Não é preciso ser profeta para imaginar um novo ataque dos trapalhões do governo Lerner. A mais recente se deu ontem: o juiz da 3ª Vara da Fazenda Pública acatou liminar determinando a suspensão da concorrência sobre vistoria eletrônica ou ‘‘inspeção veicular’’, por ausência de lei autorizatória. O artista que comandou a operação, dizem, embora pareça chocante, é advogado.
Há uma luta surda por trás dos bastidores em cima desse cartório e os que perderam a concorrência - fajuta porque sem provisão legal, conforme se depreende da decisão do magistrado Kuster Pupi - estão assanhadíssimos e, a essas horas, festejando a decisão que lhes abre nova esperança. Padrinhos da Assembléia Legislativa não são poucos, embora em menor número do que os do governo. Quem melou tudo isso foi um deputado: o Luis Cláudio Romanelli.
Corre a informação de que quando Lerner retornou de sua mais recente viagem à Europa foi convencido de que era preciso cancelar a licitação. Sofreu pressões tremendas e recuou. Aliás, o que deixa muito mal o nosso governador, apesar dos seus índices de credibilidade que deveriam animá-lo, é a sua falta de senso de determinação e um mínimo de autoridade, visível no dia-a-dia nas suas relações com o Poder Legislativo, especialmente Aníbal Khury, e também nos choques de grupos e interesses internos.
Um governo que ouve o Chalaça e o Bobo da Corte com a mesma e suposta seriedade que concede aos que efetivamente dominam os assuntos, e que não são muitos, tende a perder-se. É por isso que sofre para enfrentar pessoas com uma certa disposição para a luta, como os senadores Requião e Osmar Dias. Se for derrotado, o que é muito difícil porque a oposição é pior ainda, deve creditar o feito, como tenho dito, aos seus aliados. Uma comédia pastelão com alguns desses personagens faria renascer em Curitiba um Mack Sennet.
BAIXADA A Grande Curitiba cada vez mais se parece com a Baixada Fluminense por seus índices assustadores de violência. Assaltos a ônibus metropolitanos (obra clara de pés de chinelo) e até com mortes, como se deu dias atrás, provam que o governo perde essa batalha porque concedeu poderes demais ao Legislativo na estruturação da Secretaria de Segurança. A regra de que essas pessoas têm o ‘‘corpo fechado’’, na base da proteção política, explica o afrouxamento. Um dos espetáculos mais deploráveis foi a saída do coronel Bertolini do Comando de Policiamento do Interior com o qual o então comandante-geral, coronel Maingué, homem digno e que não se prestava a concessões baixas, se solidarizou e se afastou por não concordar com o absurdo.
Tenho insistido - e já fiz isso até em palestras para oficiais da PM - que há regras deontológicas e operacionais irrenunciáveis e que não podem ficar ao sabor das conveniências partidárias. Já a Polícia Civil é mais permeável, por tradição, a essa acomodação e que, a despeito do seu alto grau de corporativismo, transa mais fácil com os apadrinhamentos.
BIZARRICE Anedota frequente na praça, voltada para caricaturar regionalismos (ora o cara é de Campinas, de Curitiba, de Pelotas), virou moda: um sujeito vai ao Rio procurar um amigo de infância que era o rei dos machos da turma. Chega no prédio e pergunta na recepção se alí mora o Pascoal e relata que batia em todo o mundo, uma espécie de John Waine. O porteiro adverte que existe alguém com esse nome, mas que não corresponde ao perfil. O amigo toma o elevador e toca a campainha e aparece a figura enorme, voz dura, mas em trajes femininos. Decepcionado, o companheiro de infância pergunta o que houve e o cidadão se queixa da mídia. ‘‘A mídia é tirânica’’, e conduz o visitante até a janela para ver do alto os ‘‘out-doors’’ anunciando: De Paschoal, De Paschoal. Jogando os cabelos pra trás, sentencia: ‘‘Dá pra suportar essa pressão?’
SPRAY Acordos com a Renault (parcial) e Detroit agora são divulgados em xerox para dar tom mais misterioso. Saíram ontem no ‘‘Impacto’’.- Batalha de xerox é também a de Requião, encaminhando cópias da ata da sessão em que seu pedido na CAE deu origem ao bloqueio aos empréstimos. Cobra a fidelidade do PFL aos votos, relacionando os seus integrantes que votaram.- O governo melhorou de posição, mas vai enfrentar resistência. Política é remédio para política, tal qual no princípio da homeopatia similia similibus curantur.- Torniquete funcionou no concurso para juiz substituto: apenas 16 candidatos sobraram depois das ‘‘peneiradas’’ para as provas orais a 1º de dezembro, no salão nobre do TJ.- Amanhã, Campus 1 da PUC, 6 mil candidatos disputam 40 vagas nos concursos para Oficial de Justiça e Auxiliar de Cartório dos Juizados Especiais. Um drama brasileiro: muita gente com 3º grau disputando as vagas para ganhar R$ 800,00 na inicial da carreira.- Parecer da Comissão Especial de Desembargadores que examina a absorção do Tribunal de Alçada pelo de Justiça tem restrições sérias à proposta.- PSDB vai ter dificuldades nas eleições de alguns diretórios como os de Campo Mourão e Apucarana. A notícia de que o ex-prefeito desta cidade, Valter Pegorer, teria que devolver grana ao governo está inserida nesse contexto belicoso.- Vitória da oposição na OAB, sub-seção de Curitiba, fortalece Mansur Teophilo Mansur, que foi o único ex-presidente a colocar-se contra a situação. - FOLCLORE Na rua se discutia uma coincidência: a de que o Instituto Jaime Lerner, a Renault e o porto seco da Cidade Industrial de Curitiba se situam no mesmo prédio na Mateus Leme. Coincidência é também o cunhado estar no Tribunal de Contas, a filha coordenando os Jogos da Natureza, o genro tocando uma das agências mais solicitadas pelo poder público. Só os maliciosos é que descobrem más intenções naquilo que corresponde à natureza comportamental brasileira.

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