Luiz Geraldo Mazza
A principal questão a que o governo estadual deverá empenhar-se esta semana é a dos empréstimos internacionais brecados no Senado. Perdeu o direito de cometer mais burrices do que as já acumuladas no trato da questão. Tem que agir de forma concisa, enxuta e fulminante: um monitoramento dos votos da Comissão de Assuntos Econômicos é a providência preliminar. Espera-se que a despeito das trapalhadas que caracterizam as ações de Lerner e seus aliados, desta feita não haja coisas dignas de Pedro Bó.
Mas há sequelas de duas questões da semana passada: a intervenção racional para conter a demagogia com que se tratava o problema do Banestado, que não tem a menor condição de dar qualquer reajuste, por estar no vermelho e à espera de ajuda para saneá-lo. Ninguém se habilita a saneamento quando age como um pródigo, ainda que com a boa intenção de corrigir uma injustiça. Por sinal que há um novo modelo: o da federalização do Banespa, que precede o seu processo de privatização. O Paraná podia encaminhar aquela proposta de manter o Banestado público para ser o fundamento financeiro do Fundo de Pensão Estadual, com uma quarentena federal. A não ser que a sua situação, em termos proporcionais, seja pior do que a do Banespa, no que ninguém acredita.
A outra batalha, fruto da precipitação e açodamento, é a da inspeção veicular, derrubada na Justiça por iniciativa do deputado Romanelli. Lerner já teria pedido o cancelamento da licitação, mas não resistiu a prensa dos aliados interessados no negócio. Há gente babando à espera de outras privatizações, terceirizações e maracutaias e como são filhos diletos do grupo, acham-se no direito de pleitear prioridades.
Como se percebe, Lerner é refém de um esquema, onde o mais sensível é aquilo que dá grana. O que nele pega não é o inocente pico-pico ou carrapicho, aquele parasita vegetal que gruda na roupa: dá a impressão de que tentáculos com ventosas o amarram e quase estrangulam. Incrível é que quando fazem isso, parece aos agentes, que desfrutam das vantagens, como se vê no episódio Leasing, um mero ato de afetividade, de amor desinteressado e companheirismo.
DESMANCHE Essa história de guerra aos desmanches, apoio notório dos roubos de automóveis, onde gangues com vínculos políticos se enfrentam na disputa de espaços, lembra em muito a repressão para inglês ver contra o jogo do bicho: punham na cadeia cambistas e preservavam os chefes. Interesses aí são muito fortes.
A canoa de ontem tem um pouco disso. No célebre discurso do secretário, no dia do lançamento da Operação Natal, houve referência, entre as áreas vulneráveis da Segurança, o caso dos desmanches. Se a batalha for séria, o que poucos acreditam, pelo menos se desmancha má impressão antiga.
BIZARRICE Cândido Gomes Chagas foi o maior adversário da candidatura Salomão Soifer, considerado pela maioria a mais adequada para enfrentar o Atlético sob o domínio de Mário Celso Petraglia. Dramatizou e disse que retiraria o retrato do seu pai da galeria de ex-presidentes, se isso acontecesse. Décio Macedo ouvia atento a história e declarou: O Candinho é o Mafuz do Coritiba. Aí Carlos Nasser perguntou: E o Mafuz é o Candinho do Atlético?
Carlos Alberto Pessoa completou: Um e outro amam seus clubes, mas o amor obsessivo pode asfixiar como a mãe que abraça o filho além da conta.
SPRAY Metade dos candidatos aos concursos dos juizados especiais não compareceu aos exames de domingo na Católica. Como o resultado sai no Carnaval, quem passar faz o porre dobrado.- Um dos candidatos fez a denúncia de que a lista e respectivas fichas dos participantes foram repassadas a uma empresa privada especializada em cursos preparatórios. Nome da empresa: Diapar. Nome do denunciante: Marcelo Erzírio dos Santos, que promete levar o caso à presidência do TJ.- Hoje a Câmara Municipal presta homenagem às historiadoras Cecília Maria Westphalen e Altiva Pillatti Balhana. O reitor eleitor, Carlos Santos, o Motorzinho, ex-aluno e colega das homenageadas, vai estar presente.- Há coisas curiosas: numa quadra difícil, Estado quebrado, cada vez aparecem mais negócios. Agora há uma concorrência de R$ 75 milhões para imprimir selo com código de barras para que haja monitoramento no Detran por leitura ótica. Primeiro aquele estranhíssimo processo da vistoria eletrônica sem lei prévia, e agora essa. Pelo jeito, a área está prestigiadíssima.- Primeira quinzena de dezembro, PCB faz sua conferência municipal em Curitiba e nos 30 municípios em que tem comissões provisórias.- Em janeiro, faz em Campo Mourão, base de sua presidente em exercício Lenilda de Assis, a conferência estadual para indicar delegados à convenção nacional (fevereiro, Belô) e integrar-se ainda a frente de oposição a Lerner.- Aliás, o PSDB de Campo Mourão não aceitou o caciquismo do grupo alvarista e fez a sua convenção, o mesmo acontecendo em Apucarana.- Cartório de Protestos em União da Vitória sob intervenção desde o início, não sabe como atender empresários que tiveram seus haveres pagos e não repassados pela serventia judicial. Há situações de quase pânico.
FOLCLORE O Ministério Público está atrás do bonde que a família Slaviero doou à Prefeitura de Curitiba nove anos atrás. Esconde-se tanto o assunto como se fosse arma de guerra lá na fábrica da Fan, em Araucária. Cândido Chagas, que fez a denúncia, encampada pela Câmara Municipal, quando tentam esconder o assunto, dá risadinha e pergunta: No bondinho não vai nada?
CROMO Ouviu chilreio da cigarra, mas era apenas o seu ouvido de poeta.
AFORÍSTICO Quem nasceu de costas para a lua como o governo, pode ser trapalhão.





