Uma cena bizarra ontem no centro de Curitiba: um dos muitos vendedores de bambolê recomendava a compra alegando que com o ‘‘pacote’’ todo o mundo iria rebolar e o melhor certamente, aconselhava, seria fazê-lo com arte com o Tchan e a Carla Perez. Era o anúncio da socialização da dança da bundinha.
Aí vieram as explicações na televisão e que deixaram o povo ainda com maior apreensão, diante do economês e do burocratês dos expositores. No meio delas, para complicar, os alquimistas Pedro Malan, da Fazenda, e Antonio Kandir, do Planejamento, saíram para tratar de assuntos urgentes. Algo assim com o profeta anunciando o Dilúvio e depois de indicar a sua inevitabilidade e as cautelas possíveis a tomar sair de cena para ir ao sanitário.
Claro que a essas alturas é livre o choro e o ranger de dentes. Os que tinham subsídios e que os perderam, os barnabés que estão na linha de tiro sob o risco de perder os empregos, a ferrada do Imposto de Renda, do IPI e das tarifas públicas em geral, a oposição não sabia se festejava ou abominava até porque temia que, como no caso do Plano Real, previsões estivessem erradas.
Foi, no entanto, uma quebra de rotina nos hábitos nacionais: o remédio é amargo e, como todos, pode ter efeitos secundários mais dolorosos do que os sintomas a corrigir. E o governo que transformou a reeleição na prioridade absoluta do País agora coloca, para valer e sob intenso risco, esse projeto. Já é algo que contrasta com o caráter brasileiro, habituado a buscar sempre terapias acomodadas e favorecendo sempre este ou aquele grupo dominante. Dias atrás esteve no Paraná o ex-ministro Pratini de Moraes achando que tinha chegado a hora de desvalorizar o Real. É claro que esse é o interesse dos exportadores e tal não se confunde, embora queiram insinuá-lo, com os de ordem nacional, mais abrangentes.
Essa deformação é tradicional no Brasil. País industrializado e moderno, que ainda tem bancada ruralista com a mente no tempo das Ordenações Filipinas, somos vítimas dessa esquizofrenia e nos revelamos vulneráveis demais ao sabor das ondas especulativas da economia financeirizada.
Se o pacote é bom ou não só o tempo o dirá. Mas ele não seguiu uma tradição nacional: a do cortejamento servil das acomodações, quase sempre mentirosas e apontadas como salvacionistas. Desconfia-se, porém, que os gênios macunaímicos encontrarão um jeitinho de levar a melhor. Como sempre.
PARANÓIA‘‘Quem tirou o toicinho daqui?’’ Mais ou menos como naquele folguedo infanto-juvenil, o governo estadual tenta descobrir quem teria vazado os termos do protocolo de intenções da Detroit e que caiu nas mãos da oposição.
Quem tirou o toicinho foi o gato que fugiu pro mato que depois queimou, pois a água o boi bebeu, que está amassando o trigo e assim por diante, até terminar no padre que está rezando missa no altar que está em seu lugar. Em suma, um clima de desconfiança como o dos tempos de chumbo cerca o Palácio Iguaçu.
Graças aos inconfidentes e à incompetência da custódia governamental, o povo recebe informações a que tem direito. De um jeito ou de outro.
BIZARRICENovembro não é apenas o mês das crises políticas no Brasil e agora do ‘‘pacote’’. É, também, o do 2º Congresso de Funerárias e Cemitérios a ter lugar em Águas de Lindóia, de 27 a 29 deste mês. Temário: O Cemitério e o Meio Ambiente, Paisagismo Aplicado ao Cemitério Jardim, Internet, Dicas e Truques, Técnicas de Venda, Inovações no Cerimonial Fúnebre, Arranjos Florais e o mais intelectualizado dos debates ‘‘Tanatopraxia no Brasil, Mito ou Realidade’’.
Mais uns anos e chegaremos ao Movimento dos Sem-Tumba, tema da exclusão.
SPRAYNem o governo estadual e muito menos as prefeituras perceberam que devem se ajustar, em suas respectivas instâncias, às imposições do ‘‘pacote’’.- A paulada é muito genérica para que se faça avaliação correta de cada item e do conjunto.- Por exemplo, aos estados não serão oferecidas vantagens extras nas respectivas rolagem das dívidas e uma consequência inevitável será o aperto em cima de bancos estaduais, agora em escalada mais séria, o que pode tornar a vida de muitos intolerável.- A cafonice das reformas como as que a loja Marisa fez num monumento da art-noveau, que era o Louvre, mostra que a Prefeitura precisa restabelecer a seriedade em cima das tais unidades de preservação. Um outro exemplo dignificante é o da Lojas Brasileiras na ocupação do prédio do Clube Curitibano, na Barão do Rio Branco. O mau gosto é totalitário e não há como evitá-lo.- Em preparo, ação popular contra beneficiários dos R$ 32 milhões de gastos com propaganda nos dois últimos anos da gestão Greca.- Na orla de Guaratuba, um espaço reservado para containers é algo que no mínimo choca.- O que choca mesmo é a buraqueira da BR-277 trecho Curitiba-Paranaguá. A firma que ganhou a modernização não tinha que tapar buracos em 120 dias?
FOLCLOREDesde 1990, um bonde doado pela família Slaviero ao patrimônio de Curitiba estaria passando por reforma. O tema, levantado pelo Cândido Gomes Chagas, já chegou à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, depois de passar pela Câmara Municipal. que diligencia a localização do bonde ‘‘Birney’’ numa instalação pertencente à Fan, que constrói estações-tubo em Araucária. Quando comparam o Candinho ao Inspetor Javert do Victor Hugo, na obra imortal ‘‘Os Miseráveis’’, o jornalista contesta: ‘‘Javert foi atrás do Jean Valjean, que roubou um pão. Esse pessoal levou muito mais do que uma panificadora’’.

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