Luiz Geraldo Mazza
Há em andamento uma guerra intestina no governo Lerner. Grupos conflitantes trabalham com fitas gravadas, documentos de irregularidades e apelam para a extrema ignorância. Como dizia o prefeito de Greenville, imitando ora Collor, ora o senador Pedro Simon, interpretado pelo Paulo Betti, com aquele ar de mistério, quem viver, verá.
Externamente essa batalha é educada: epigramas, frases de efeito, mostras de coragem, provocações. Internamente é suja, barra pesada, dá a impressão que os digladiantes estão na praia mansa de Caiobá, na temporada plena, numa cloaca.
Documentos retidos no Tribunal de Contas, que comprometem este ou aquele ator político ou administrativo, passam a ser referenciados como um caso estranho de edição falsa do Diário Oficial (lembro que no passado houve uma extra no governo Lupion para acertar nomeações e titulações de terras), enfim material que faria o gozo das bruxas de Macbeth à beira da caldeira em que lançam sapos e aranhas, ratos e venenos.
Alegóricas ou verdadeiras, boatos ou infâmias, essas são as informações que saem desse laboratório que, como o de análises clínicas, lida com refinamentos coprológicos e por isso traduz mais uma guerra intestinal do que intestina.
A causa de tudo isso: acelerar, a qualquer custo, o processo eleitoral para que apareçam financiadores de campanha, dinheiro, enfim, cada vez mais escasso nessa quadra pré-recessiva, apesar do otimismo do Joni Varisco que diz estar a economia do Paraná a pleno emprego, com crescimento de 136% no mercado obreiro, o que o torna superior ao Pangloss de Voltaire.
BIZARRICE Eduardo Fenianos, o urbenauta, que viaja pelos rios, ruas e estradas de Curitiba (completou já um terço do itinerário de 90 dias) conta que busca até o fantástico: o túnel do pirata Zulmiro. Num dos bairros lhe falaram dos fantasmas da mala e do terno branco que não aparecem mais.
Observação de um morador: Com a falta de segurança até fantasma se manda.
SILOGISMO Universidade pública e gratuita não tem como ser de qualidade.
É claro que o axioma cabe especificamente para o Brasil. No entanto, é repetido por todos os candidatos à Reitoria, o que prova o quanto a demagogia e o baixo populismo contaminaram a área.
Outra dedução socrática: se é gratuita, a Universidade não é justa porque favorece os privilegiados da classe média média e média alta em detrimento dos patamares mais baixos, obrigados a pagar o ônus da escola privada. Um caso a mais de pura perversidade da burguesia dominante. O embotamento ideológico não permite enxergar o que é tão claro, singelo. É o lúdico sobreposto ao lúcido.
SPRAY PC do B levou todas as disputas nos vários graus de ensino, mas não emplaca um candidato. O Ricardo Gomyde foi eleito pelo gabinete palaciano sob o comando de dona Marlene Pereira, primeira dama.- Para vereador na Capital tentou com o coleguinha Manfredini e depois com o doutor Zequinha: a despeito do currículo de guerreiros históricos e de suas qualidades pessoais ficaram nos 2.400 votos e que parece um parâmetro, aliás não desprezível.- Estudante não vota em estudante. No passado, anos 50, elegemos Maria Olímpia Carneiro e o suplente Edel Hazar, ambos do PCB, sob outra legenda. De resto, mulher não vota em mulher, pobre vota em rico que finge ser igual, trabalhador vota em patrão e patrão só vota em trabalhador quando este está a seu serviço.- Greve dos petroleiros mostra que o sindicalismo busca saídas fora das estritas regras impostas pela estabilização. O item mais forte é o da exigência de reintegração dos 90 demitidos da última e fracassada greve.- O governo é frio nessas questões e vai deixar, outra vez, os sindicalistas se desgastarem ante a opinião pública. E se não se cuidarem, pegam de cara a bronca das donas-de-casa, na hipótese da falta de gás. Como ocorreu duas vezes com os grevistas, detonando um trabalho de 40 anos para manter a mística da Petrobrás.- Outra coisa: parem com essa história de sugerir que a Petrobrás é dos seus funcionários, resultado de uma luta. Uma ova: é do povo brasileiro e hoje não pega mais aquele papo da soberania e segurança nacional, que antes tudo justificava, inclusive a aura mítico-religiosa da empresa.- Se o governo cede da outra vez, o Plano Real iria para o saco em razão de interesse corporativo.-
Vistoria eletrônica da frota de veículos no Paraná é outra das causas de atritos internos no governo. Um que tinha cobertura parlamentar dançou e a revolta é grande. Com escassez de dinheiro, caráter fica ainda mais raro.-
AXIOMA O anarquista Elísio Marques, no dia em que Cuba enterrou Guevara, sacou esta: Enquanto isso, aqui no Brasil, insistem em deixar Getúlio Vargas insepulto, Tancredo Neves exumado e Ulysses Guimarães desaparecido.
FOLCLORE Próximo quadro do Faustão ou do Gugu aos domingos: o Surubar. Pelo nome, você pode adivinhar o que é. E quem ganhar o torneio leva um Subaru. É ampliação natural do sushi erótico e aquele da banheira atrás do sabonete.
CROMO Um morto na Boca Maldita olhando a nota do seu funeral na pedra. Ou será que nós, que o vimos, é que estamos em outra dimensão?
AFORÍSTICO Banestado dois dias fora do ar em seus computadores. Faltasse a mulher do cafezinho, aí todo o mundo sentiria.





