Luiz Geraldo Mazza
Adverti, no devido tempo, que o aspecto mais deplorável dessa exposição dura a que foi submetido o Paraná no bloqueio aos empréstimos no Senado viria em conta-gotas e com efeitos negativos multiplicados. Tivemos, nestes últimos dias, além da manchete da Gazeta Mercantil, editoriais do Estadão e da Folha de S.Paulo e agora fomos brindados na Veja com matéria que repete uma acusação que até hoje o governo não soube responder - a de que o Paraná está quebrado, conforme não cansam de dizer Osmar Dias e Requião.
Acostumado a ser badalado na mídia nacional e principalmente na local, Lerner se mostra à beira da paranóia diante do assunto, para cujo andamento novelesco deu uma contribuição ímpar por falta de iniciativa política. Não soube fazer marcação por pressão, a despeito da ociosidade dos seus quadros de áulicos, e isso ficou nítido na facilidade com que os senadores tinham acesso a informes privilegiados, tanto no Banco Central quanto na Secretaria do Tesouro Nacional.
Honestamente qual a impressão que ficou? Justamente a de que a política e os interesses do Palácio Alvorada se sobrepuseram às razões técnicas. Pelo menos foi o que pareceu no teatro desgastante e é o que está sendo repetido nos jornais e revistas. Portanto, os efeitos colaterais são mais ruinosos ao governo do que faz supor uma pesquisa, encomendada pelo governo, que mostraria a queda de avaliação dos senadores resistentes junto à opinião pública.
O trauma da publicação na Veja bate os registros da TV Senado e dos jornais já referidos pela circulação excepcional da revista, lida no mínimo por mais de três pessoas cada uma, praticamente se nivelando à leitura conjunta dos jornais. Agora só falta o governo encomendar um documentário à Editora Abril para mostrar o contrário, o que ficará péssimo, tanto para ele quanto para a revista. É um caso de justiça poética: quem se nutriu da mídia é, agora, por ela maltratado.
AXIOMA Não há empresário inadimplente que não seja defensor de banco público, a UTI indispensável da sua incompetência e má intenção.
BIZARRICE No domingo pela manhã, Boca Maldita, alguns alvaristas mostravam a revista Veja e a matéria negativa sobre o Paraná, enquanto saboreiam a mentira da gestão financeira na propaganda eleitoral do governo dos ressentidos da derrota estadual e à Prefeitura de Londrina que oculta o fato de que fez nada menos do que três antecipações de receita orçamentária para pagar o 13º e com bancos privados. Lerner não atrasou salários e nem a gratificação natalina, não fez antecipação de receita e, ainda por cima, teve que rolar as centenas de milhões de dólares das gestões de Álvaro e Requião.
É o roto rindo do remendado.
SPRAY Desforço imediato. Assim é que o governo deve agir. Foi o que fez ontem ao mandar carta respondendo, ponto por ponto, a matéria da Veja. Como a carta é longa, dificilmente será divulgada, mas um princípio ético elementar a obrigaria a fazê-lo. - Nada justificava, porém, o estado de semi-paranóia que atingia o Palácio Iguaçu. Aliás na obra Os Irmãos Corsos, na qual um gozava a transa do outro ou a dor há mil quilômetros de distância, há algo que lembra palacianos com seu ardor governista. Sofrem mais do que o governador as desventuras políticas e, ainda por cima, o ônus da psicanálise. - A Associação dos Funcionários do Ipardes confirma as nossas denúncias do fim do convênio para a pesquisa de emprego e desemprego. Logo agora quando o Paraná anuncia R$ 14 bilhões de investimentos e sua messe de trabalhadores? Gol contra de novo. - Tecnocrata com sentimento nem em novela da Globo ou nas mexicanas: cometeram falhas na indicação dos locais, fizeram confusão nos vestibas e imperialmente se absolveram de qualquer erro. A Comissão de Vestibular é a culpada, mas nasce previamente absolvida de qualquer falha. É o Brasil que se diz democrático. - Não dá para aguentar nas praias o abuso dos filhinhos de papai tocando o som dos seus carros estacionados em altos decibéis, não deixando ninguém dormir. Na semana passada a polícia via bagunça e nada fazia lá em Caiobá, Guaratuba, Matinhos, Ipanema. Como sempre. Que tal montar a milícia dos inconformados para dar um peteleco nesse pessoal, já que a polícia parece arreglada com eles? - O Colégio Nossa Senhora Medianeira, já condenado na justiça a indenizar a família Tocafundo, tem tal horror de que se fale no assunto que está processando a jornalista Lara Sfair da Impressione Políticas de Comunicação por ter desenvolvido assessoria de imprensa e marketing na campanha em favor dos prejudicados. O colégio não quer assumir a responsabilidade pela operação desastrada do motorista que feriu Emerson. Antes desse caso já tinha havido um outro, fatal, no mesmo educandário. Jornalista não cria fatos, registra-os com maior ou menor talento. O fato é que tem que ser alvo do Judiciário.
FOLCLORE Com o texto, também exagerado, da revista Veja com o título O Estado-modelo foi à lona, houve quem se lembrasse de um outro, feito anos passados, na mesma publicação, de autoria de Hélio Teixeira, em que destacava um quase paraíso O Paraná está pronto. Aquela época pronto para decolagem, hoje pronto, como se estivesse de bolsos vazios. E como naquele tempo, o Paraná era do ranking, o sexto lugar, hoje o quinto. Embora oposição ache que esteja nos quintos dos infernos.
CROMO Pinga a gota calcárea, cinzel de artista no ventre da caverna, para traduzir-se em salões multifacetados de estalactites e estalagmites: seu respirar é secular e no ruído dos adornos se improvisa a marimba.
AFORÍSTICO E agora essa, hein: Tribunal de Contas e Assembléia querem moralizar-se. Não é coisa boa o que vem por aí.





