Por mais incrível que pareça, não se ajusta à Ordem dos Advogados do Brasil essa imagem, auto-sustentada e tida como axiomática, de que é uma expressão permanente da luta pelo Estado de Direito Democrático. Ao contrário, o regramento imposto às suas eleições, que liturgicamente deveria expressar esse zelo, revela que é menos cautelosa com a democracia do que os diretórios estudantis, que ao menos permitem ao colégio eleitoral ‘‘furar’’ e ‘‘compor’’ chapas sem a obrigatoriedade da camisa de força de sufragá-las integralmente.
Além de impor a aceitação das chapas, para as quais o corpo eleitoral nem de forma indireta participa, uma vez que os arranjos são de cúpula, há ainda uma imposição, altamente discutível, quanto à obrigatoriedade do voto, submetida, como no caso das eleições gerais, mas com rigor agudíssimo, ainda a sanções pesadíssimas aos faltosos aplicadas com entendimento sumário.
Esse constrangimento nega, na essência, qualquer perspectiva de democracia moderna e mal se aproxima dos avanços obtidos com a Carta de 1988, que já em seu artigo 1º admitiu a utopia do seu exercício direto, conquanto a matéria não tenha sido regulada. Ora, se é possível compor com a ‘‘representativa’’ a democracia ‘‘direta’’ - o sonho da retomada da ágora dos gregos - é incrível que em tal ordem de valores não haja a correlata regra do voto facultativo.
Em tal circunstância, a Ordem está mais próxima, etimológica e semanticamente, das ordenações religiosas como a franciscana ou das manoelinas e filipinas, como corpo normativo, do que das instituições abertas e em processo mutante, conforme os ganhos da visão democrática. É claro que se poderá argumentar que todo sistema democrático implica em respeito às ‘‘regras do jogo’’. Todavia essa autolimitação, na medida em que a sociedade evolui e incorpora valores de maior liberdade, tende a ganhar novas fronteiras, como se vê na prática, hoje de consenso, da ‘‘participação’’ e até do radicalismo cívico.
É uma provocação didática à reflexão, à qual se podem acrescentar outros fatos como a própria escassez da representatividade da mulher nas nossas instituições de exercício profissional ou de caráter cultural de certa forma não correspondente ao nosso estágio civilizatório, e ao empenho também de firmar, cada vez mais, o sentido da diversidade para que a unidade do processo seja mais dinâmica e transformadora. Ademais, mesmo que a mulher não tivesse numericamente uma expressão proporcional, a sua inserção estaria mais em acordo com as chamadas razões evolucionais, as do vir-a-ser.
A boa OAB não é esta. Como se costuma dizer, e isso é um lugar comum, é preciso refletir no salto da OAB que temos para a que queremos, inserindo nos seus fundamentos tanto o direito de exercer a montagem das chapas como o de furá-las e de enriquecê-las, bem como o da facultatividade do voto.
SOLAPAMENTO Um fenômeno de solapamento geológico, parecido com o ocorrido em Guaratuba na ‘‘vila’’, até hoje não curado, conquanto exista tecnologia para enfrentá-lo, ameaça a rua da Praia, em Paranaguá, cartão postal da cidade. Uma parte apreciável da pista de rolamento ficou abaulada e está interditada ao tráfego, provavelmente por força do movimento das marés no rio Itiberê.
BIZARRICE Há histórias de Don Juan incríveis, como a de um político que marcou encontro na praia e, valendo-se da entressafra e ausência de banhistas, foi ocultar-se num recanto e protegeu o seu corpo com um jornal. O calor era forte e isso o levou a tirar a camisa e depois, em repouso, a deitar-se sobre o periódico. Desatento, foi para casa e ao mudar a roupa diante da esposa, dizendo que estava cansado do trabalho, só percebeu a mancada quando a mulher deu o grito ao ver a primeira página do jornal de maior circulação impressa nas suas costas, como se fosse uma tatuagem. No caso, um ato de tatu.
Essa é tão flagrante quanto a do baton na cueca.
SPRAY Um dos maiores vexames do governo estadual é o da chantagem contra os hoteleiros de Foz do Iguaçu. A alegada dívida de um milhão não existe e, ao contrário, está ‘‘sub-judice’’ com vitória para os empresários em primeira instância. - Os hoteleiros, irritados com a prensa e deselegância, podem surpreender o governo com denúncias de abusos nas hospedagens, com parentes compondo as comitivas de políticos a pretextos dos Jogos da Natureza. - Mais um detalhe com relação ao assunto: muitos desses contribuintes estariam, por causa da ação, depositando em juízo o imposto devido. - Parece incrível que os ganhos promocionais, a esperança alavancada com o projeto da Costa Oeste, estejam ‘‘minados’’ pela incontinência verbal. - Há excesso de advogados no governo, mas mesmo assim a administração continua contratando empresas especializadas, como se dá com a Codapar e tantas outras. - Eleição de Carlos Antunes para reitor da Federal pode implicar em mudanças sérias. E há pelo menos um preceptor importante, o filósofo Emmanuel Appel, habilitado a dar o testemunho indispensável desse campo do conhecimento, básico para responder aos desafios da Universidade. Ela é também uma questão de epistemologia e não apenas de política, fator dominante na mobilização.
FOLCLORE O governador tentou impor a dona Emília Belinati que se mantivesse como candidata a vice e não ao Senado e ela retrucou. Agora conseguiu ter a bronca do Aníbal Khury somada à do casal Belinati. Se Lerner continuar unindo aliados contra ele, acaba dispensando oposição, que é realmente fraca.
AFORÍSTICO ‘‘Voltar atrás nunca mais’’ já foi slogan do PMDB. Romanelli prova que isso só valeu para 1985, ao fugir da aliança com Pedro Longo.

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