Luiz Geraldo Mazza
Anteontem no JB havia a seguinte notícia: Covas faliu São Paulo. Pelo jeito é a resposta prévia do PPB de Maluf à choradeira do governador paulista, inconformado com o auxílio federal de R$ 70 milhões do BNDES e mais R$ 330 milhões do Banco do Brasil à gestão de Celso Pitta. Mas na Folha de S. Paulo vinha a chantagem armada: o PSDB, que se sente previamente derrotado nas eleições estaduais, justamente para o beneficiário dos empréstimos, Paulo Maluf, ameaça romper com FHC.
No meio da encrenca sobrou para o Paraná outra vez. Dias atrás Covas, que fez a rolagem da dívida de R$ 50 bilhões - o que é uma mega colher de chá aos desperdícios e prodigalidades -, censurou o fato de o Senado ter aprovado os empréstimos do Paraná, que perto da chicana paulista são insignificantes. O tucano José Aníbal foi outro inconformado: Estão prometendo uma dinheirama para o Lerner, que em três anos de administração no Paraná não cortou a folha de pagamentos, associou-se a montadoras privadas de automóveis e fez uma gestão sofrível. O Mário Covas demitiu 135 mil funcionários, enxugou a máquina, privatizou e está privatizando estatais e não consegue receber trocados para fazer investimentos. São dois pesos e duas medidas.
A choradeira de Covas se explica: além do nome que pode servir de trocadilho para a idéia de que operará como um túmulo, não necessariamente caiado, de São Paulo, anda a levar tundas em pesquisas de opinião para o Maluf e obviamente seus índices de credibilidade não podem ser confrontados com os de Lerner, aqui no Paraná. Não dá para comparar o estado de higidez da Cesp com a Copel ou do Banespa com o Banestado. A rolagem da dívida paranaense ficará em 5% do despendido com a paulista.
Há de alegar o governador paulista que quem fez as covas não foi ele, mas os antecessores Quércia e Fleury. Pois aqui, onde se diz que há prodigalidade, o peso maior da rolagem é também de dívidas de antecessores e adversários como Álvaro Dias e Requião e nem por isso Lerner se posta como um bebê-chorão, mesmo que isso ficasse um tanto quanto funcional para o seu tipo físico.
É divertido brigar com São Paulo. Já é um avanço porque antes a emulação era com Santa Catarina, na questão da refinaria de petróleo, do oleoduto, da briga da localização dos poços da Petrobrás no mar, nosso atraso em relação às ilhas de excelência universitária e até no futebol. Andamos há tempo irmanados com os catarinas (e esta Folha é um desses sinais, pois o Milanez e os Macarini são de lá), apesar da dupla Amin-Kleinubing, que se aliou aos senadores paranaenses, deixando exposto o ressentimento da derrota eleitoral naquela unidade federativa, para a qual Lerner contribuiu.
Somos de São Paulo um desdobramento econômico e político do qual nos orgulhamos. E a sua divisa conduzo, não sou conduzido parece nesse momento inspirar os nossos passos. Ou melhor, o nosso vôo, já que ampliamos, e de forma considerável, o nosso raio de autonomia. Amanhã comemoraremos 144 anos de emancipação política. Agora estamos iniciando, como aconselhava Munhoz da Rocha, a emancipação econômica - e isso gera desajustes e ansiedades.
BIZARRICE Nesta época do ano é comum brincar de amigo secreto. Segundo o Greca, os dois do Senado todos conhecem. Aliás, o argumento de Osmar e Requião é o de que ajudam o Paraná ao mostrar a realidade. Quem será nosso inimigo ostensivo? Provavelmente todos os paranaenses com sua compulsiva autofagia.
SPRAY Secretário de Estado - e há pelo menos dois - com causas contra o governo, além de antiético é prova também de autofagia.- Vejam no que dá a falta de um coordenador político: enquanto Cássio Taniguchi estava no governo, a questão dos empréstimos andava. Aliás, dos três ora em desova, todos foram feitos por Taniguchi.- Lerner insiste na ofensiva para esclarecer empresários da área de comunicação social em São Paulo sobre a versão oficial que rebate a da Veja. - Horácio Rodrigues, deputado estadual, disse que Covas reagiu como marido traído, em função das suas ameaças (esta não é a primeira) de rompimento com FHC. Estão se aproveitando da convalescença do Serjão.- Ney Braga entrou na briga: Como paranaense e ex-governador deste Estado, não posso calar-me diante de notícias que buscam prejudicar o Paraná e sua população trabalhadora e honrada. Tenho certeza de que não conseguirão porque o Paraná é bem conhecido pela grandeza de seu trabalho e pela competência dos seus governantes.- Na marca do pênalti, se depender de Lerner, o destino de Hermas Brandão. Decisão pode sair esta semana.- Há, para complicar, como sempre, ameaças de retaliação com denúncias e dossiês. Este governo, com os aliados que tem, dispensa inimigos.-
FOLCLOREO urbenauta Eduardo Fenianos cada dia provoca uma surpresa nas suas narrativas em torno do que seus olhos (de historiador, documentarista, mas também de poeta) descobrem em Curitiba. Anteontem ele viu um filhote de capivara numa área pantanosa do Rio Iguaçu, em Umbará. A descrição do feito ecológico mexeu com a cidade. Ontem ele disse que no mesmo bairro moradores costumavam ver a baitatá, que não é o boi-tatá do imaginário, o fogo fátuo provocado pela emissão de gás metano. A baitatá é feminina e quem é visto por ela vira mulher. Taí uma desculpa mítica para as pulsões de nosso tempo.
O psicanalista ou o confessor religioso ouvirá a incrível explicação.
CROMOPênsil no galho fino do arbusto, o minúsculo bico-de-lacre oscila como um menino na gangorra do playground: há uma aura de euforia e arrebatamento em torno do passarinho a lembrar pintura chinesa.





