Luiz Geraldo Mazza
Vamos admitir que houve um pequeno avanço na questão dos empréstimos brecados no Senado com a remoção da exigência dos protocolos, obtida a duras penas por oito votos a seis. Todavia há lances a superar, tanto na reunião técnica de terça-feira, quanto na seguinte. A bisonhice na parte política, entregue a um jejuno na matéria, o secretário da Fazenda, bota em risco o processo e anula a ação desbravadora de Miguel Salomão. Não dá para subestimar o poder de fogo e a disposição dos senadores Requião e Osmar Dias, que sabem muito bem que o divisor de águas da sucessão será justamente o balanço em torno da mudança de economia paranaense e os US$ 12 bilhões de investimentos, seus méritos e falhas.
Até aqui a vitória política é da oposição por haver conseguido colocar em nível nacional suspeitas graves sobre as concessões ao capital estrangeiro, sem as devidas salvaguardas. O pior é que o documento esclarecedor, se há ou não deformações, é posto sob custódia e só na hora em que houver o confronto entre as negociações do Paraná e as dos demais estados é que saberemos tudo. Se ficar tudo em segredo, o prejudicado será o governo, uma vez que a suspeita permanecerá como um cadáver insepulto.
Na medida em que há ganhos, como esse da fábrica de pneus em Londrina, o que tira o caráter centralizador do processo industrial do eixo Curitiba-Ponta Grossa, a fatura é do situacionismo. É a malha produtiva aflorando e trazendo esperanças, talvez não nas escalas imaginadas, mas de qualquer forma dando respostas concretas ao maior problema brasileiro.
De outro lado, se Álvaro Dias for candidato a governador não poderá usar argumentos nessa direção porque estará entrando em conflito com Fernando Henrique Cardoso e a linha estratégica do seu governo, de atrair investimentos e tecnologia. Aliás, apressadamente, como é do seu feitio, Álvaro Dias, numa entrevista à rádio CBN, deu o tom apocalíptico sobre o destino das montadoras, ao afirmar que elas terão um excesso, lá pelos anos 2.020, de dezenas de milhões de unidades sem mercado.
Tudo vai depender ainda da conjuntura de 1998: se ficar como está (e temos aí os pátios lotados, a recessão impedindo compras, montadoras dando férias coletivas e metalúrgicas propondo redução de salário para evitar dispensas), há esperança para a oposição. Se houver sinal de revigoramento do mercado, o governador leva a melhor, abstraído o problema dos protocolos e o é dando que se recebe nele acusado.
Bobeira, nunca mais. Aplicação, concentração rigorosa. Esse é mínimo cuidado, depois de tanta trapalhada e incompetência acumuladas. O público em maioria é a favor do governo e da modernização, mas tem uma ponta de desconfiança.
BIZARRICE Um tamanduá bandeira, que estava hospedado no Zoológico, foi doado para a Áustria e quem o acompanha é o cônsul daquele país. Só falta, na hora da despedida, saudar os viajantes com aquele abraço. É que o tamanduá abraça mais do que jogador de futebol na hora do gol.
SPRAY Joni Varisco vai para o livro dos recordes: já tem 16 processos, entre cíveis e criminais, intentados pelo senador Requião. A cada vez que Varisco liga Requião à morte do Teixeirinha há processo. - Banestado vive um drama em consequência da falta de entrosamento: o veto de Gionédis ao acordo com os funcionários apenas acentuou que o banco está na pior. - Funcionários não têm força pra fazer greve obviamente e isso ficou demonstrado na ausência de pressão na reunião de ontem, que anulou o aumento concedido. - Governo não se comunica em vasos estanques, o que está visível, tanto aí como na rotina administrativa, especialmente nas mancadas dos empréstimos internacionais. - Essa fragilidade do trabalhador é geral: as metalúrgicas que exigem redução do salário e da jornada para evitar demissões é um exemplo dramático. - Bancário, ainda mais de banco estadual, está ferrado: além da privatização, que virá mais cedo ou mais tarde, e que implicará em enxugamento, o estabelecimento está com algo mais do que uma pedra no sapato com os casos da Leasing e da Corretora, que mostram a vulnerabilidade de organismos sujeitos à operação política de clientelas que gravitam em torno do governo. - Maurício Requião defende a manutenção de instituições como Senac, Senai, Senar. Afirmou-o num almoço com o presidente do Senac, Frederico Wittemburg, e o diretor regional Érico Mórbis. Se o irmão Roberto não sair candidato, sua reeleição fica sob risco. - Aliás, o destino de peemedebistas e até petistas está ligado a isso: a presença de Roberto Requião como puxador de votos. - Detalhe: Requião até hoje só foi candidato de oposição no instante em que o PMDB com Richa venceu.
FOLCLORE Manoel Garcia Cid, presidente do Banestado, disse que há muita gente preocupada com sua chatura. Mas o Giovani Gionédis, que é a sutileza em pessoa, parece voltado para a sua gastura. Aliás, gastura aplicável ao Neco, que é uma pessoa franca, deve ser a da aflição de estar num governo de tantas cabeçadas. Sobre o caso da Leasing, por exemplo, ele cumpriu o seu papel mandando apurar tudo. E que fez depois o governo? Quer romper o contrato que tinha com o detetive que descobriu essa truta e a do ICMS.
CROMO Olavo Bilac ouvia estrelas. O alpinista e artista plástico Ervin Goeger, que com 86 anos ainda sobe o Marumbi e trepa em árvores para colher orquídeas, diz apreciar o firmamento, alto da montanha, e ouvir o silêncio.
AFORÍSTICO Se o Rafael Greca (pois estava lá) fala na CAE, o Paraná avançava na questão dos empréstimos?





