Luiz Geraldo Mazza
Pelo jeito o governo do Paraná tem o seu karma justamente no Banco Central. Não apenas no caso dos empréstimos bloqueados como agora nesse esforço para rolar a dívida estadual e sanear o Banestado. A autoconfiança do governo é quase sempre falsa no riso sem jeito do Lerner, nos atrapalhos verbais do Gionédis e, é claro, na coreografia dos trapalhões de um modo geral.
Por que os empréstimos estão sendo barrados? Em primeiro lugar pela notória incompetência política do governo e por sua desídia em matéria técnica, tantas foram as vezes que burocratas que controlam a moeda e o crédito mostraram que o Paraná era um notório inadimplente nas informações. Há uma nova atmosfera no Senado em função da exigência de austeridade, embora as concessões generosas feitas a estados em situação muito pior, como São Paulo que levou R$ 50 bilhões, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro. Só isso obrigaria o governo a abastecer o único senador que não empata, Andrade Vieira, para que expressasse as nossas razões e igualmente subsidiasse os demais.
Dá para prever que teremos novas dificuldades na terça-feira e que apenas acentuarão o vazio desse triunfalismo oficial quando se refere ao assunto como se tudo não passasse de favas contadas. Igualmente é de prever-se dificuldades na tese de manter o Banestado público. A ideologia, a doutrina dominante, na intimidade do Banco Central, é no sentido de que deva ser privatizado como vai acontecer com o Banespa, já se deu com o Banerj e ocorrerá com o de Minas Gerais. São Paulo tem a compensação da existência de outro estabelecimento, Nossa Caixa, fortíssimo como tudo daquela unidade federativa. Outros terão a compensação menor de montar agências de fomento.
A tese do governo de entregar o comando do banco a uma empresa privada, sócia que nele injetaria recursos, conquanto sustentando o controle acionário na base de 51% a 53%, dificilmente emplaca porque não temos prestígio político nem para sustentar a manutenção de empréstimos que conquistamos no exterior. Claro que os políticos se horrorizam com a perda do banco, base das suas aventuras pessoais e de protegidos, dos empréstimos a juros subsidiados, das contas acumuladas e que acabam na listagem dos créditos em liquidação jamais pagos. Veja-se a lista do Badep, e causa maior do seu afundamento, e ter-se-á a explicação. Inadimplentes acham uma normalidade transformá-los em UTI de empresas mal geridas.
O governo precisa avaliar seus erros políticos e evitar mais um vexame numa tese difícil como a de sustentar seu banco público, que apesar de tudo ainda é o mais ajustado dentre os estaduais.
BIZARRICE Miguel Gutierrez, Miguelito, conversa com um auditor da Receita Federal e pede-lhe que explique ao Alvino Cruz, o Esmaga, como regularizar a sua situação no fisco por causa das inúmeras cadernetas de poupança. Esmaga, desconfiado, se afasta gritando Miguelito quer me entregar para o Leão!
SPRAY Gerson Guelmann, do gabinete de Lerner, continua monitorando concessões da CAE e opostas à resistência aos interesses do Paraná. Na quinta ela aprovou parecer favorável ao Mato Grosso para operações de crédito externo com garantia da União, junto ao Bird, no valor de US$ 45 milhões para equilíbrio fiscal e financeiro.- Senador Júlio Campos, do PFL-MT, exigiu a comprovação do uso de 50% dos recursos obtidos com a privatização da CEMAT no pagamento da dívida. Lerner e mais outros governadores são contra essa obrigatoriedade de iniciativa do senador Kleinubing.- Comissão aprovou pareceres favoráveis a solicitações do Rio, de Minas e do município de São Paulo. Enfim, só os nossos é que não passam.- No workshop sobre grandes barragens feito pelo comitê paranaense da área buscou-se ajustar a avaliação do tema na perspectiva do novo modelo energético que agora contempla o envolvimento de empresas estrangeiras.- Uma das conquistas do Brasil ao longo da experiência, que se inicia com a aproveitamento de Paulo Afonso (e que decalcava técnicas da autarquia do Vale do Tenessee), foi a de reduzir os riscos de acidentes como o dos sismos, tal qual o havido nos anos 70 em Salto Capivara, no Paranapanema, e que provocou rachaduras em prédios da cidade paranaense de Primeiro de Maio.- Essa era uma das fantasias que se criava sobre Itaipu: o risco de desabamentos tectônicos e até a lenda da bomba hidráulica contra a Argentina e que alimentava militares e civis nacionalistas daquele país.- Cândido Chagas é implacável: conseguiu filme do ato da doação do bonde à cidade de Curitiba pela família Slaviero e tem agora fotos coloridas do estado de abandono do veículo.- Banestado vai ter que ser enxugado: com 10.600 funcionários, está com excesso de gordura, pois o BEMGE reduziu seu quadro a 6.500. A folha de pessoal come mais de 70% do custo operacional do banco quando a média nos privados é de, no máximo, 53%.- Governo acredita que o Banco Central dá logo a resposta.-
FOLCLORE É uma injustiça o que estão dizendo do Rafael Greca como interessado na implosão do secretário Hermas Brandão. A alegação de que o flagraram rindo não pode levar à presunção de que conspirasse. Afinal, ele vive sempre assim com esse ar permanente de euforia.
CROMO E que melancólicos esses manequins pobres e velhos que fazem se passar por Papai Noel à porta dessas lojas decadentes. Só falta a música do Exército da Salvação para completar o cenário, e aquele aviso Fazei a panela dos pobres ferver.
AFORÍSTICO Renato Aragão continua de olho nos feitos do governo paranaense: é a forma permanente de sentir-se, na aposentadoria, totalmente superado.





