Luiz Geraldo Mazza
Da ida de Lerner à Capital Federal pode-se, a essa altura, fazer o balanço de perdas e ganhos: o contato com ACM sobre os empréstimos foi válido, mas pode continuar esbarrando na resistência dos senadores paranaenses, se o governo insistir em não atender aos pedidos de informação do Banco Central, e o cerco ao Maluf pareceu inócuo, tanto que Álvaro Dias dá como favas contadas em seu favor a aproximação com o PPB, afinadíssimo com o ex-governador por sua falta de qualquer conteúdo e extremado fisiologismo.
Se essa missão a Brasília não teve o desfecho melancólico da outra, aquela invasão de empresários que Requião chamou de os sem-contrato, pelo fato de haver perspectivas de lubrificar as engrenagens do Senado e Banco Central, a tentativa de seduzir Maluf é cercada de um ridículo que nem merece comentário. Apenas conseguiu ampliar o suposto poder de fogo de um partido vazio e mostrar que as trapalhadas do governo às vezes começam pelo regente, embora o staff seja mais aprimorado nesse particular, pós-graduado na especialidade.
Acordos anteriores ao pacote restritivo permanecem válidos, razão pela qual é interesse do País e das unidades federativas que sejam acionados até para permitir o ingresso de recursos externos, o que se dá com os três programas do Paraná. Se prevalecer o sentido pragmático, tanto da CAE como do plenário do Senado, nas rolagens de dívidas e empréstimos, haverá sinal verde, até porque estados como o Rio Grande do Sul, que teve comprometimento do orçamento em mais de 85% com a folha de pessoal, foram atendidos. Não haverá como justificar a persistência de uma discriminação.
Não dá, no entanto, para subestimar a densidade do bloqueio que Requião e Osmar Dias farão acoplados aos senadores que tiveram algum benefício político diante da CPI dos Precatórios como Espiridião Amin, Suplicy e Kleinubing. A resistência de Osmar se funda num dado técnico - o de que o governo estadual não dá respostas satisfatórias aos pedidos de informação do Banco Central.
REALISMO Eleições no Diretório Metropolitano do PMDB funcionaram como uma espécie de segundo turno da escolha das direções e composição das zonais: os mais realistas foram convencidos de que o partido sem Roberto Requião não existe e como a eleição de Maurício, o irmão, se fazia indispensável, mudaram de postura. Um dos que comandou a virada foi o Romanelli, alvo permanente das troças do senador e que integrava o grupo que derrotou os Requião.
O PMDB não sabe raciocinar fora do poder, é frágil na oposição, tanto aqui quanto em termos nacionais. Sua perspectiva regional se esgota no potencial de Roberto Requião. E disso também depende o irmão Maurício para reeleger-se, o que não será fácil. Da mesma forma para o Luis Cláudio Romanelli. Este se elegeu com a Casa da Família e agora depende da causa de uma família.
BIZARRICE Com o retorno de Miguel Salomão, espera-se finalmente interpretação qualificada sobre os efeitos internos do pacote pelo secretariado. Os que até agora falaram ficam para segunda época. Têm chance de fazer cursinho, é claro, com a volta do Salomão.
SPRAY Como Salomão Soiffer não aceitou a presidência do Coritiba, costura-se o nome de Eli Tomaz de Aquino, que não tem arestas no colégio de líderes.- Tudo aconselhava prudência e especialmente o retorno de Sérgio Prosdócimo.- Aos poucos, eleições de clubes e de universidades, bem como da OAB, mostram-se mais vivas e interessantes do que a do campo dos políticos profissionais.- As grevilhas do Banestado, por agência como a coordenada ontem para o Centro Cívico, tentam demover a direção do estabelecimento da idéia do reajuste zero, imposta pelas circunstâncias.- Greves bancárias hoje são um fracasso certo em função da precarização do emprego (automação, concentração, moeda de plástico, caixas automáticos) e se tornam mais difíceis em estruturas públicas sujeitas à privatização. Com o pacote, o saneamento pretendido está prejudicado e isso estreita a perspectiva de manutenção do banco público.- Até aqui surpreendente o movimento do Estação Plaza Show: a média ideal de frequência, conforme a modulação dos espaços, seria de 20 mil pessoas por dia em carga máxima. Chegou já, como na sexta-feira passada, a superar a casa dos 30 mil.- Um dos aspectos negativos tem sido a destruição das fantasias daqueles que fazem performances nas várias instalações em contacto direto com o público. Coisa de vândalo.- A euforia maior é dos artistas paranaenses, que estavam marginalizados e que tiveram oportunidade de trabalho, como o caso do grupo circense Queirolo e também de atores, músicos e animadores de teatro de marionetes.- O problema mais sério ainda é o da circulação nas imediações do centro de lazer e que é próximo de dois corredores de transportes - o dos biarticulados, eixo norte-sul, e os do Boqueirão.- A existência de mais de 60% de inadimplência na OAB Paraná mostra o desconhecimento que a cúpula tem da realidade do quadro associativo. Sua relação com o corpo social é tão distante quanto a de um castelo feudal com seus vassalos: o elevador da seccional lembra ponte levadiça.-
FOLCLORE Piada maldosa na praça sugere que o povo deve comprar ações da nossa imprensa porque ela brevemente será privatizada. A piada veio do Palácio do Governo, mau pagador, mas bom de anedota, mormente as de fundo moralista.
CROMO No delírio alucinatório há estética dosada de horror: a borboleta gigante, multicor, com sangue na boca, olhos de fogo, transfigura a realidade do alcoólatra e o ajusta a um afresco de morte e sonambulismo.
AFORÍSTICO Maratonistas vencedores são do Paraná e usaram a camisa de outros estados que os patrocinaram. Gol contra não é novidade.





