Nem sempre o ‘boxeur’ que começa fulminante ganha a luta, mesmo quando dotado de capacidade de absorção dos golpes e jogo de pernas. Dava a impressão de que nessa luta de ‘catch’, que foi a disputa em torno dos empréstimos, ontem finalmente encerrada, havia dois gladiadores na arena romana e ninguém disposto a defender o governo. Tudo por culpa da falta de iniciativa política do governo, traduzida em ações coordenadas e inteligentes.
Quando Lerner decidiu ir para o PFL, depois que o PSDB lhe deu bola preta, motivado por ressentidos da última derrota eleitoral, a virada começou, ainda que lenta e gradual e por isso mesmo irritante. Muitas questões sociais, como as ligadas ao pequeno agricultor, à educação e ao saneamento, foram duramente prejudicadas por causa dessa demora.
Dava a impressão até que o governo se comprazia em expor os dois senadores a desgaste quando era o mais atingido no processo. Mas nem isso se pode imaginar no time do Palácio Iguaçu, embora seja justo destacar a persistência com que Gerson Guelmann monitorava tudo o que ocorria na CAE, mostrando o tratamento discriminatório em função das concessões feitas a estados em situação bem pior do que a nossa.
Os números da votação no Senado - 39 a 6, com 3 abstenções - dão bem a idéia de quanto estavam ilhados na Câmara Alta tanto Osmar Dias como Roberto Requião. Um massacre, lógico, porque é um caso raro, o de representantes de uma região se insurgirem contra as suas reivindicações. Assim, pois, essa pretensão de usar ‘‘austeridade’’ apenas contra o Paraná, como o ‘‘Estadão’’ ainda insistia no editorial de ontem, lido da tribuna por Osmar Dias, foi levada de roldão por sua inconsistência e irracionalidade. O mais grave é que o Mário Covas, condutor de um transatlântico que no rigor da contabilidade pública afundou com a sua rolagem de dívidas de R$ 50 bilhões e a tolerância aberta com a irregularidade dos precatórios, mostrava a sua estranheza diante da decisão da CAE, o que comprova a suspeita de que tanto ele quanto o secretário Emerson Kapaz insistem na nostalgia da 5ª Comarca de São Paulo, que acabou em 1853. Por sinal que dentro de seis dias o estaremos comemorando outra vez.
Na parte técnica e doutrinária um único destaque: Miguel Salomão, que em nenhum momento titubeou e jamais tentou fazer o papel de vedete como tantos outros que, por serem destituídos do senso do ridículo, lembram a formiga que estava no lombo do elefante e quando viu a poeira que o paquiderme provocava na estrada observou: ‘‘Veja só o estrago que estamos fazendo’’. Como não dá para imaginar um elefante nas costas de uma formiga fiquemos por aqui.
BIZARRICE Vejam o que dá a hierarquia dos poderes no Brasil surreal: é mais fácil ter acontecido alguma coisa ontem na Câmara Municipal de Faxinal do que algo de novo por aqui em relação ao caso Hermas Brandão. Dava-se como certo que a carta de renúncia do secretário sairia na quinta-feira. Era a melhor atitude, liberando o governador de um desconforto e assegurando-se ao acusado, na hipótese de comprovar sua honestidade, que foi o herói da novela.
SPRAY Dos seis votos peemedebistas na CAE, apenas o de Requião era contrário aos empréstimos. - Advogado de Requião, Mozarte de Quadros, vai processar Greca por declarações prestadas à Rádio CBN. - Decisão que obriga auditor do Tribunal de Contas a ser aprovado por concurso é de 1994 e portanto não atinge, como alguns entendiam, o Goyá Campos, uma das melhores figuras humanas da fauna político-administrativa. - Mas o TC e o governo não se emendam e já existe um plano para dar a sinecura para cinco protegidos. Ora, a lei! - Criados sete cargos de juiz substituto na Capital, dois de juiz de Direito em Paranaguá, um de juiz de Direito nas comarcas de Foz do Iguaçu, Assaí, Colorado, Dois Vizinhos, Nova Esperança, Palotina, Porecatu, Santo Antonio de Platina, São José dos Pinhais e Toledo. - Prefeito de Curitiba fez balanço positivo de sua gestão, mas ocultou o peso da herança em dívidas que o obrigou a partir para uma ARO (Antecipação de Receita Orçamentária) de R$ 50 milhões. Neste mês vencem prestações nos bancos Excel, Fibra e Rural, dia 29; 12 de janeiro tem outra do Banco Geral do Comércio e no dia 30 mais duas, uma do BNL e outra do Safra. - Vereador Gilson Marcondes, do PDT de Pato Branco, não é o único que defende a reeleição de Lerner. Os problemas vão aparecer no andamento da campanha. - Magistrados homenageiam neste sábado o desembargador Jorge Andriguetto, dando-lhe o nome do auditório da Colônia de Férias de Foz do Iguaçu. Andriguetto, falecido há quatro anos, se vivo estivesse, andaria tenso por não esconder as suas preferências pelo Palmeiras. - Na mesma semana em que o Paraná era apontado como o Estado que tinha o melhor atendimento à saúde veio uma notícia oposta: somos o 11º em desnutrição, com 38,9% de pacientes nessa situação. Façam o favor de não culpar Requião e Osmar por isso.
FOLCLORE Ivan Gonçalves Pereira, goleirão do Atlético, faz uma partida de futebol amador. De repente, uma falta a um metro da área e aparece um chutador do tipo do Nelinho do Cruzeiro. Na hora em que parte o chute, o Mesquita, que era ‘‘mui amigo’’ do goleiro, abaixa a cabeça e grita ‘‘Vai que é tua, Ivan!’ Chute ultrapassa a barreira e joga o Ivan pra dentro do gol com bola e tudo.
CROMO ‘‘El Ni¤o’’ mexe com a poesia: estamos quase no Natal e alguns ipês têm uma segunda florada toda em ouro, como se tocada pelo rei Midas.
AFORÍSTICO Tudo bem: já tomou posse. E quando começa a governar?

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