Se em termos sociais, o Paraná ocupa o sexto lugar no ranking brasileiro, na parte econômica está levemente melhor situado: desde 1985 mantemos o quinto PIB do país. Como o Sudeste cresceu demais, a participação proporcional do Sul caiu de 17,69% em 85 para 17,34% em 90 e 15,72% em 96 no cruzamento de dados do IBGE e Fundação Getúlio Vargas. No Sul quem mais caiu foi o Rio Grande, ainda o quarto brasileiro, de 7,93% para 6,61%. O Paraná, que estava com 6,25% em 85, subiu para 6,31% em 90 (até o governo Álvaro Dias) e caiu para 5,95% em 96.
As perspectivas são boas comparativamente para o Paraná em função do novo ciclo da economia, com a sua transformação em segundo pólo automotivo do país, o que só dará registros na estatística dentro de dois ou três anos. O estudo da Confederação Nacional da Indústria, ontem publicado nos jornais, mostra a obviedade de que há maior concentração de renda regional, o que os áulicos do governo federal vinham negando e até fazendo afirmações enfáticas em sentido radicalmente contrário.
O Rio de Janeiro passou Minas (13,17% contra 13,12%) e isso antes de beneficiar-se das vantagens que advirão do novo surto industrial, inclusive da fábrica de caminhões da Volks em Rezende. Minas deslanchou com a Fiat. E são essas circunstâncias que podem favorecer o Paraná no conjunto brasileiro.
Lerner usou muito as estatísticas negativas, no plano social, para atacar os governos do PMDB. Pois agora está acumulando perdas no social e também no PIB, conquanto detenha condições excepcionais para reverter o processo.
BIZARRICEOntem Curitiba derrubou dois mitos: o de que é comportada com a vaia e as manifestações estudantis no Palácio Iguaçu e o de que aqui não havia clima de greves como no ABCD paulista com a parada inesperada da Volvo. Agora faltam duas coisas: o Rafael Greca encarnar um trágico do Shakespeare (Otelo ou Macbeth) diante do cavalo regorgitante da praça Garibaldi e o nosso carnaval dar certo com a escola de samba dos evangélicos.
SPRAYO novo secretário de Planejamento, Rafael Greca, mostrou que vai fazer um trabalho mais político do que técnico: deu como prioridade de sua ação uma ofensiva para liberar no Senado o ‘‘Paraná Doze Meses’’. Como Requião polariza de um lado, ele o faz de outro. - Os estilos do senador e ex-prefeito são bem parecidos em espirituosidade, verbalização e há todas as condições para um bom espetáculo de jogos florais, tudo na base da rima e ao fundo cítaras e alaúdes. - Se Greca leva alguma vantagem em cultura e erudição, Requião conta com o apoio senatorial que decorre da solidariedade ao cassado provisório. Enquanto isso aos prefeitos, inclusive aos do PMDB, não há outro caminho se não o de estimularem a remessa de mensagens contra o bloqueio aos recursos para os pequenos agricultores. - Greve na Volvo mostra que não existe região imunizada contra tensões sindicais e revela que Sérgio Butka, hoje no PT, pode ser o grande mobilizador dos metalúrgicos para a fase das três novas montadoras. - Arrecadação do ICMS no Paraná não está correspondendo a outros indicadores de sua economia, como a questão já referida do PIB: temos apenas 5,2% do total desse tributo no Brasil. Permanecemos em quinto, mas o Rio Grande do Sul está com 7,4%. - Iniciativa do prefeito de Roncador de adotar um sistema de eleição para o secretariado, desde que não caia na caricatura do democratismo, é positiva porque foge aos arquétipos dominantes e cria uma diversidade no quadro de predomínio feroz do institucional e do burocrático. - Surpresa de ontem com as manifestações no interior palaciano mostra que o governo é muito desatento, embora tenha gente demais com funções voltadas para serviços de informação e contra-informação. De repente chutam o trazeiro de uma autoridade e aí teremos o rigoroso inquérito para apurar responsabilidades. O pior do pontapé na sambiquira não é a dor, mas o caricatural. - Acrescente-se que Lerner saiu-se muito bem e com extremo ‘‘fair play’’ no contato direto com os estudantes. -
FOLCLORE 1A propósito dessa arenga dos estudantes em torno da paranóia das privatizações no ensino, o arquiteto Gilberto Coelho tem uma solução genial: ninguém paga matrícula, mas corpo docente e discente, mais funcionários, pagam (e bem) pelo estacionamento dos seus carros no ‘‘campus’’. Afinal, a verba tem que vir de algum lugar.
FOLCLORE 2Como estamos à espera de um choque entre Rafael Greca e Requião, dá para lembrar como foi o último: o ex-prefeito, parodiando Mao-Tsé-Tung, disse que o senador era um ‘‘tigre de papel’’ e este respondeu que o secretário de Planejamento era um ‘‘tigre de pelúcia’’.
FOLCLORE 3Outro dia um semanário publicou um artigo crítico dos tempos do ‘‘Correio de Notícias’’ de Fábio Campana contra Lerner. É que Fábio se aproximou do governo na eleição de Londrina e houve a cobrança. O jornalista Carlos (Caco) Lacerda também fez elogios a Aníbal Khury que o guru mandou colocar em destaque no seu gabinete. Como na sequência se desentendeu com Aníbal e este persistiu em manter o recorte de jornal, Caco respondeu: ‘‘Isso é que nem embalagem de remédio e que tem prazo de validade. Está vencido.’’ O ataque do Fábio também está vencido, valendo agora o elogio ou a crítica menos veemente.
CROMOSe a Luana da novela continuar cortando a cana com aquela fúria vai acabar mudando o perfil da frota automobilística do Brasil: teremos mais carros a álcool do que a gasolina.
AFORÍSTICOExercício de puro sofisma é o presidente FHC colocar a reeleição como a gazua das reformas institucionais.

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