O senador Osmar Dias, ao alegar que só agora tem nas mãos material completo sobre a situação financeira do Paraná, mostra que a desídia é apenas do governo paranaense que tentou inutilmente expô-lo à execração pública na condição de responsável pela demora. Atribuir ao governo essa capacidade tortuosa de raciocínio, a de deixar empacados os empréstimos tão apenas para desgastar dois terços da bancada senatorial, é conceder-lhe sensibilidade quase comparável à de Maquiavel, para dizer o mínimo, quando nossos governantes estão mais próximos de Woody Alen, embora sem intenção, mas por puro acidente, ou de Jerry Lewis, pelas trapalhadas.
Houve incompetência, mas tudo isso será compensado se na última batalha, que pode ser hoje, o governo recuperar o tempo perdido por uma queima de etapas e liquidando a parada em tempo recorde. Será ótimo, se assim for, porque não se pode e nem se deve subestimar a capacidade desses gênios em complicar aquilo que é fácil e transformar em derrotas vitórias asseguradas.
Se partirem para a ousadia de insistir em inculpar os senadores, vão quebrar a cara porque já ficou demonstrado que na arte de espatifar sorvetes na testa há alguns que atingem a sublimidade, e estes são do time governista. Ninguém vai esquecer que dois senadores de oposição, cujo papel é o de obstruir mesmo (não esquecer que quando o PMDB chegou ao poder, o PDS ameaçou tirar o Porto de Paranaguá da órbita estadual e bloquear o PRAM na Sudesul por sua força no campo federal), imobilizaram o governo, levando-o à catatonia. A fragilidade chega a envergonhar e daqui para a frente só cabe ao governo recuperar o tempo perdido e evitar campanhas contra a obstrução que apenas recordarão o vexame.
BIZARRICE Quando o PDS tentou bloquear, no governo Richa, o andamento do PRAM, programa do Banco Mundial para atender municípíos, cujas prioridades eram ditadas de forma quase plebiscitária, o secretário que o implantara na gestão anterior, de Ney Braga, Lubomir Ficinski Dunin, agiu como aquele oficial inglês do filme ‘‘A Ponte do Rio Kwai’’, impedindo que aliados destruíssem a obra de interesse do Paraná, denunciando a manobra e ajudando a abortá-la.
PANO QUENTE Quantos dos deputados, além dos já citados, e também dos prefeitos, apareceriam numa investigação séria do caso Hermas Brandão? Como há mesmo gente da oposição referida nas especulações é de perceber-se que a pizza irá ao forno. O odor de orégano é perceptível.
Uma comissão especial onde deveria funcionar uma CPI, desde que o acusado não quis afastar-se para que os procedimentos fossem adotados, o que seria melhor para ele e para o governo, já é uma pasteurização extrema. Que apenas acentua o traço corporativo de um poder que a cada ato seu, como o das sessões extraordinárias de dezembro, e os 12 paus pra cada um, leva o público ao máximo ceticismo relativamente ao Legislativo.
SPRAY Revolta geral contra o mau estado da BR-277 entre Curitiba e as praias: buraqueira na pista de rolamento botou fora de combate dezenas de veículos com roda estourada. - Anotou-se que havia buracos com 40 centímetros de profundidade. Como a empreiteira C.R. Almeida vai ter seis meses para repará-la, é possível que não haja como melhorar as condições da rodovia na temporada de praia. - Revolta era tanta que usuários estavam pretendendo recorrer até a uma ação cautelar para que ficasse responsabilizado o consórcio previamente porque os ‘‘novos buracos’’ já são de sua delegação por contrato. - Governo estadual vai acabar amargando os efeitos negativos dessa situação e, na sequência, a bronca que se estabelecerá com a cobrança (aliás, necessária) do pedágio.- Já em outro trecho da BR-277, Medianeira, por ausência de acostamento, formam-se comboios de excursão, oriundos de Foz do Iguaçu, que têm provocado acidentes. - Para dificultar a ação do fisco federal, muitas dessas excursões têm o seu retorno na quarta-feira e sábado à noite. - Para tentar desobstruir a pista, veículos trafegam na contramão para postar-se num acostamento improvisado de terra e nesse momento aumenta o risco de acidentes. - Antes de haver a última denúncia contra Hermas Brandão já existia o registro de outra, específica sobre a readequação de estradas vicinais, enunciada por Osmar Dias. - Há coisas bem cabeludas como a história do Diário Oficial fajuto, grosseiramente feito na cidade de Maravilha, em Santa Catarina. - Tudo o que se travar agora na análise do assunto vai ter efeitos multiplicadores na campanha eleitoral.
FOLCLORE À véspera da reunião da CAE, os escritórios dos senadores Requião e Osmar Dias encaminharam documento da Secretaria do Tesouro Nacional dizendo que o Paraná não tem condições de assumir os empréstimos. Miguel Salomão, que é curtido nas exigências do Banco Central e nos formalismos burocráticos, deu uma resposta bem técnica ao assunto, mas deixou escapar um comentário, que melhor ficaria num papo entre Sócrates e os sofistas: ‘‘A lógica deles dá a entender que o telescópio é mais importante do que a Lua ou do que Marte’’.
CROMO Débora e Álvaro Dias, com os olhos brilhando no escuro do Teatro Guaíra, acompanham as danças da filha, menina-moça Carolina. No mesmo palco eu e minha mulher viajamos na coreografia da Fernanda, nossa neta bailarina.
AFORÍSTICO Se há um lugar em que seria impossível o ‘‘impeachment’’ de um governante, este é o Paraná. Imaginemos que um governante, na mesma situação de Collor, aprontasse. Haveria noticiário como aquele que possibilitou a ida às ruas dos ‘‘caras pintadas’’?

mockup