Luiz Geraldo Mazza
Anos passados, quando a conjuntura não era tão dura, grafei o trocadilho sobre o melhor banco estadual do Brasil: Banestado, bom estado. Era justo e preciso àquela época. Hoje não cabe mais essa frase: a carteira mais forte do estabelecimento é a dos inadimplentes e irrecuperáveis. Os acontecimentos mais recentes o comprovam, especialmente o havido em dois setores: a Leasing, que é um dos episódios mais escabrosos, em termos de desídia, irresponsabilidade e fraude, e que alimenta o arsenal de Requião, e o da Corretora, que fez operações de alto risco com títulos estaduais.
O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, tornou pública a sua posição contra o reajuste oferecido pela diretoria do Banestado aos funcionários, em função daquele histórico cerco do complexo da Santa Cândida. Suspeita-se que essa mudança de postura veio de fora para dentro, pois ninguém ignora que há razoável tempo uma rotina do Banco Central faz monitoramento da casa. Aliás o secretário andou declarando, não faz muito tempo, que o Banestado teria fechado acordo com autoridades monetárias quando, todos se recordam, o governo federal teria mostrado que para o banco manter-se público (hipótese de ser a base do Fundo de Pensão dos funcionários estaduais, conforme a engenhosa proposta do Renato Folador) seria indispensável que a metade dos quase R$ 2 bi caberia ao Paraná, que, como todos sabem, não tem essa grana.
Agora é preciso que essa secura, que não reajusta os funcionários, tenha consequência: critério nos gastos, inclusive os de propaganda (sei que isso dói também para os jornais), apuração rigorosa dos absurdos da Leasing, apertar os parafusos em cima de clientelas políticas e empresariais, e agir com maior rigor contra inadimplentes que ainda têm o peito de combater a hipótese da privatização, esperando que tudo fique como está para o utilizarem como UTI de sua incompetência e prodigalidade.
80 NÃO 60? Há um rumor na praça que aquele golpe do ICMS não consistia em devolver 60% e sim 80% para os que dele participassem. Na polícia federal estão denunciados empresários paranaenses, apontados em carta pelo Ademar Costa, como manobreiros de tudo, não apenas da falsificação de guias de ICMS e do INSS, mas também de importação de veículos. O rolo cresce.
BIZARRICE Rafael Greca, fazendo graça com o encontro Requião-Quércia, chamou o senador de Roberto Requércia para depois corrigir. Quando Lerner fugia dos debates com Requião, a oposição o chamava de Fujaime, e quando se referia à ligação com Brizola, o nominava de Brizolerner.
GREVE Se os funcionários do Banestado partirem para greve em função do recuo, uma fonte do governo olha isso até com otimismo: será um meio de dimensionar o número exato de trabalhadores porque há demais. Terror puro.
Semana que vem o Conselho do Banestado, presidido por Gionédis, examina a proposta do recuo, que deve ser aprovada porque não há bala na agulha. Acabou.
Essas notícias têm um efeito psicossocial terrível: clientes obrigatórios, como funcionários públicos e clientelas do governo, se mostram preocupados com o problema e o destino de suas aplicações.
A autoridade estadual se obriga a deixar as coisas bem claras ao tomar medida tão radical quanto a de anular o ajuste prometido e tranquilizar especialmente seus correntistas. O problema extrapola a questão política e sindical para manter a imagem do estabelecimento e evitar que sofra mais agravos do que os decorrentes da Leasing.
SPRAY O recordista como vítima de assaltos em Curitiba é Matias de Oliveira e que relatou, sexta-feira na rádio CBN, as 25 ocorrências, entre assaltos e arrombamentos sofridos em dez anos.- O secretário de Segurança ouviu o relato e pediu a um delegado que providenciasse a checagem do assunto.- A polícia está às tontas para encarar o atual surto de violência da cidade.- Há ONGs dispostas a promover uma greve geral de todos os setores de risco para alerta geral como se fez no Rio e em São Paulo: transportadores, bancários, vigias, trabalhadores noturnos de um modo geral. Não é fácil fazer, mas há gente muito determinada em provocar algo parecido para que o governo saia do marasmo.- O que não pode é um órgão do Executivo ser dominado pelo Legislativo.- A substituição do Papai Noel pelo Menino Jesus na decoração natalina do HSBC Bamerindus deu margem a polêmica. O fato é que Papai Noel tem a sua versão cristianizada em Santa Claus, e que o próprio nascimento de Jesus é produto de um aproveitamento de manifestação pagã: a festa mitraica do nascimento do sol ou natalis invictis solis. Tanto que houve setores da Igreja que condenaram o tratamento do Menino Jesus como um pequeno faraó.- O importante é que Curitiba mantenha o brilho natalino, única das suas promoções merecedoras de figurar num calendário nacional de turismo.-
FOLCLORE Piada da Boca Maldita sobre as constantes batidas de cabeça, como se diz no futebol das zagas atarantadas, da equipe do governo Lerner: vai faltar sorvete na cidade com tanta gente espatifando-os na testa ao mesmo tempo. Cândido Gomes Chagas, o Inspetor Javert de Lerner e Rischbieter, dá, ao fundo, a risadinha sinistra.
CROMO Sonhar brincando de fantasia// Sonhar tornando a realidade// Sonhos sonhados com a magia.// Poesia do meu neto Diego, de 11 anos. Pensei que estaria mais para Diego Maradona e pelo jeito será mais Diego Rivera.





