Adverti, no devido tempo, que o aspecto mais deplorável dessa exposição dura a que foi submetido o Paraná no bloqueio aos empréstimos no Senado viria em conta-gotas e com efeitos negativos multiplicados. Tivemos, nestes últimos dias, além da manchete da ‘‘Gazeta Mercantil’’, editoriais do ‘‘Estadão’’ e da ‘‘Folha de S.Paulo’’ e agora fomos brindados na ‘‘Veja’’ com matéria que repete uma acusação que até hoje o governo não soube responder - a de que o Paraná está quebrado, conforme não cansam de dizer Osmar Dias e Requião.
Acostumado a ser badalado na mídia nacional e principalmente na local, Lerner se mostra à beira da paranóia diante do assunto, para cujo andamento novelesco deu uma contribuição ímpar por falta de iniciativa política. Não soube fazer marcação por pressão, a despeito da ociosidade dos seus quadros de áulicos, e isso ficou nítido na facilidade com que os senadores tinham acesso a informes privilegiados, tanto no Banco Central quanto na Secretaria do Tesouro Nacional.
Honestamente qual a impressão que ficou? Justamente a de que a política e os interesses do Palácio Alvorada se sobrepuseram às razões técnicas. Pelo menos foi o que ‘‘pareceu’’ no teatro desgastante e é o que está sendo repetido nos jornais e revistas. Portanto, os efeitos colaterais são mais ruinosos ao governo do que faz supor uma pesquisa, encomendada pelo governo, que mostraria a queda de avaliação dos senadores resistentes junto à opinião pública.
O trauma da publicação na ‘‘Veja’’ bate os registros da TV Senado e dos jornais já referidos pela circulação excepcional da revista, lida no mínimo por mais de três pessoas cada uma, praticamente se nivelando à leitura conjunta dos jornais. Agora só falta o governo encomendar um documentário à Editora Abril para mostrar o contrário, o que ficará péssimo, tanto para ele quanto para a revista. É um caso de justiça poética: quem se nutriu da mídia é, agora, por ela maltratado.
AXIOMA Não há empresário inadimplente que não seja defensor de banco público, a UTI indispensável da sua incompetência e má intenção.
BIZARRICE No domingo pela manhã, Boca Maldita, alguns alvaristas mostravam a revista ‘‘Veja’’ e a matéria negativa sobre o Paraná, enquanto saboreiam a mentira da gestão financeira na propaganda eleitoral do governo dos ressentidos da derrota estadual e à Prefeitura de Londrina que oculta o fato de que fez nada menos do que três antecipações de receita orçamentária para pagar o 13º e com bancos privados. Lerner não atrasou salários e nem a gratificação natalina, não fez antecipação de receita e, ainda por cima, teve que rolar as centenas de milhões de dólares das gestões de Álvaro e Requião.
É o roto rindo do remendado.
SPRAY Desforço imediato. Assim é que o governo deve agir. Foi o que fez ontem ao mandar carta respondendo, ponto por ponto, a matéria da ‘‘Veja’’. Como a carta é longa, dificilmente será divulgada, mas um princípio ético elementar a obrigaria a fazê-lo. - Nada justificava, porém, o estado de semi-paranóia que atingia o Palácio Iguaçu. Aliás na obra ‘‘Os Irmãos Corsos’’, na qual um gozava a transa do outro ou a dor há mil quilômetros de distância, há algo que lembra palacianos com seu ardor governista. Sofrem mais do que o governador as desventuras políticas e, ainda por cima, o ônus da psicanálise. - A Associação dos Funcionários do Ipardes confirma as nossas denúncias do fim do convênio para a pesquisa de emprego e desemprego. Logo agora quando o Paraná anuncia R$ 14 bilhões de investimentos e sua messe de trabalhadores? Gol contra de novo. - Tecnocrata com sentimento nem em novela da Globo ou nas mexicanas: cometeram falhas na indicação dos locais, fizeram confusão nos vestibas e imperialmente se absolveram de qualquer erro. A Comissão de Vestibular é a culpada, mas nasce previamente absolvida de qualquer falha. É o Brasil que se diz democrático. - Não dá para aguentar nas praias o abuso dos filhinhos de papai tocando o som dos seus carros estacionados em altos decibéis, não deixando ninguém dormir. Na semana passada a polícia via bagunça e nada fazia lá em Caiobá, Guaratuba, Matinhos, Ipanema. Como sempre. Que tal montar a milícia dos inconformados para dar um peteleco nesse pessoal, já que a polícia parece arreglada com eles? - O Colégio Nossa Senhora Medianeira, já condenado na justiça a indenizar a família Tocafundo, tem tal horror de que se fale no assunto que está processando a jornalista Lara Sfair da Impressione Políticas de Comunicação por ter desenvolvido assessoria de imprensa e marketing na campanha em favor dos prejudicados. O colégio não quer assumir a responsabilidade pela operação desastrada do motorista que feriu Emerson. Antes desse caso já tinha havido um outro, fatal, no mesmo educandário. Jornalista não cria fatos, registra-os com maior ou menor talento. O fato é que tem que ser alvo do Judiciário.
FOLCLORE Com o texto, também exagerado, da revista ‘‘Veja’’ com o título ‘‘O Estado-modelo foi à lona’’, houve quem se lembrasse de um outro, feito anos passados, na mesma publicação, de autoria de Hélio Teixeira, em que destacava um quase paraíso ‘‘O Paraná está pronto’’. Aquela época pronto para decolagem, hoje ‘‘pronto’’, como se estivesse de bolsos vazios. E como naquele tempo, o Paraná era do ‘‘ranking’’, o sexto lugar, hoje o quinto. Embora oposição ache que esteja nos quintos dos infernos.
CROMO Pinga a gota calcárea, cinzel de artista no ventre da caverna, para traduzir-se em salões multifacetados de estalactites e estalagmites: seu respirar é secular e no ruído dos adornos se improvisa a marimba.
AFORÍSTICO E agora essa, hein: Tribunal de Contas e Assembléia querem moralizar-se. Não é coisa boa o que vem por aí.

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