Luiz Geraldo Mazza
Municípios e estados-membros deveriam ajustar-se às imposições do pacote, segundo o raciocínio cartesiano. Isso se as coisas fossem lógicas no Brasil. É que esses níveis de governo já estão exauridos, pois não contam com aquela vantagem da União na disponibilidade da guitarra, dos regulamentos, das intervenções, das medidas provisórias.
Para que se compreenda o grau do engessamento financeiro do Paraná basta dizer que não está afastada a hipótese de atraso de pagamento não apenas do 13º salário, como dos meses comuns. Uma pequena oscilação para baixo nas arrecadações - e isso não é impossível de ocorrer, ainda mais com os efeitos ainda não percebidos das 51 providências (umas de pura farolagem para posar de austero ao FMI, outras inexequíveis e incompatíveis com um tempo de promoção eleitoral), afora a esperada queda nas vendas de Natal - será suficiente para pintar uma atmosfera de juízo final.
Calotes da parte do governo não surpreendem mais ninguém: hotelaria de Foz do Iguaçu, fornecedores, empreiteiros, prestadores de serviço, alugueres, taxas de permanência pagas por não cumprimento de obrigações internacionais, lista de precatórios estourando. Mas as coisas não param aí: a violência que tomou conta do Paraná com intensidade nunca vista não pode ser combatida porque o governo não tem recursos para garantir a nomeação dos 800 servidores da Polícia Civil. Nada menos de 22.557 pessoas se habilitaram a esse concurso, pagando a taxa de R$ 50 per capita (será que botaram a mão nessa grana na base do desespero, como fizeram com as contas bloqueadas da provisão do 13º?) e ficaram no ora, veja sem esperança de que o concurso se realize e que os vencedores sejam nomeados.
Para os Jogos Mundiais da Natureza, que deixaram a réstea luminosa das contas não pagas em Foz do Iguaçu como o rastro da lesma no jardim, houve dinheiro como também para os desmandos no Banestado, hoje sob o foco de fatores que podem levá-lo à privatização, muito antes do que se esperava, por falta de alternativas, ora agravadas com as normas do pacotaço.
Em tal quadra, mal pode o governo respirar, quanto mais buscar economias quando não sabe como honrar os seus compromissos mais elementares.
SARRO Manchete do Notícias Populares de ontem: Governo tirou do dele e pôs no nosso. Às vezes a grosseria é uma forma de sutileza que substitui com vantagem os gestos olímpicos de indignação.
ASFALTO Dia 14, consórcios ganhadores dos seis lotes do Anel de Integração assinam contratos e a partir daí terão seis meses para tapa-buracos com investimentos de R$ 100 milhões sem a cobrança do pedágio. Esta só virá depois da aplicação de 2.670.000 metros quadrados de lama asfáltica, 380 mil toneladas de massa asfáltica, 80 mil taxas refletivas, 273.000 metros quadrados de sinalização horizontal, mais a roçada e limpeza de 13.590.000 metros quadrados, afora outras benfeitorias. No sétimo mês começam obras de duplicação, contornos das cidades, terceiras pistas, variantes e passarela para pedestres, em investimentos de R$ 3,3 bilhões.
Como as obras só começam na segunda quinzena, o trecho Curitiba-Paranaguá dificilmente estará livre da buraqueira na temporada. Haja eixo e saco.
BIZARRICE Rubinho Ferreira, embora exilado em Guaratuba, no comando de um hotel do Joel Malucelli, fala das coisas da corte como se aqui estivesse. Vejam a piada que sacou sobre a viagem da vice, Emília Belinati, para o Sudeste asiático: o Rafael Greca teria providenciado a passagem e só de ida.
SPRAY Desde a primeira notícia da vistoria eletrônica para veículos, coloquei aqui neste jornal que seria mais um cartório para os amigos do rei.- Pois bem, mal saiu a licitação, que qualificou duas empresas, começou a chiadeira de parlamentares e aspones que tiveram suas preferidas rejeitadas e das quais esperavam algum retorno, hoje escassíssimo.- A sociedade precisa controlar serviços públicos cedidos ou terceirizados porque pode virar uma fonte de irregularidades, como despachos admitindo fósseis mecânicos por acerto de natureza política e interferência de assessores habilitados. É um cartório.- Falta de critérios da Prefeitura da Capital (Ippuc no meio) permite os maiores absurdos, como o da construção do supermercado Coletão na frente do Colégio Santa Maria, ao lado do Centro de Criatividade São Lourenço e no encontro da Professor Brandão com Mateus Leme. Mais um interesse comercial, como se deu com o Shopping Mueller, se sobrepondo às normas urbanas e de circulação.- E nas ruas em que há colégios, então, as concessões são as mais abusivas como a do Anjo da Guarda, que permite até area de estacionamento embaixo de um viaduto. É muita folga! - Situação se agrava no Expoente, nos fundos do estádio do Atlético, no 3º Milênio, na Visconde de Guarapuava e Dom Bosco, na Emiliano Perneta. A Paraná em Páginas vem aí com um documentário forte, com farta ilustração, em cima do tema. Dá-lhe, Candinho!.- O outro Candinho, o Martins de Oliveira, secretário de Segurança, anda com a pauta cheia de homenagens como a que recebe em Realeza, como Cidadão Honorário, neste fim-de-semana.- Vem aí bronca pesada na Copel, em cima de irregularidades graves.-
FOLCLORE Como é bom ver um Alain Touraine na Roda Viva mostrando o quanto estão mal informados os nossos uspianos e deslumbrados petistas em matéria de ciência política e filosofia. Colocar suposições com muita pose não confere sabedoria a ninguém. O viver acadêmico devia poupar o público desse vexame.





