Luiz Geraldo Mazza
Está havendo uma compreensão progressiva, por parte do governador, de uma das coisas mais óbvias: embora goste de parecer não político, recurso que aliás ajudou a derrubar que também rezava por esse catecismo, precisa amiudar seus contatos não apenas com o interior como ainda em Brasília.
Boa parte das dificuldades que o Paraná está enfrentando na questão dos empréstimos, bloqueados no Senado, se deve a esse descuido: precisava fazer rondas mais frequentes a Brasília, como de resto reconheceu necessários seus contatos com o interior, o que a eleição municipal já o indicara com uma clareza meridiana, daquelas de cegar. É verdade que havia poucos feitos para justificar presença no interior, o que é diferente com o andamento de obras. Mesmo assim, o contacto humano é regra básica para o político. Lerner, quando não estava no exterior, isolava-se no Palácio Iguaçu e o chio era geral com o seu triunvirato - Guelmann, Gionédis, Ribas Carli -, que montava o dique para conter a enchente reivindicatória de deputados, prefeitos, empresários.
Quem ensinou bem a arte de agradar enquanto esteve interinamente no Palácio foi o deputado Aníbal Khury: não dava nada a ninguém, mas recebia e ouvia a todos. Esse atendimento mínimo, regra elementar de cortesia, é suficiente as vezes para o reivindicante como o cliente que diante do médico, antes de tomar remédio, já se sente mais seguro e melhor. Até o Pedro Bó sabe que atenção e carinho fazem o outro sentir-se mais gente. É uma das vantagens do credo pentecostal sobre o catolicismo: a circunstância de uma pessoa do povo poder ministrar atos normalmente da hierarquia já o torna com identidade forte, mais integrado. Para um lúmpem, migrantes de um modo geral, é como uma catarse.
Além disso, há de insistir-se na necessidade de duas coisas neste governo: um filósofo e uma doutrina. É impossível lidar com o mundo dos valores, falar-se, por exemplo, tanto em ética, sem filosofia, sem epistemologia. E ao lado disso urge a doutrina. Juntam-se, então, como tenho dito, meta física à metafísica.
PNEUS Quem deve estar, a essas alturas, de pneu furado é o Francisco Simeão que é um interessado na compra de produto usado e reciclado do exterior e às voltas com uma disputa com o cartel da área. Acrescente-se ao cenário as duas fábricas anunciadas por Lerner em Londrina e Ponta Grossa.
BIZARRICE Bar da Pedra, avenida Rio de Janeiro, Londrina, ponto de encontro de corretores de terra, de café e aventureiros que alí preenchiam seu ócio. Era o ano de 1947. Pára à porta um jipe Land Rover e dele sai estranha figura carregando alguns pacotes. Senta-se numa das mesas, começa a beber e a fumar, sozinho. De repente, vai ao banheiro e assim que a porta se abre aparece com um embrulho na parte traseira do cinto e chutando, gritava: Vem atrás de mim, desgraçado. Passei a vida lhe perseguindo, agora você é que vem atrás de mim. Foi a festa no bar: o pacote de dinheiro se desfazia pelo chão, levando alegria para muitos dos frequentadores com aquele Papai Noel temporão.
JOGO DE CENA Uma das coisas que o político deve aprender é a de que está permanentemente em cena e que fazer teatro aí é uma redundância. No que diz respeito à cena, a situação tem sido derrotada, no caso dos empréstimos, em Brasília. A vitória por oito a seis na negativa à apresentação dos protocolos não elide essa realidade: atores situacionistas foram menos veementes e também menos convincentes (embora o desempenho incomum de Miguel Salomão), no que diz respeito específico à forma como o público os via no palco. Mesmo assim, foi menos desagradável do que a invasão da comitiva paranaense que Requião chamou de os sem-contrato. Se houvesse um Você Decide, os vencedores seriam os que não têm razão pela evidência do desempenho teatral. Aliás, de teatro o Lerner não gosta muito de falar, principalmente depois daquele ingênuo desempenho diante da polaquinha do vampiro Dalton Trevisan.
SINDICALISMO Com a precarização do trabalho, o poder sindical, especialmente dos empregados, está afetadíssimo. O que aconteceu com o sindicato dos bancários na luta para melhorar a situação dos banestadenses é típico: teve o ônus, por uma questão de realismo, de defender a proposta da diretoria patronal em assembléia e depois levou o chapéu com a intervenção do Gionédis, que muitos acreditam ter sido do Banco Central, que monitora o banco estadual há bastante tempo.
Um detalhe: a categoria dos bancários era, por sua composição numérica e cultural, uma das vanguardas dos trabalhadores e hoje sofre pelo avanço da tecnologia, informática, automação de um modo geral, moeda de plástico, caixa eletrônico, com o descarte humano. O pior: nada pode oferecer, além da luta pela manutenção do emprego e que não está fácil sustentar, ainda mais em bancos oficiais.
FOLCLORE Houve bronca, generalizada como sempre, contra os deputados estaduais e sua cupidez salarial de fim de ano com os R$ 12 mil de extra. Para um tempo de secura, de arrocho, recessão, soa meio sobre o deboche. Funcionários do legislativo, que também não se livram da dieta, tentam mostrar que Aníbal Khury (sempre ele, com algumas responsabilidades em torno do El Ni¤o) é tão somente um Papai Noel corporativo e com o físico mais apropriado.
CROMO Um escândalo: uma jovem capaz de ruborizar e com pudor. Outro: beijo sem língua e sem a operação roto-rooter.
AFORÍSTICO O saque dos deputados estaduais: propaganda subliminar de Fujimori.





