Luiz Geraldo Mazza
Os trapalhões da televisão eram quatro: com a morte do Mussum e do Zacarias, o conjunto se desequilibrou e vive do passado, do tempo, enfim, em que todos estavam vivos. Mas na política do Paraná aparecem a cada dia, ainda que às vezes escorados em boas intenções, novos e talentosos trapalhões como vem revelando essa comédia de erros, e tendendo para o pastelão, da novela irritante dos empréstimos externos brecados no Senado.
Lerner foi até lá e reuniu a cúpula do PFL, deputados federais e senadores, o todo poderoso Antonio Carlos Magalhães, ameaçou-se (segundo se disse, o que hoje parece não confiável) obstruir até as reformas - a que estava em trâmite era a administrativa em segundo turno aprovada com folga - para que se colocasse na ordem do dia da Comissão de Assuntos Econômicos da Câmara Alta a reivindicação paranaense. Pelas notícias oficiais (e aqui a maioria esmagadora o é) tudo estava certo, não havia possibilidade de falha. Só que a matéria não entrou em debate e nem estava pautada, como se pôde observar.
Requião e Osmar Dias comemoraram e com justa razão porque se o esquema desse certo, como o Paulo Cordeiro contava para quem quisesse ouvir, em seus relatos a jornalistas, como se estivesse investido na condição de porta-voz das causas paranaenses, eles seriam apontados como as figuras negras da história. Aquele papo de que José Serra teria sido convencido por FHC a botar a matéria na pauta da sessão de ontem era, portanto, mais expressão de um desejo do que a realidade. Resultado: o assunto fica para as calendas.
Mas quem pensa que diante da frustração as trapalhadas pararam se engana: bola-se agora a tática de inverter as coisas e sair do plenário com número de assinaturas suficientes para que a matéria seja tratada como urgência urgentíssima, tentando-se passar como rolo compressor sobre a CAE. Burrada, desrespeito à liturgia regimental, vale dizer às regras do jogo. Dá a todos a impressão de que o temor a Requião é mais do que reverencial.
A TV Globo deveria olhar com mais atenção para o que fazem os políticos do Paraná e acharia certamente muito mais do que uma quadra de trapalhões. Ou melhor, habilitaria vários deles a um teste na especialidade em meio a um domingão do Faustão. Devidamente anunciado, derrubaria o Ibope do Gugu.
Felizmente, da mesma forma que a invasão de Brasília pelos sem contrato foi compensada, a tática se modificou e decidiu-se pelo caminho legal: o de votar a matéria no dia 27 na CAE, como exige o figurino, depois de assegurada a garantia de que além dos votos pefelistas os dos peemedebistas de FHC irão permitir a tramitação pacífica no plenário sem forçar a barra. Respiremos aliviados, mas atentos porque os trapalhões reaparecem quando menos se espera.
PROSPECÇÃO O mitológico Montenegro, do Ibope, fez análise recente sobre os cenários da política brasileira em 2.002: considerando que o maniqueísmo ideológico, aquele divisor falso, estará superado até lá, afirma que poucos estarão habilitados a papel de liderança entre os quais inclui Luís Eduardo Magalhães, Tasso Jereissati, Tarso Genro e Jaime Lerner.
Peemedebistas da terra estão irritados com a previsão. Alguns tão furiosos acabam se afogando na própria baba.
BIZARRICE Ontem, Parque do Barigui, contrastava com o agito dos advogados em duríssima eleição e os praticantes de cooper de rotina uma queima de revistas Play-Boy numa das churrasqueiras. Como tem gente que gosta, alguns guardas florestais e curiosos salvaram alguns exemplares.
Um deles comentou é como se queimassem a Joana, outra vez. Um crime!
SPRAY Na abertura da operação Natal, visivelmente indignado, o secretário Cândido Martins de Oliveira citava o mandamento bíblico não roubarás cobrando da minoria de policiais postura mais digna. - Corrupto malandro não enrubesce e ao contrário ainda bate palmas entusiasmadas. Havia, no entanto, quem acreditasse que vem novidade por aí para puncionar os furúnculos da área. Desmanches de carros, por exemplo. - Voltou a repressão ao trotoir malicioso dos homossexuais e com ela a discussão da criação de um local para essas atividades. Detalhe: o lugar indicado anteriormente fica bem pertinho do Estação Plaza Show. É mole? - Curitiba cogitada para sede do festival de futebol de Campo Grande não colou porque a Federação está numa pior. É o que dizem, pelo menos, por aí. De qualquer forma não seria uma boa. - Anteontem, na Visconde de Nacar, sindicalistas telefônicos, diante da Telepar, faziam manifestação contra Álvaro Dias, chamando-o de mentiroso por atribuir-se feitos da equipe que agora persegue e demite. Álvaro não é culpado. É o sistema que está operando na rota da desestatização e do enxugamento. Enfim os servidores estão irritados com ele como os do quadro geral diante de Lerner. - Dirigentes da Associação Comercial do Paraná embarcaram na sinistrose ao fazerem uma análise das duas semanas do pacotão, vendo o apocalipse: queda de 21% nas vendas. Na planilha aparece a floricultura com uma queda de 41%. Será que desejariam o mesmo nível do Dia de Finados? - Outra coisa: o pacote está só agora sendo devidamente desembrulhado e houve pequena alta de juros que pode ser uma sinalização positiva. O pacote nem é panacéia, como sugere o governo, e muito menos a tragédia, como indica a oposição.
FOLCLORE Com a retomada das campanhas contra os gays (os enrustidos não correm riscos) fala-se, outra vez, grosseiramente, em bichódromo. O incrível é que as pessoas que propõem isso acham ridículo o prefeito de Bocaiúva do Sul e não se flagram como primários também.
CROMO E essas unhas sanguíneas no teclado do piano: bailarinas numa pista de alabastro de acessório se fazem o principal, ignorando e anulando a música.
AFORÍSTICO Se o Paraná cair na CAE, o que faltará para cair?





