Luiz Geraldo Mazza
Não faz muito tempo o governo admitiu que devedores de tributos pagassem com mercadorias. É a consagração do escambo, o primeiro sistema de troca e hoje até adotado em relações internacionais, na base do produto por produto, sem moeda. Como no meio da semana, o secretário da Fazenda, ao ser perguntado sobre a dívida de mais de meio milhão junto aos hoteleiros de Foz com os Jogos da Natureza, sugeriu um encontro de contas entre essa fatura com a dívida fiscal desses empresários, que chegaria a um milhão, dá para transformar a criativa sugestão numa forma de manter a economia ativa sem moeda.
Como a claque palaciana costuma bater palmas a qualquer frase como essa do Gionédis, pode-se propor também que o governo pague os seus débitos com a grana sumida, volatilizada, na Leasing Banestado. Seria uma forma de manter viva a imagem dos Jogos, já que o Osvaldo Santos, que dirigia aquela unidade na época do estouro, foi um dos festejados pelos sucessos de Foz do Iguaçu.
Não é difícil: afinal o governo obrigou os empresários, que se associaram na pilantragem do Clube dos 60, a pagar tudo o que deviam, sem prejuízo dos processos que estão respondendo criminalmente. Iriam atrás das safanagens da Leasing, recuperariam o dinheiro (deve ser mais fácil do que chegar aos R$ 100 milhões da Georgina, sócia oculta da Previdência) e, convenhamos, que isso seria um feito mais importante do que aqueles Jogos tão badalados e que cobririam ponderável parte dos seus custos, sobrando ainda algum troco.
Essa, sim, mais do que as outras, seria uma prova de que temos um governante com imaginação criadora, uma das mais agudas do mundo.
BIZARRICE Ainda do Louvre de Curitiba, que pegou fogo, e de questões fiscais: um dia pintou na loja um coordenador da receita estadual e ficou lá controlando as vendas, através de um fiscal. O coordenador apareceu lá e notando a diferença entre os valores normalmente declarados e a movimentação de dois dias ia aproximar-se do proprietário Miguel Calluf quando este, ligeiríssimo e sorridente, pediu ao hierarca fazendário para que deixasse o fiscal por lá, já que, desde a sua chegada, deu extrema sorte para o Louvre com muitas vendas...
TÚNEISEm Paranaguá, estudiosos, arqueólogos verdadeiros e de improviso, fizeram uma excursão pelo túnel, cuja boca está na Fontinha, em busca de referências para esclarecer lendas do tempo dos jesuítas. Agora, em Curitiba, com o itinerário do urbenauta Eduardo Fenianos, houve a retomada do tema com uma pessoa afirmando que andou em parte do extenso subterrâneo que iria da Vista Alegre até o Alto São Francisco, pois houve um ponto em que o estreitamento do túnel impedia a passagem.
SPRAYHá duas facções no governo quanto à economia: a dos triunfalistas, como a daqueles que afirmaram ter havido pleno emprego (conforme uma secretaria de utilidade discutível como a do Emprego e Relações do Trabalho) no Paraná, oposta à dos sinistrosos do Ipardes, que imaginam o caos no dia seguinte.- Se há essa ambiguidade é porque o governador não sabe se impor, já que até para a tolerância e o exercício interno de liberdades há limites. Afirmar que há quase um milhão de desempregados no Paraná é chute, ainda quando proferido com solenidade acadêmica.- Mania de chutar é antiga: jamais se detalhou nos anos 70 aquela história de que havia 800 mil bóias-frias no Paraná. No entanto, isso virou axioma.- Fazendeiros quando queriam algo do governo federal ou estadual alegavam que estavam com aquela disposição para absorver os 800 mil bóias-frias. Da mesma forma o outro lado, o dos trabalhadores, fazia a chantagem sentimental e com eles também os políticos. Galbraith ironiza em suas obras a postura do capitalista que diz que faz um determinado empreendimento não para ter lucros, mas para gerar empregos. Que gente generosa!- Semana que vem, vereadores de Curitiba devem ir até Araucária nas instalações da Fan para ver se o bonde, doado pela família Slaviero, lá se encontra, conforme declaração do prefeito Cássio Taniguchi. Atrás deles, a nossa versão do Inspetor Javert, de Victor Hugo, o Cândido Gomes Chagas, com sua risadinha sinistra.- Provas para auxiliar de Cartório dos Juizados Criminais da Capital marcadas para 23 deste mês, um domingo.- Ontem terminou o 2º Congresso de Magistrados do Mercosul, em Buenos Aires. Entre os conferencistas, um do Paraná: o professor e juiz Manoel Antonio Teixeira Filho, do TRT, e mestre da Faculdade de Direito de Curitiba.- Antes da eleição do novo Procurador-Geral de Justiça, documentos denunciam que é um absurdo haver previsão para gabinetes em Londrina, do Ministério Público, se não houver criação de tribunais, e também contestando a sede própria da instituição com recursos previstos em orçamento.-
FOLCLOREO ex-governador Álvaro Dias disse em Cascavel que acredita na vitória da oposição no primeiro turno. Todas as pesquisas indicam precisamente o contrário . Na Boca Maldita, um lernerista disse que Álvaro lembra o Ferrante. O caso do Ferrante é folclórico: procurava, um a um, eleitores de Curitiba e com base na confirmação de que receberia os votos dos que davam os nomes já se acreditava eleito como vereador e acabou não obtendo nem uma centena de votos.
CROMOComo está perdendo valor tudo o que é humano ou dele se aproxima, já se sabe que no Natal sobrará bonecas nas lojas e faltará tamagochis.
AFORÍSTICOA chantagem come solto em todos os setores da política: a sordidez é de tal forma que já não há lugar para a ingenuidade e o improviso. No Paraná está pior do que no Brasil. Forma direta de promover a venda de Engov.





