Luiz Geraldo Mazza
Há muito tempo - e isso independente do tipo de gestão, com exceção ao período de Rafael Greca - o prefeito mais popular do Brasil é o de Curitiba. Deu-se com estilos diferentes como os de Lerner (três períodos, o do meio o pior), o de Fruet, o de Saul Raiz (a prioridade à infra-estrutura, peito em fazer viadutos diante da camisa de força ideológica do Ippuc), o de Roberto Requião, este cuidando da saúde com mais equipamentos.
Todos foram mais ou menos barulhentos: Requião usou a rede estadual de tevê para dizer que Curitiba tinha a comida e o transporte mais baratos, o acesso fácil à escola e ao sistema de saúde, com o que ajudou a manter o movimento migratório em direção à Capital, ainda mais com as promessas de regularizar invasões e complementava com esses ganhos sociais o ciclo que Lerner inaugurou; Greca transformou a cidade num point de feitos culturais ao mesmo tempo em que enchia as ruas de monumentos de gosto discutível como o cavalo vomitador e Faróis do Saber, extravagâncias que estouraram o Tesouro; Lerner manteve a ideologia de falar de uma cidade virtual esgotada nos anos 70, fruto de lavagem cerebral.
Em contraposição à atoarda, ao festivismo, há o estilo de Cássio Taniguchi, o silêncio acoplado à eficiência de um ninja. A cidade-espetáculo, embora ainda permaneça cultivada até porque os efeitos residuais do condicionamento não podem ser desprezados, deixou de trombetear seus feitos para corrigir as suas deformações como a da circulação saturada reclamando transplante, o desemprego endêmico a desafiar a sociedade num momento em que se anunciam investimentos como os das montadoras e quando se percebe a ameaça da megalópole no fato de que a Região Metropolitana teve um acréscimo de 400 mil habitantes em apenas cinco anos.
O público é cativo do estilo discreto do prefeito que retoma de certa forma o mais ação e menos conversa de Ivo Arzua: embora sempre ligado a Lerner, e com ele fortemente identificado, Taniguchi opera em contraponto ao ufanismo e projeta, antes de tudo, a imagem da racionalidade, da capacidade de intervir nos acontecimentos, não os deixando ao livre curso da espontaneidade. O valor do silêncio como estratégia de comunicação derruba um tabu da praça e a volta de Curitiba ao podium, depois do 4º e 5º lugares do Greca, é uma prova disso, como se viu no Datafolha de junho.
BRONCA Na famosa reunião do Chapéu Pensador, Lerner teria puxado a orelha de vários secretários, não poupando a própria pasta da Criança. Só falta dizer agora que a justiça começa em casa.
Tem todo o jeito de ilação extremada, mas que houve algo nem se duvida, já que os de orelha ardendo é que espalharam o informe. A referência à Secretaria da Criança talvez seja até uma forma de botar bálsamo nos criticados para sugerir que o estrilo foi geral e irrestrito.
BIZARRICE Houve um tempo neste País em que mostrar as coisas negativas era um ato progressista porque vivíamos sob o regime militar. A oposição atual pensa que a regra vale para os dias de hoje, ainda mais depois do pacote. A pesquisa Datafolha recente mostra Brizola e Lula como campeões de rejeição com 45% e 42% respectivamente.
Como se é preciso mudar, além do discurso, a cara dos atores. Nem na crise, que aparentemente os favorece, o povo os apóia.
A PIRÂMIDE Se cada desembargador tem direito a oito cargos de assessoramento, com a fusão do Alçada vai faltar garagem no Tribunal de Justiça porque além disso, haverá o motorista à disposição. Com 84 desembargadores teríamos a pirâmide complicada: mais gente no topo do que na base da carreira com os apenas 36 juízes substitutos. Para um tempo de austeridade, como sugere o pacote, é assunto que merece reflexão.
O Alçada começou com dez e hoje tem 49 integrantes. Quando Luis Gastão Franco de Carvalho era seu presidente, tentou a fusão com o TJ e não conseguiu.
SPRAY Mortandade de peixes ontem no Parque Regional Iguaçu foi atribuída à inversão térmica pelos biólogos. Agora só falta as autoridades responderem afinal o que eu tenho a ver com o peixe ?- Clotário Portugal é homenageado em mostra no saguão do TJ a 30 de novembro. Biografia romanceada do desembargador, e que governou o Paraná, foi feita por José Pereira de Macedo e Túlio Vargas no seu centenário de nascimento, sob o título O Juiz Integral.- Mais de 11 mil professores foram beneficiados em outubro com um ganho adicional de 15% em função dos avanços verticais. Média salarial do magistério subiu de R$ 614 em julho, para R$ 647 em outubro. Se a conjuntura permitir, o que não é fácil, em 98 pode pintar a hora-atividade.- Entre outubro de 94 ao deste ano, a média salarial dos mestres subiu 130,25%.- No outro extremo, está o quadro geral cansado de chupar o dedo, como se tivesse sido desmamado precocemente. O risco de ir ao analista é ouvir que se trata de fixação da libido na fase oral. Crueldade digna de Átila em dupla com Herodes. Assim se contrapõe ao avanço vertical o amasso horizontal.-
FOLCLORE O uso das vans no transporte deu margem a polêmica e fez renascer o gosto pelo trocadilho. Um motorista de táxi reclamava que não podia ficar protestando em vam (vão). Outro dizia que o carro era um vampiro e quando dirigido por mulher, uma Vam Dame. Pode ser uma solução, mas não é uma rima em termos de humor.
CROMO Da nostalgia, à batida do sino, o pessoal uniformizado anunciando em azul os hotéis Tassi, Matana e Marcassa, a saudade da faísca da Maria Fumaça, o deslumbramento de quem saía e de quem chegava, chegamos ao calidoscópio massivo do centro de lazer na cidade mutante, lirismo pop.





