Luiz Geraldo Mazza
O governo Jaime Lerner pode até ser honesto, mas não parece. E essa é uma regra elementar como se afirmava historicamente da mulher de César que não só deveria ser honesta como parecer sê-lo (êta língua tortuosa!). Há pelo menos dois casos em que o governador poderia, pelo menos, expressar contrariedade à prática de irregularidades: o caso da Leasing é um deles e esse do secretário Hermas Brandão, outro.
No primeiro, Lerner encheu a bola do acusado, o que dá entender que é conivente, pois o promoveu e de uma área que move milhões do Erário, como esses até agora mal explicados Jogos Mundiais da Natureza, dos quais se pode dizer tudo menos que tenham sido claros, tanto que as estalagens de Foz do Iguaçu foram até chantageadas para trocar seus créditos por débitos fiscais, uma jogada digna de um espadachim em sutilezas, o Gionédis. No segundo, é refém da Assembléia que fará um julgamento corporativo do processo porque envolve muitos deputados e prefeitos e certamente será metabolizado.
Mas é preciso considerar ainda que o governador parece que governa, mas não governa: não conseguiu segurar o apetite daqueles que eram interessados na inspeção veicular até que a Justiça o obrigasse a tomar a atitude que pretendia de início; não tem determinação nas decisões, nem autoridade, é conduzido pelos acontecimentos por incapacidade de conduzí-los. Permite que a Secretaria de Segurança saia do seu rol de prerrogativas e hoje os delegados - nem todos, é verdade - ficam na dependência da cobertura legislativa. A queda do coronel Honório Bortolini é um episódio na fronteira da pusilanimidade.
Como pode liderar um estado como o Paraná uma pessoa sem punch, incapaz de enfrentar o bloqueio dos senadores com um mínimo de inteligência, que parece tomada por um tédio mortal da obrigação de governar, de assumir posição e de tomar iniciativas? Nunca, em toda a história do Paraná, se viu tamanho desperdício de popularidade, de potencial, esmaecido, é certo, pela anestesia dos áulicos que lhe descrevem diariamente um Nirvana colorido, enquanto lhe aplicam as massagens sistemáticas no Ego, a especialidade máxima da turma.
Na transição do ser e do parecer, a lembrança de que ninguém precisa ser autoritário, como Requião, para exercer autoridade e menos ainda para mostrar-se tolerante nada impõe que os gestos se aproximem da cumplicidade ou da omissão. Há psicólogos que negam a distância entre ser e parecer ao acatarem o pressuposto de que as pessoas (aí vem o conceito de persona centrado na máscara teatral) devem ser vistas pela ótica externa, a aparência.
TRUMBICADA Se a Prefeitura de Curitiba considera a publicização uma necessidade estratégica, deveria ter colocado, antes de tudo, o assunto em debate para torná-lo menos impregnados de dois modismos: o primarismo da modernidade, que tudo justificaria na onda neoliberalizante, oposto a outra selvageria, a dos patrimonialistas, tão primata quanto a primeira.
Um exemplo: temos uma entidades que funciona melhor do que antes, quando era serviço público tradicional, a ParanáCidade, dependência da Secretaria de Desenvolvimento e cuja adoção foi precedida de pregação doutrinária.
O Estado-mínimo é uma idiotice hedionda, mas o Estado onipotente e onipresente é outra. O Paraná tem 9 milhões de habitantes e cuja arrecadação não pode ser desviada em 80% para os 2% de servidores. Mesmo raciocínio se aplica à prefeitura da Capital: 2% dos um milhão e meio não podem ficar com 60% da renda tributária do conjunto. Elementar. Só que os defensores do Estado-Albergue, como a turma do PT, destituída de imaginação, não aceitam.
BIZARRICE Outro dia exerceram a censura numa publicação do Ipardes. Como houve denúncia, deu tempo de corrigir a mancada. Pois agora volta a instituição a censurar indicadores sobre desemprego, como havia feito no regime militar com o custo de vida. Só que essa calinada se deu em função de O Estado do Paraná ter mancheteado numa vista do poderoso Delfim Neto a Curitiba que o nosso custo de vida era o maior do Brasil, e o Badep, que publicava os índices, decidiu deixar de enunciá-los. Temperatura alta, quebra-se o termômetro.
SPRAY Federação dos bancários ao publicar nota oficial sobre o desempenho do Banestado, no intuito de mostrar que o problema maior não é o custo pessoal, dá números que a essa altura levam a maioria dos correntistas a desejar a privatização o mais rapidamente possível para salvar seus haveres. - Numa coisa os dirigentes sindicais têm razão: na massa de dispêndios foi incluída série de benefícios (auxílios creche, refeição, funeral) passíveis de deduções fiscais. Mas de um modo geral, quanto menos falar nos gráficos do Banestado melhor: os que são impelidos a formar sua clientela, em camisa de força, como a massa de funcionários. - Havia paranaenses no encontro popular contra o neoliberalismo, semana passada, em São Paulo e que defendeu Lulalá para presidente. Valério Arcari, do PSTU, quer o Stédile para vice. Merecem-se. - Hoje, 9 da matina, plenarinho da Assembléia, sindicatos filiados à CUT discutemAdin-Ação Direta de Inconstitucionalidade.
FOLCLORE Cada povo tem o Vicentinho e o Meneghelli que merecem: o daqui é o Sérgio Butka, líder metalúrgico, que fechou acordos de 4% junto ao Sindimetal e Sinfavea, mas que ameaça greve por causa dos 3% propostos pelo Sindimaq. Um por cento agora vale mil: isso é propaganda subliminar do Plano Real.
CROMO Ah a carência dessa infância que trocou gnomos e pó de pirlimpimpim pelas convulsões cinzas do computador e a destruição dos vídeogames.





