superior, como também ocorrera anteriormente com a cassação do mandato de governador.
Se o nosso melhor partido não foge à necessidade ou à sedução dessas formas de parasitismo, imagine-se os demais.
BIZARRICEA aviação brasileira, que agora faz uma ofensiva para baixar tarifas nos vôos domésticos, volta e meia dá os seus vexames. Felizmente menores do que o drama da TAM. Ontem o vôo 111 da Vasp (destino Curitiba-Londrina), que partiu da capital paulista ao meio-dia, uma hora e meia depois do horário estabelecido, surpreendeu os passageiros que lotavam o Boeing na chegada na capital: por um motivo qualquer, não claramente explicado, a bagagem de todos havia ficado na Paulicéia. É o Brasil descendo a ladeira. E como diz a anedota, quem gosta de moleza é bebum descendo a ladeira.
ESTRELISMONo Estrela-da-Manhã de hoje, em data apropriada (144 anos de autonomia da província), da ADVB vai dar para perceber uma coisa: o mesmo público, ou pelo menos a maioria dele, esteve em manifestações parecidas em favor de Requião, Richa, Álvaro Dias. Vale uma reflexão, ainda que seja mais do que justa a idéia do desagravo a Lerner e da confiança na virada que está empreendendo na economia paranaense.
SPRAYLerner ontem de novo em São Paulo no trabalho de remover os resíduos das matérias negativas na imprensa. É mais importante fazê-lo e ir ao interior do Estado do que andar pelo exterior, ainda que a próxima viagem para recuperar o tempo perdido no BIRD seja indispensável.- Hoje ele terá o calor da ADVB e mostrará com que trunfos conta para reeleger-se, reivindicação da maioria dos empresários, um dos quais a transformação da economia, para a qual, sejamos francos, a maioria não está preparada com seus hábitos provincianos e a forma de dirigir suas entidades de classe.- Álvaro Dias tenta voltar ao ninho antigo da frente das oposições e imagina fazê-lo, via PSDB, aproximando-se de PT e PMDB e mais os nanicos. Acredita que dá para conciliar com FHC e também o sim, o não e o talvez. Está por fora e acredita demais nos áulicos que sonham, de forma doentia, com a volta ao poder.- Outro complicador para a tal frente: e Requião como é que fica? Disputa em faixa própria, insiste na candidatura presidencial ou se conforma? - Trem da alegria na Câmara Municipal: 58 cargos, a maior parte de assistentes de informática. Papai Noel é de rosso.- Jornais e revistas de São Paulo também são vítimas do atraso de pagamentos e de faturas dos Jogos Mundiais da Natureza : uma parcela de quase R$ 5 milhões. É claro que uma coisa nada tem a ver com a outra, mas hoje deve sair paulada na imprensa (e merecida porque não punida) da Banestado Leasing.-
FOLCLOREGoverno Lerner, na base do silêncio, sem debate, propõe a venda de ações da Sanepar. Interessadas: duas empresas francesas, uma delas andou no noticiário policial, e uma espanhola acoplada a um grupo local. Objetivo: venda de até 49% das ações, pois há um plano de investimentos de R$ 1 bi e meio e inexiste grana. Como se vê, o Paraná não está pedindo água, como sugerem os oposicionistas. Está vendendo. Não é escândalo. É uma bolha dágua.





