Um dos nossos cacoetes é o de sustentar uma visão autárquica dos problemas regionais. Ela se repete na cultura com artistas consumidos apenas no mercado interno e que constituem a maioria na música, artes visuais, literatura e de certa forma em campos da indústria cultural. Repete-se com a política essa linha ritualística: faz-se jogo de cena para o público interno e num momento em que, e isso se dá especificamente no caso dos empréstimos brecados no Senado, a oposição se vale de um canal nacional, ainda que de audiência reduzida, para expor o Paraná como um estado quebrado por má gestão.
É claro que é mais fácil lidar com uma Assembléia Legislativa, cúmplice, por tradição, de todos os governos, e com meios de comunicação domesticados como os nossos de uma forma geral, do que saber brigar nacionalmente. Essa postura está nítida em várias coisas, inclusive na tentativa que Lerner fez junto à cúpula do PSDB e mais recente com a do PPB para resolver seus interesses e a sustentação das bases de sua aliança.
Jogar para o Brasil, como essa questão dos empréstimos o impõe, urge, além da competência de quadros que não temos, à exceção do Miguel Salomão, um sentido de articulação que não se limite a ter a garantia do rolo compressor da maioria e sim a capacidade de persuadir, de fazer crer os que ouvem e assistem que o Paraná tem todos os fundamentos a seu favor e que as restrições opostas por Osmar Dias e Requião são facilmente contestáveis.
O encontro de hoje, do fim da tarde, hora do ‘‘happy hour’’, que pode também se transformar em hora do horror, é mais um teste para ver se os secretários paranaenses perceberam que estão jogando num cenário nacional na defesa de interesses regionais e que se tornam tão mais relevantes, na medida em que os opositores têm conseguido transmitir uma imagem de nossa terra à boa parte da Câmara Alta e da sociedade brasileira de que somos pródigos e irresponsáveis.
É preciso ir a esse encontro com um preparo excepcional porque lá não basta se estar com a verdade, já que se torna imprescindível ter, além do argumento substancial, a ‘‘aparência’’ de que estamos sendo vítimas de sofismas e de ardís apropriados à manipulação política. Nessa prova não há nem segunda época e muito menos ‘‘recuperação’’.
BIZARRICE Um fato do passado se tornou folclórico quando o candidato a deputado estadual José Daru fez campanha em Mafra (SC), achando que era apenas extensão de Rio Negro. Pois agora o vice-prefeito de Paranaguá, José Bacca, está levando máquinas e antipó para cidades vizinhas como Antonina e também o Pontal do Paraná. Como dizem os parnanguaras da praça Fernando Amaro, para que ele se saia bem eleitoralmente é preciso que o ‘‘Bacca vá pro brejo’’.
IMPONDERÁVEL Segundo Collor, Requião é um ‘‘calo de sangue’’ porque dá trabalho e joga com o imponderável. ‘‘É o chamado ‘under-dog’. Está correndo por fora, e todo o mundo que está correndo por fora tem chance’’. Ponto de vista do ex-presidente Collor na ‘‘ISTOɒ’.
TRAPALHADAS Nesta quarta-feira, Giovani Gionédis vai ter que monitorar um evento menos complicado que os da CAE no Senado: assembléia dos bancários do Banestado, na qual o sindicato (que se queimou na parada por haver brigado pela aceitação da proposta da diretoria, mais tarde arquivada) vai defender a tese da greve ou de retomada de hostilidades que podem ser auto-destrutivas, como aquela em que aconselhava os clientes a ficarem de olho no abuso das tarifas. Se entregarem o serviço da Leasing e da Corretora, em cartazes e faixas na rua, o desgaste será terrível.
O fato é que não há condições para a greve. A maioria é consciente de que o banco está dependendo de ajuda do Banco Central para sanear-se e está mais perto do infra-vermelho do que do ultra-violeta. Percebeu também que a defesa da manutenção da defesa do banco público por deputados e políticos só pode manter os vícios que levaram a instituição ao quadro atual.
Não deixa de ser, no entanto, mais uma das trapalhadas (especialidade que alcança refinamento neste governo) da equipe que não se comunica e cujos ônus certamente recairão naquele que tem dificuldades para controlar o time, cada vez mais especializado nas artes de fazer gol contra.
FALSO 13º O direito de os taxistas cobrarem a bandeira 2, feito com a boa intenção de permitir adicional natalino aos ‘‘empregados’’, idéia que o Jorge Samek, vereador, defendeu com entusiasmo, não funciona, já que é impossível apurar se esse ganho extra drena para os beneficiários imaginados. A emenda é pior do que o soneto: os proprietários podem, agora, em função da liberalidade adotada, aumentar a seu gosto o custo das diárias por aluguel do carro que variam de R$ 30,00 a R$ 50,00, o que já é uma parada sem tamanho.
FOLCLORE Para compensar o caso das ‘‘diárias frias’’, já denunciado à Justiça e ligado ao governo passado, tenta-se agora, através de um dossiê, exibir o das notas frias da gestão atual. O governo apurou casos da Leasing e das guias falsas de ICMS bem como de importação de automóveis num mesmo esquema e que era bem mais complexo do que o das notas frias. Nem ‘‘El Ni¤o’’ aquece o meio ambiente com tantas artes em administrações de estilos tão diversos.
AFORÍSTICO De repente no incêndio do Louvre em Curitiba, descobre-se nos textos levantados sobre o prédio a falta que ainda nos faz o Aramis Millarch e que brigava como um gladiador pelas causas culturais. A música popular e o mundo do espetáculo perderam seu melhor documentarista, apaixonado e veemente.

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