Luiz Geraldo Mazza
O governador Jaime Lerner já foi chamado de maquiador de cidades por seus adversários e corre o risco agora, em função da nova etapa de industrialização já deflagrada, de ser apontado como um maquiador da economia. Ocorre que os números de empregos diretos e indiretos, como decorrência do processo, parecem altamente questionáveis.
Como o hábito do chute não abandona nem as pessoas tidas como sérias (dá para lembrar a taxa pré-fixada de inflação do bruxo Delfim, hoje transformado em crítico de uma economia que ajudou a demolir), ninguém se debruçou sobre aquela absurda indicação do próprio Lerner de que teríamos mais de 800 mil empregos. Ora, o País inteiro está festejando o fato de haver criado, este ano, de janeiro a agosto, 318.422 empregos formais, o que é uma contestação aos pregoeiros da sinistrose, ainda mais se considerarmos que hoje quase metade da população economicamente ativa, atuando no mercado, não tem carteira assinada.
O indicador é suficiente para mostrar o quanto o governo estadual surfa na maionese ao sugerir hipótese de pleno emprego, quando a tendência dominante é a da precarização do trabalho em função da automação e robotização.
Citei, dias atrás, o caso da Volvo para mostrar o mimetismo, a falsificação que há nessas prospecções. Essa empresa, no momento em que inaugurava a sua unidade de cabines, anunciou o investimento de US$ 400 milhões que criaria 150 empregos diretos e 600 indiretos. No ano passado, ela demitiu 300 funcionários fixos de seus quadros, entre diretores e corpo gerencial, mais 100 servidores administrativos e operários. Obviamente vai ocorrer, pelo menos parcialmente, a reposição dos demitidos, agora contratados a salários mais baixos, e muitos dos 600 indiretos serão gerados em outros pontos do território, em São Paulo e até mesmo na Suécia. Uma dança, portanto, de empregos, característica marcante da globalização. A fabricação de cabines, o maior investimento, não passou de R$ 50 milhões, 12,5% do US$ 400 milhões anunciados.
Ninguém é contra essa mudança drástica no perfil da economia paranaense, mas não devemos, de forma alguma, criar expectativas falsas de retorno bem como não fazer os cálculos devidos quanto aos resultados da renúncia fiscal, hoje generalizada não apenas no empreendimento-matriz, mas em toda a chamada malha produtiva.
Dos 20 mil empregos indiretos, criados pelas três montadoras, boa parte deles não será gerado no Paraná, isso sem contar que dos 4 mil diretos, muitos virão do exterior, de São Paulo e de outros pontos do País. Vamos calcular melhor na perspectiva do custo-benefício os ganhos e perdas desse novo ciclo.
MIÇANGAA proposta de adiantar o 13º salário em vinte dias para os funcionários do quadro geral, que não tiveram reajuste, lembra a miçanga de colonizador para enganar índio. O funcionalismo, no entanto, não tem a menor possibilidade de fazer greve porque está sob pressão e sabe, também, que mesmo que ela fosse possível, não traria resultado. O remédio é chiar, caricaturar, perguntar, por exemplo, por que sobra dinheiro para leasing esportivo com Bernardinho, Bira, agora a Hortência. Aliás, o secretário da área é um especialista em leasing e que deixou um pepino de R$ 100 milhões no Banestado.
BIZARRICEO PT tem setores que lembram seita. É de lá que vem a bronca diante do encontro programado para ontem, entre Álvaro Dias e Cheida. É algo que não fede e nem cheida - estrilou um xiita. Trocadilho é uma coisa tão arcaica que fica muito bem para um partido defensor de corporações e patrimonialismo.
URBANIZAÇÃODos 9 milhões 136 mil 116 habitantes do Paraná, 78,79% estão na área urbana. Mesmo em áreas de demografia rala como o litoral, 83% são urbanos. Apenas Guaraqueçaba tem 29,42% de urbanização, um dos maiores vazios do Paraná inteiro. Na Região Metropolitana de Curitiba, há 91,78% de urbanização, mas Adrianópolis aparece com 24,28%; Balsa Nova, com 32,36% (entra agora numa fase de expansão industrial com uma fábrica de revestimento de madeira); Mandirituba, com 35,71%; Quitandinha, com 21,69%; Tijucas do Sul, com 15,25% podem mudar esse refrencial. A medalha de ouro fica para outra criação anibalesca: Doutor Ulysses, com 9,57% de urbanização. Esses municípios de pouco mais de 5 mil habitantes deveriam simplesmente ser extintos, como aliás já existe proposta a respeito.
SPRAYO processo das diárias frias finalmente chega à Justiça. Falava-se num rombo de R$ 1 milhão com esses abusos, mas o apurado, em diárias, cerca de R$ 70 mil, está comprovado.- Cláudio Ribeiro, radialista, era o titular da chamada Subsecretaria de Assuntos Especiais, sigla SAE, quase igual a de Assuntos Estratégicos do governo federal. Ele está escrevendo um livro contra Requião.- Incidentes na coleta de provas do processo administrativo afetaram o andamento das providências.- Uma referência em texto oficial da Prefeitura de Curitiba sobre orçamento plurianual a um fundo de pensão privatizado deixou o funcionalismo com a pulga atrás da orelha: ninguém crê em eficiência de organização privada pelo havido com a GBOEX e Montepio da Família Militar.-
ECOLOGIAO deputado federal Paulo Bornhausen quer permitir corte raso na Mata Atlântica e tirar os controles estaduais e federais, passando-os às prefeituras. É a devastação autorizada, ainda mais com prefeito matando cachorro a grito, como se vê no desrespeito à política de usos dos solos no litoral, com a concessão abusiva de alvarás para construção nas encostas. A moto-serra vem aí para valer e os ambientalistas devem agir rapidamente.





