Jaime Lerner não apenas nas iniciais lembra o ator Jerry Lewis: a sua ida a Brasília para conversar com Maluf - justamente na convenção nacional do PPB -, para costurar desde já a aliança interna, o comprova. Linha de argumento: o PFL fez o acordo em São Paulo, aliás todo ele da conveniência de ACM para imobilizar o PMDB e, por tabela, FHC, e aqui poderia se dar o mesmo.
Como o PPB é notoriamente um partido ideológico e de doutrina, seus dirigentes locais fazem o máximo de encenação para valorizar-se, no que estão certos dentro dos parâmetros morais que regem a política brasileira. Quem comete o erro máximo é o governador, fazendo o ‘‘joão-bobo’’, enquanto Ricardo Barros e José Janene lançam a bola sobre a sua cabeça, sem deixá-lo apanhar. Valoriza o zero, a inocuidade, com esse açodamento em buscar todas as garantias, esquecendo a humilhação que lhe foi imposta na tentativa de ingresso no PSBD, que seguiu idêntico ritual.
Essa exposição extrema ao desgaste não deriva de pulsão sadomasoquista, mas de ignorância absoluta dos limites a que qualquer agente político deve impor-se para merecer o respeito dos companheiros e adversários e compreensão do traço inevitavelmente malicioso e sacana da atividade, visível no fato de que o menos dotado nessa área, com o QI de um mamão, tira a meia com naturalidade, sem precisar remover o sapato, como um hindu acerta com os dedos dos pés um piparote num mosquito, como se o fizesse com as mãos.
Sob o ponto de vista da justiça poética isso até é muito bom porque quando escasseiam fatores em favor da oposição, o governo os cria, ora fazendo a luta interna de babuínos (esses símios que guerreiam com as próprias fezes) ou por essas manobras tortuosas do governador. É uma forma de inutilizar ‘‘handicap’’ e de reequilibrar a disputa. Pelo suicídio ou o sorvete na testa também se ajuda a democracia.
Jerry Lewis dirigido por Woody Allen ou vice-versa, o fato é que o absoluto ‘‘non sense’’ toma conta do pedaço.
ÓCIO Curitiba vai ser agora a capital do lazer, do ócio, com a inauguração hoje da Estação Plaza Show, maior complexo da especialidade na América Latina: 90 lojas, 40 bares e restaurantes, dez cinemas, pistas de dança, teatro, parque temático da Mônica (o dobro do existente em São Paulo).
Pré-estréia deu uma idéia das dimensões da proposta, ciclópicas para as nossas medidas: um investimento de R$ 70 milhões, sem incentivos e caixas pretas, que gera mil empregos, portanto mais multiplicador, sob qualquer ótica, do que as montadoras. Ademais é, antes de tudo, prova de confiança no potencial do Paraná e do Brasil porque aberto num momento de incertezas, ainda que projetado para um estágio de extrema modernidade, a da sociedade que se prepara, em sinalizações pós-industriais, para a exploração massiva do lazer.
Num momento em que a precarização do trabalho é o apocalipse imediato e que se luta para uma nova redução drástica da carga horária, até para aproveitar mais profissionais, abre-se a perspectiva de que o lazer, dentro, aliás, desse hedonismo do nosso tempo, a busca do prazer e da curtição, possa constituir-se num horizonte estratégico para a economia.
Dá para lembrar da obra pioneira do francês-cubano Paul Lafarge, genro de Marx, que escreveu o ensaio sobre o direito à preguiça, formulado na aurora das lutas sindicais pelas oito horas de trabalho, oito de sono e oito de lazer.
BIZARRICE Aníbal Khury tirou sarro de Antonio Belinati porque este encenou lançar-se candidato a governador e que seria demais ter ainda a Emília para o Senado. Como se trata de teatralização, percebe-se que o Aníbal quer ficar só no palco. Nota-se, ainda, que o assunto é relevantíssimo, maior do que a convulsão das bolsas e do que as avaliações do pacote.
Merecemos os políticos que temos. Daí a pouca importância que nos dão em termos nacionais, sempre a reboque de alguém da moda.
SPRAY Aquela pesquisa da Alvorada em Londrina tem um dado perturbador: Toni Garcia com mais de oito pontos. E não é ponto cirúrgico.- Desrespeito da Universidade é botar todos os vestibulandos numa só agência do Banestado. Suplício de Tântalo ou coisas do divino Marquês de Sade: sofrimento na fila é apenas um aquecimento para a tortura dos exames.- Por falar em Universidade, hoje é dia de apoteose populista e assembleísta com as eleições inúteis que em nada contribuíram para a melhora de qualidade da educação. Não há uma pessoa séria do mundo acadêmico que olhe isso sem um mínimo de constrangimento. Em Brasília ameaçaram, tempos atrás, eleger o bedel como reitor. Merecido.- O oportunismo do PC do B é irritante: percebeu que o candidato Carlos Antunes estava na frente e passou a apoiá-lo. O partido elegeu todas as instâncias do segundo grau e diretórios centrais e confunde isso com poder. Não elege um vereador e só acertou o Gomyde como federal porque era candidato oficial do então governador Mário Pereira.- Essa mesma ilusão é perseguida pelo PT, que olha o ganho de um sindicato como poder, quando se trata de algo limitado demais e hoje esmagado pela conjuntura. Daí a histeria de alguns dos seus líderes fazendo média com barnabés federais.- O cineasta Frederico Fullgraf viaja nesta sexta rumo à Antártida para fazer um documentário sobre a agressão ambiental lá registrada.-
FOLCLORE O conselheiro João Féder, do Tribunal de Contas, escreveu o livro ‘‘O Estado sem poder’’. Um exemplo é do próprio órgão: baixou um édito proibindo câmaras municipais de se atribuirem o 13º e ninguém dá bola. O pior é que a advertência é feita com um tom de Velho Testamento com o Moisés apontando para a tábua das leis que recebeu diretamente de Jeová.

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