Pelo que vem acontecendo nos bastidores, a campanha eleitoral de 1998 será, em síntese, uma cloaca. Afora denúncias sérias de uma figura contra a outra, haja dois ou três candidatos ao governo, o que é legítimo e necessário para que amanhã não se alegue o desconhecimento de aleijões, teremos baixaria da pesada, o que obrigará a Justiça a agir com sensores de sintonia fina para impedir a total degradação do espetáculo.
É verdade que os Estados Unidos, apontados como espécie de paradigma da democracia, também oferecem situações asquerosas como essa da Paula Corbin Jones que acusa o presidente Clinton de assédio sexual. Urge criar uma espécie de lagoa de oxidação, como se faz com o esgoto sanitário, para que esse tipo de material, que deve ficar em deposição de fundo, não venha à tona porque se agrada um certo público e especialmente uma linha de agentes profissionais, especialistas do submundo, tolda o pleito e impede que aquilo que realmente interessa, como a habilitação dos candidatos e respectivos programas, fique prejudicado diante da curiosidade pela exposição de patologias.
Cartas anônimas, dossiês, vídeos com gravações sórdidas, clima de chantagem, enfim um cenário que apenas fortalece a convicção de que o vale tudo pode constituir-se na linha das eleições. Como há notória falta de recursos, dá para perceber que as pessoas jogam com esses fatores na busca de ‘‘algum’’ por essa via não tão incomum. Já tivemos, em eleições anteriores, a provocação em torno de filhos ilegítimos, o que dá bem a medida da ausência de pudor; a ameaça de delação de envolvimentos extraconjugais, enfim a latrina cívica.
Como se já não bastasse a interferência do ‘‘marketing’’, que reduz o ser político à condição coisificada de mercadoria, impedindo que o público tenha visão de valores e possa refletir diante de contrastes doutrinários, ainda há esse risco. Se candidatos e partidos tiverem um mínimo de respeito ao público, farão, antes de ser deflagrada a campanha, um pacto prévio que rejeite esse tipo de alinhamento, o que não significaria castrar as denúncias, afinal indispensáveis para identificar pessoas e plataformas.
FINALLerner matou a charada: a usina termelétrica a carvão no litoral não sai mais. Dá a impressão que submeteu todos ao seu ‘‘marketing’’ de ecologista ao permitir que o assunto ficasse sob um ritmo de suspense. Havia contradição na Copel: tenho uma carta de burocrata da empresa, depois da promessa do seu presidente Ingo Hubert ao banco alemão - que botou grana na Mata Atlântica -, de que a usina não sairia, informando que aguardava apenas o RIMA da Fundação da UFPR para manifestar-se.
Numas coisas o governador é lento, como naquela decisão partidária ou nas ações para reverter o bloqueio no Senado aos empréstimos e noutras é rápido, ligeiríssimo como a imprudente conversa com Paulo Maluf sobre o PPB.
BIZARRICECorreu, célere, a notícia de que o famoso general Oviedo estava em Curitiba. Aliás, por aqui já esteve no passado o Guevara, e o Pelé teria feito um treino e não agradado no Ferroviário, hoje Paraná. Fato inusitado já tem força de lenda por sua natureza.
Na Boca Maldita, quando houve referência à hipótese, veio o trocadilho: será que não estão procurando Oviado, que nada tem a ver com o Oviedo?
SPRAYBanestado faz esforço incomum para acertar créditos, tidos como perdidos, até fevereiro.- Carteira de inadimplentes, alguns políticos e portanto com proteção, principalmente quando acumulam a condição de empresários, é um poço de petróleo.- Como não há muito jogo de cintura e a situação tende a agravar-se com a recessão, dificilmente o banco escapa da privatização, já que a hipótese de transformá-lo em fundamento do Fundo de Pensão estadual fica impraticável com as imposições do ‘‘pacote’’.- Financiamentos agrícolas estão obrigando os contratantes a deixar 20% em aplicação na conta corrente, o que atrapalha a programação de empresários.- O senador Osmar Dias tem dito que em função do ‘‘pacote’’ haveria endurecimento quanto aos pedidos de empréstimos e rolagens de dívidas na CAE. Não é o que está acontecendo: anteontem foi aprovado crédito em favor do Piauí e o plenário autorizou Sergipe a emitir Letras Financeiras do Estado, destinadas ao giro da dívida mobiliária vencível neste segundo semestre.-
FOLCLOREComo Lerner se opôs à construção da termelétrica do litoral sob o fundamento de risco ecológico, obriga-se agora a tomar providências sérias para controlar um tipo de poluição, já existente e de natureza hídrica, que é o dos coliformes concentrados por milímetro cúbico de água do mar. Se levar a medida com rigor, interdita a maioria das praias. Se não o fizer, exporá a população ao risco não de um hipotética chuva ácida, mas de um bombardeio das válvulas dos banheiros de Caiobá, Matinhos, Guaratuba etc. Aliás, ele fazia uma piada didática quando dizia :‘‘Não faça de sua válvula um arma; a vítima pode ser você!’’ A essa época, era prefeito de Curitiba.
CROMOO vôo rasante e agressivo do Quero-Quero anuncia apenas que alguém se aproximou do ninho em meio ao campo. Faz esse tipo de exercício até em meio a um jogo de futebol, o que a televisão poeticamente capta.
AFORÍSTICOO pacote do governo ainda não foi inteiramente desembrulhado e, pelo jeito, suas vantagens e seus males, mais uma vez, estão exagerados.

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