Funcionários do Banestado, ao cercarem ontem o complexo de Santa Cândida em movimento massivo, deram uma demonstração de vitalidade há muito tempo não percebida em nosso laborismo, a despeito da pretensão e arrogância dos líderes das chamadas centrais que sugerem um ativismo incompatível com as condições objetivas de uma quadra recessiva. O banco está no ‘‘vermelho’’ e sem condições de obter os quase R$ 2 bilhões que pretendia para sanear-se e seus lucros em balanços, como sempre acontece, são mais gráficos do que reais, quando se tem como dependência mais afortunada a carteira de inadimplentes.
Mas os funcionários, embora cometam aquele erro primário de pensar e agir como se o estabelecimento fosse deles (bobeira ideológica apropriada ao desvirtuado patrimonialismo brasileiro como se dá na Petrobrás e outras mega-estatais) e não da sociedade (funcionários estaduais capitalizam mais do que os bancários, isso sem falar na clientela pública de um modo geral e os que gravitam a seu redor como empreiteiros, prestadores de serviços), não têm culpa das barbáries cometidas em empréstimos de riscos e em patologias como as que premiaram o seu executivo da Leasing e que ainda ajudou a tirar para os Jogos Mundiais da Natureza mais dois milhões de reais sem qualquer garantia.
O banco não tem como dar o reajuste porque é monitorado hoje rotineiramente pelo Banco Central. Os bancários pretendiam que os ganhos dos particulares lhes fossem estendidos. Isso é impossível. Pressionando - e desta vez com garra incomum reunindo mais de 500 bancários - acabaram tirando a diretoria da sua postura irremovível, obrigando-a a fazer nova proposta: abono de 40% de um salário em janeiro, 20% de abono em maio e 5% de reajuste em julho. Por ora, os banestadenses ganham dois carnês de vale refeição, melhor do que nada.
Numa coisa eles têm razão: o banco é mais diplomático para metabolizar seus prejuízos com empresários picaretas e aventureiros, ajudados pelos políticos (esses mesmos que têm medo da privatização porque querem continuar usando tais préstimos), rápido em assimilar fraudes como as da Leasing e as temerárias operações com títulos estaduais, e lento para ouvir empregados que afinal desejam migalhas no banquete de abusos feito com o dinheiro público.
LUZ Enfim, num momento de quase desesperança, uma luz no fim do túnel: o Acácio, o bandido da Luz Vermelha, está de volta a Curitiba para cuidar da cuca instável. Aumenta pouco a densidade de perturbados por metro quadrado.
No hospital psiquiátrico uma vantagem: está longe da pior das loucuras, a mídia e o seu assédio neurotizante e psicótico. Pior que eletro-choque.
AÇÃO FIRME Já estava se tornando insuportável o imobilismo do governo estadual relativamente ao bloqueio dos empréstimos do Paraná. Ontem, em Brasília, ao obter junto às bancadas do Senado e Câmara o fechamento da questão em torno do Paraná, notoriamente discriminado na CAE (embora a resistência de Osmar Dias seja mais ‘‘técnica’’ por exigir respeito a normas do Banco Central), Lerner teve uma vitória política que prova, uma vez mais, que atitudes valem, em certas ocasiões, mais do que obras.
Quando Álvaro Dias resistiu ao cartel das barrageiras em Segredo, a atitude política lhe deu mais ‘‘aura’’ do que a obra, a despeito de ciclópica. É o que acontece agora depois de tantas trapalhadas (a invasão de Brasília, a desídia na resposta ao Banco Central), apesar ainda da interpretação do senador José Serra (aquele mesmo responsável pela espoliação do Paraná na falta de tributação da energia consumida, jogada provinciana e protecionista em favor de São Paulo) que acha que o pacote restringe esses empréstimos. A oposição, sem inspiração como sempre, aposta no engessamento da economia paranaense para depois atribuí-lo a Lerner, coisa dos primatas do ‘‘quanto pior, melhor’’.
BIZARRICE O prefeito de Bocaiúva ganha ao mesmo tempo o top de marketing e também o top-top. A novela continua, já que o promotor pede a revogação de um decreto que juridicamente é um ‘‘ato inexistente’’. Ontem não podia atender ninguém, à tarde, assediado pela ‘‘Veja’’. Vai acabar fazendo mais pela urbe do que se entoasse proclamações municipalistas, discurso insuportável. Agora o problema é evitar o contrabando de anticoncepcionais e camisinhas. O Ipiranga Pitiguari, encarnado por Paulo Betti em ‘‘A Indomada’’, perde longe do Berti.
Curitiba gastou proporcionalmente muito mais para a mentira massiva dos seus espetáculos que detonaram o seu caixa e com menos resultados. Top top.
SPRAY Eleição da OAB, equilibradíssima (a oposição agiu melhor no interior), vai ser decidida na boca-de-urna. - Não faltaram as bombas de última hora como pesquisas-Mandrake. - Cardeais das duas chapas praticamente abandonaram suas atividades para a cantada telefônica de praxe. Alguns chios por falhas da Telepar debitados a Álvaro Dias, o que não é justo. - Reclamo crescente: voto facultativo é mais democrático e as restrições a advogados novos para que não possam ser conselheiros conflita com a falta de ‘‘quarentena’’ para juízes e promotores aposentados no exercício da profissão.
FOLCLORE Só falta a oposição à OAB botar um decalque da chapa no jacaré do Parque Barigui para a gente ouvir o protesto ecológico do situacionismo. Imaginaram a chatice de um e outro discurso?
CROMODo firmamento o que se pode dizer é que neste caso o ‘‘lay-out’’ se ajusta à arte final: o cintilar das estrelas é a sua lenta respiração.
AFORÍSTICOImaginaram a que idéias recorrerão outros prefeitos para tentar um retorno como o de Bocaiúva do Sul? O happening está aberto.

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