Com as mudanças estruturais anunciadas no sistema Telebrás, Álvaro Dias perde o palanque eleitoral que vinha utilizando com rara eficiência na Telepar. Dava até a impressão de que o volume de feitos de uma tele estadual se mostrava superior ao do governo estadual. Impressão, é claro, mas com força suficiente para beneficiá-lo. Pois a festa vai até dezembro, embora o cronograma possa ser ampliado por acidentes de percurso, na ânsia do ‘‘malho’’ da privatização que empolga o tucanato.
No meio da semana, Álvaro foi homenageado por um setor da comunidade árabe, posto que a maioria, obviamente, acompanha Aníbal Khury e, consequentemente, Jaime Lerner. Está empolgado e com aquele pique de profissional sem os sinais de estafa ou preguiça que normalmente marcam seus contendores. E tão certo de que aparecerá à frente das pesquisas, que as coloca irrevogavelmente como definidoras da candidatura unitária de oposição. Para manter-se na mídia fora da Telepar não vai ser fácil, a não ser que as expectativas de que a oposição terá dificuldades enormes de financiamento tenham desaparecido, o que, até o momento pelo menos, pouco se justificaria, dada a maior sedução do governo.
Há um aspecto bom nisso tudo: o ex-governador se vê obrigado a assumir uma postura de luta, já revelada no discurso na Sociedade Árabe, e sair dos panos quentes, mostrando-se oposicionista mesmo e não ‘‘pasteurizado’’. Aí se pode escolher entre o extremo apocalíptico de Requião e o dele, mais suave, ainda que não menos enfático.
Há uma coisa digna de ‘‘non sense’’ no que Álvaro e Requião dizem sobre as finanças do Paraná: o quadro que o sucessor vai enfrentar é de tal calamidade que só as têmperas fortes podem suportá-lo. É uma calamidade esse discurso, aliás repetido nas disputas de Reitoria, sindicatos, OAB, Associação Médica: todos os candidatos dizem que se voltam para um sacrifício, e o que impressiona é o número de postulantes, o que desmascara o próprio enunciado, uma farsa.
Lerner está em escalada eleitoral inaugurando obras, firmando convênios, anunciando pólo eletroeletrônico no Sudoeste, químico no Centro (Pitanga e Manoel Ribas), lançando vilas rurais, trechos de estradas, escolas. Só em uma cidade como Engenheiro Beltrão ouvir o prefeito dizer a Rafael Dely que há mais de dez obras a inaugurar. São pequenas, mas, como as pílulas de vida do doutor Ross, resolvem. Na sequência teremos início de duplicação de rodovias, as etapas das fábricas na região de Curitiba e interior (só em Balsa Nova, um empreendimento, da Massisa, fábrica chilena de revestimentos de madeira, vai gerar mil empregos, algo parecido com aquele estádio de cidade gaúcha que tem maior capacidade de lotação do que a população do local), o que colocará o governador em permanente contato com o interior e levando-lhe algo mais do que sorrisos e discursos.
PT SAUDAÇÕESO pragmatismo do PT, e deu para vê-lo na fala de José Dirceu, é de tal ordem que admite uma aproximação com Álvaro Dias. E o encontro vai acontecer. O PT, através do Jorge Samek, foi quem demoliu a candidatura de Álvaro na eleição passada, quando mostrou a planta do apartamento granfiníssimo do ex-governador. Depois, para o ‘‘empurrão’’ final, bastou a reprodução das imagens do confronto com os professores no Centro Cívico.
A oposição tentou com a greve dos professores e os sem-terra criar desgaste ao governo e quebrou a cara. Outro detalhe: a hostilidade da maioria da sociedade curitibana a essas exibições de exploração da pobreza é notória. Vão perder votos. Na certa. A esquerda não se toca nessa realidade, daí a atrofia.
BIZARRICESe Collor fosse a Pato Branco, o PT e o PMDB iriam fazer passeata de bicicletas, guarda-chuva e mochila para constranger o prefeito Alceni Guerra.
SPRAYUm paradoxo: no pátio interno do Colégio Estadual Xavier da Silva há três outdoors, um deles de propaganda da escola da Tia Paula, particular.- Polícia Militar reelege dirigentes de suas associações: coronel Hatschbach foi reeleito no Clube de Oficiais (posse dia 30) e o coronel Elizeu Furquim é candidato único para a AMAI (Associação de Militares Ativos e Inativos).- Um detalhe sobre a história da Volvo: ela está em crise por perda de mercado desde 1995. Chegou a ter 33% do mercado de pesados e o dobro do que tem hoje no setor de ônibus.- Ocorre que não tem o veículo (em que pese a badalação do sistema em cima de biarticulados e ‘‘ligeirinhos’’, inclusive com mostras no exterior) adequado para o mercado brasileiro. Tanto que a Scânia veio lançar ônibus a álcool em Curitiba. Vamos olhar melhor essa etapa de expansão industrial para poder apoiá-la (em princípio não há restrições) com maior racionalidade.- Aliás, a implantação de pólos de desenvolvimento está levando o governo à cooptação de prefeitos. Jaime Guzzo, de Dois Vizinhos, é um deles, mas esteve no desfile dos sem-terra.- Em Badia Polesine, cidade em que nasceu Guido Viaro, já existe sala no museu local com obras do pintor. Agora, por força das tensões culturais da praça, Constantino, que não é um inconstante, filho do pintor, diz que aquela cidade italiana pode ter museu do seu pai.-
FOLCLORESe a Assembléia pode, com decreto legislativo, bloquear procedimento da Justiça Eleitoral contra deputados, se uma concentração de sem-terra é suficiente para liberar presos, não será de assustar que essa última lei de anistia de devedores do fisco acabe beneficiando o Clube dos 60, dentre os quais aparecem empresários importantíssimos do Paraná, alguns deles financiadores de campanhas eleitorais.
CROMOO canto das sabiás na tarde escura não reconstitui a primavera.

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