Ontem falamos aqui da sociedade do espetáculo, termo grafado e celebrizado pelo gênio de Guy Debord, apontado como um renovador do marxismo, uma espécie de ala ‘‘pop’’, menos celebrizado do que Marcuse, mas olhado como de maior importância por gente séria. Na esteira pintou o Roger Gerard Schwatzenberg com ‘‘O Estado Espetáculo’’, interessante pela analogia com o palco.
Hoje teremos uma prova de como alguns agentes se aplicam nas artes de valer-se do espetáculo: na CAE do Senado, mais uma vez, deputados federais, alguns com o bom propósito de servir à causa, outros com a intenção de aparecer e faturar os bônus, tentarão pegar uma ‘‘carona’’ para mostrar serviço. Da outra feita alguns deles pareciam porta-vozes oficiais e causaram confusão, mostrando aquilo que está na cara - o governo Lerner não sabe comunicar-se e nem assumir, com autoridade, responsabilidades de comando nesses eventos.
Seria impensável que isso ocorresse num governo de Requião, Álvaro Dias ou mesmo Richa, o mais democrático e discreto de todos, ou no de um Ney Braga ou Canet Júnior. O fato é que Lerner não comanda, embora detenha todos os méritos pela arrancada atual da sua gestão (anéis de integração, reforma agrária, a premiação do Paraná Urbano e feitos daí decorrentes no plano social), a sua equipe, na qual há mais generais do que sargentos e entre aqueles, alguns que não mereciam a divisa de cabo, especialistas em bajulação.
Espera-se um mínimo de vexames em Brasília, nada de triunfalismos, contenção e seriedade, inclusive respeito aos adversários. Ocorre que empréstimos a outros Estados se encontram na pauta e é do interesse estratégico do País, ainda mais em função da convulsão das bolsas e da conjuntura atual, o ingresso de capitais externos. O recado deve ter chegado a todos.
Disposição de ajudar é meritória, mas vedetismos, convenhamos, ficam bem melhor com Virgínia Lane ou a atualíssima Gabriela Mercury.
Outra questão: a matéria não é simples como os triunfalistas estão sugerindo e há complicadores, uma vez que é necessário o exame de dois requerimentos: um derrubando as exigências de Requião (abrir protocolos, etc), outra o de incluir a reivindicação na pauta (carregadíssima) do dia. Pode dar xabu outra vez.
MACROCEFALIA Curitiba passa por um fenômeno de macrocefalia que não se reproduz com essa intensidade em outras cidades-pólo como Londrina, Maringá, Ponta Grossa, Foz do Iguaçu. Mas em todas há um problema comum: os cortiços, favelas, que absorvem migrantes e caldo de cultura, como sempre, do crime que busca essas áreas vulneráveis para agir. Na Grande Curitiba, um fenômeno: uma Londrina, de mais de 400 mil habitantes, surgiu em cinco anos em decorrência das migrações. Consequência: Colombo, um dos municípios que mais cresceu, foi obrigado, por uma cautela do delegado de polícia, a usar o toque de recolher nos botequins e bares do bairro Alto Maracanã, maior foco de criminalidade. Anos passados, o prefeito de Fazenda Rio Grande, outra área gigante, se viu na contingência de decretar a lei seca no município.
Isso tudo prova que não temos planejamento, visão prospectiva, política de usos de solo (5 mil famílias ocupam áreas de preservação permanente), o que reafirma a circunstância de que a COMEC e IPPUC operam com base cartográfica dos anos 80. Com a chegada dos novos investimentos industriais, mormente as montadoras, teremos o caos. Quem viver verá. E os que estão no governo nada enxergam a não ser os bônus do desenvolvimento, esquecendo os ônus.
BIZARRICE Osmar Baroni, contador e administrador, suscitou uma questão curiosa em relação à reforma da Previdência e que pode ser encaminhada a Reinhold Stephanes, que aliás pendurou as chuteiras com 40 anos e ganhando uma nota comprida, e aos parlamentares em geral: ‘‘Se Vossas Senhorias comprarem um veículo financiado e após faltar alguns meses para sua quitação e consequente retirada, a concessionária informar que deveriam pagar mais 2 ou 3 anos de prestações, como reagirão? O que querem fazer com os trabalhadores é roubo’’.
SPRAY Menores massacraram o dono de uma rede de sorveterias e presos foram processados com tutela judicial e o promotor se colocou contra. - Repete-se em todo Paraná, em nome da inimputabilidade de menores e de adolescentes que já aparecem em destaque em estatísticas criminais. É o discurso da impotência. Não há senso de medida. - Sobre gastos do governo com propaganda, recebo um documento do Tribunal de Contas (Inspetoria de Controle) em que se diz que com o dispêndio das diretas e indiretas (excluídos os das públicas e de economia mista) que diz que serviriam para construir 9.890 casas populares, 481,25 km de reabilitação de estradas, 7.350,41 km de adequação de estradas rurais. - Há também uma contestação de que se limitassem a R$ 84 milhões, pois não incluem gastos com gráficas. - Propaganda é investimento, desde que feita com mínimo de critério, o que não ocorre na área oficial, sabidamente tuteladora dos meios de comunicação, o que é ruim para ambos (eles e governo) pela acomodação. Prejuízo cívico, da cidadania, não dá para mensurar. - Diretora do Colégio Estadual fechou rádio interna porque alunos a criticaram.
FOLCLORE Como em cada quilômetro do anel rodoviário vai haver um telefone, suspeita-se que aí está o sinal da dobradinha Lerner (governo) e Álvaro (Senado).
CROMO E esse cristal que emergiu de sua flor é meu deleite.
AFORÍSTICO Se a inteligência fosse obrigatória teríamos poucos políticos e ainda menos se prevalecesse o mínimo de honestidade e caráter.

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