A síndrome das bolsas obriga o governo a ser mais austero, a ameaçar com um pacote de rígidas medidas fiscais e o estimula a fazer a ‘‘chantagem’’ de que a oposição não quer as reformas quando, na verdade, quem subverteu prioridades foi o sistema ao colocar como fundamento maior a reeleição de FHC. De qualquer maneira, a crise assanha a oposição que vê aí um motivo de contestação à forma como nosso governo vinha encarando a globalização, como se ela fosse remédio sem efeitos secundários e o terremoto financeiro está aí para comprová-lo.
E regionalmente temos um fato sensacional: meios de comunicação mais ousados porque não recebem seus haveres com o que a população ganha, por uma via tortuosa, um pouco mais de informação e democracia; políticos, tanto da situação como do governo, assanhados em busca de dinheiro que nunca esteve tão escasso, o que ameaça os hábitos dessa fauna; mesmo o ‘‘olho de pedir pão’’ em cima do Banestado, que não desejam privatizado para que as tetas túrgidas dessa loba romana a todos sirva, fica afinal sob ameaça porque um batiscafo do Banco Central está por lá monitorando tudo, ainda mais depois da rosetada em cima da Leasing e do festival com títulos estaduais no oceano de fraudes.
Assim, pois, em termos estaduais, há o lado bom da crise porque desmistifica, bota oxigênio no ambiente e uma réstea de luz na escuridão. Um detalhe: se continuar assim, o governo acaba descobrindo que não precisa atender as várias frentes de chantagem que o atacam por via política e financeira. Como está notoriamente sem dinheiro e não tem como atender esses apetites todos, que são muitos e de variada origem, alguns até razoáveis, não impressiona que seus próprios integrantes se valham também da chantagem para responder às demandas como deu a entender o Giovani Gionedis ao retrucar os hoteleiros de Foz do Iguaçu, que cobravam os R$ 500 mil que o governo lhes deve, que eles também são caloteiros porque devem o dobro em impostos.
É uma sessão de análise transacional, um psicodrama. Imaginem se fosse o fim do mundo, que espetáculo não assistiríamos. É o mundo sem calças e sem pudor. O pior que não tem sequer a compensação que a Carla Perez ostenta.
O LOUVRE Pegou fogo no Louvre, ‘‘o rei das sedas, imperador dos preços’’, na Rua XV de Curitiba, e os jornais deram a notícia sem a menor idéia da importância arquitetônica daquele prédio da família Calluf, ocupado pelas lojas Marisa. Lerner e Greca fizeram suas carreiras em cima de um suposto cuidado com edificações históricas e as dificuldades que os bombeiros tiveram relativamente a hidrantes mostra que não houve seriedade na forma como se montou o calçadão em Curitiba. É o terceiro prédio que pega fogo, o que prova a inexistências de cautelas complementares como a verificação do sistema elétrico dessas construções, tarefa que deveria ser de rotina.
BIZARRICE Sobre o Louvre, há várias histórias, inclusive a do jogador do Coritiba que, chegando em Paris, perguntou se aquele Louvre de lá era também do Munir Calluf. Isso no tempo em que o Coritiba era um time de exportação e o Munir, proprietário do prédio da Rua XV, seu diretor de futebol.
EMPRÉSTIMOS O governo ganhou um argumento em favor do sigilo dos protocolos: a Audi alterou radicalmente seu projeto, redimensionando-o para produzir além do Audi A3, os modelos Golf, Passat B5 e Vento. Se o processo de negociações é evolutivo, até que se justifica o cuidado.
Mas se ganhou esse argumento, perdeu em outro aspecto: detalhes da concessão extremada à Detroit mostraram que o secretário de Indústria e Comércio, embora ligeiro para faturar notícias, é reticente para dar explicações em torno das denúncias de oposição que ganharam a mídia nacional quanto aos US$ 10 milhões de responsabilidade do governo, mais os US$ 3 mil por empregado, exceto a imunidade fiscal. Segredo, como se vê, de Polichinelo. Se em cada lançamento de pedra fundamental tivermos uma dessas, o governo se sai mal. Abra o jogo!
SPRAY Rio Grande do Sul, além da rolagem da dívida, teve autorização da CAE do Senado (aquela que segura os empréstimos do Paraná) para que a Caixa Econômica Federal adquira a sua dívida de R$ 139,167 milhões, apesar de aquele estado ter despendido com pessoal, ano passado, 86,38% da receita corrente líquida.- Osmar Dias, coerente, votou contra, Requião esteve ausente, Espiridião Amin, José Eduardo Dutra e Eduardo Suplicy se abstiveram. Se for mantida a linha, os empréstimos do Paraná passam facilmente.- Quem anda rastreando as sessões do Senado é o Gerson Guelmann, que fez aniversário ontem junto com os 80 anos da Revolução Soviética, hoje mumificada.- Está intolerável a atmosfera do Fórum (no edifício Máscara Negra ou Iddi Amin), das varas cíveis, por causa das obras em andamento. Advogados, qualquer dia, entram lá de máscaras contra gases e outros aparatos. O desconforto será compensado com melhores instalações.-
FOLCLORE Numa tensão internacional no Oriente, anos 40, a comunidade árabe de Curitiba quis manifestar-se e pediu o fechamento de todas as lojas. Quando chegaram no Louvre, o Miguel Calluf subiu numa cadeira e dirigiu-se em árabe aos manifestantes: logo às primeiras palavras, muitas palmas, mas à proporção que o discurso evoluía, a massa, desalentada, foi se dispersando. O orador mostrou que era inútil fazer passeatas, pois a agressão exigia uma resposta digna e pelas armas. E sugeriu que se fizesse uma lista para comprar armas e que ele abriria com US$ 10 mil. A multidão se desfez.
CROMO Hamlet, caveira à mão, declamando ‘‘ser ou não ser’’ e o João de Barro, também indeciso, diante de sua casinha, se canta ou não por causa do tempo.

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