Luiz Geraldo Mazza
Das pesquisas se pode dizer que lembram a bola de cristal, o espelho mágico e a buena dicha dos ciganos. Pretensiosamente científicas, quando na verdade são induzidas, conforme o método e o questionário empregados, elas são essenciais na política. Álvaro Dias, por exemplo, que aposta numa oposição unitária contra Lerner, acha que elas é que devem indicar o candidato. Bobagem, porque em 1994 estava na frente como ianque em Olimpíada e acabou mal como um matungo em cancha reta.
Pois uma pesquisa em Londrina mostrou que Emília Belinati bate Álvaro e dá uma coça em Rafael Greca para o Senado. O governador, logo à sua chegada, viu o seu escudeiro barroco na Casa Civil batendo os pés de irritação por causa de uma colocação do vice prefeito Algaci Túlio, racionalíssima: a de que não convinha botar uma chapa com predominância de curitibanos, o que seria dar à atarantada oposição bandeira reciclada como a das eleições municipais.
Rafael não deixa por menos e responde com epigramas, lançando mão até do filósofo Parmênides, o que o torna parecido com aqueles romanos bem nutridos no perigeu do império que se acreditava eterno. Criador da lógica metafísica, o filósofo grego é convocado pelo ex-prefeito como o Lerner chama o Caio Soares e se delicia em mergulhar na ontologia, no emaranhado do ser, numa reflexão sobre essência, que assume a sutileza dos esoterismos e das chaves herméticas, mais fechadas do que o protocolo das montadoras.
Mas não é apenas o Rafael a postular o Senado. O homem da Previdência, que vai acumular todos os ódios dos aposentados do País e que se aposentou com pouco mais de 40 anos, o Reinhold Stephanes, acha que pode ser também. Quer dizer: há mais gente querendo fazer gol contra do que imagina a vã filosofia.
A MARCHACássio Taniguchi, prefeito de Curitiba, tentava ontem à noite evitar que os sem-terra chegassem até o Centro Cívico. Negociações muito parecidas com as de sequestro eram colocadas na mesa, como se predicamentos da magistratura, como o da inamovibilidade, pudessem ser transados num acordo político. Se os presos estão na cadeia injustamente, liberá-los apenas acentuaria o caráter absurdo das suas prisões como o é o fato de a autoridade policial e judiciária não ter botado a mão num só fazendeiro.
Os que tentam surfar no movimento, inclusive sindicalistas, que não têm respostas para os problemas concretos de suas categorias (o líder bancário que preside a CUT não tem proposta alternativa à precarização do trabalho no seu setor e se o tivesse, seria um gênio), pensam que a maioria os aprova. A classe média brasileira, conforme pesquisa recente, repudia (75%) as invasões, embora apóie a reforma agrária.
Batalha de rua não acumula energia para desgastar FHC. É inútil: o cerco de Brasília pelos sem-terra o demonstrou. Apesar do vigor da manifestação, o presidente da República não caiu um ponto no Ibope e o Lula não subiu. Se sair a dobradinha Lula-Brizola aí, então, volta a monarquia com FHC coroado, tal qual poderia ter ocorrido, cem anos atrás, se a utopia de Antonio Conselheiro desse certo, uma epopéia tão ou mais heróica do que a dos sem-terra.
BIZARRICEManifestação punk contra o McDonalds sábado passado mostrou que agora há um anarquismo diet: invés da dialética, se preocupa com a dietética. É a bandeira contra o colesterol, portanto burguesa e bem comportada. Mais um pouco e teremos um grupo escoteiro punk.
AMANHÃMediei um debate anteontem na Iª Semana de Economia (Setor de Ciências Aplicadas da UFPR) sobre a economia do Paraná e o novo milênio. Participaram o reitor José Henrique de Farias, Gilmar Lourenço (Ipardes), Juarez Varallo Pont, do Conselho de Economia, e Fábio Scatolin, do Departamento de Economia. Crítica mais pesada ao governo: o abandono da meta tecnológica visível na não regulamentação do dispositivo constitucional (artigo 205). Ontem o tema foi o horizonte industrial e hoje a agricultura é enfocada.
ENCONTROSÁlvaro Dias com Milton Buabsi e Pedro Longo num restaurante, e Ribas Carli batendo papo com Lerner em Kiev. Curitiboca tem o dom da ubiquidade.
POSEBurguês metido a besta era aquele: pra botar banca diante dos mais ricos, dizia que a sua champanha era uma preciosidade, do tempo em que Clicquot ainda não tinha deixado a mulher viúva.
POLÊMICAExiste um decisório, relativamente a eleições nas escolas, que entende como ilegal esse tipo de concessão, já que a responsabilidade pela gestão escolar é do Estado e intransferível. Nenhum setor melhorou com as eleições. Ao revés, implantou-se um consulado político, assembleista.
Democracia não é democratismo, o furor tentando substituir a razão.
BALANÇOLerner não deu o balanço de sua viagem, transferido para hoje. Pelo jeito, acredita que uma bomba noticiosa neutraliza o acampamento sem-terra. Pra que isso aconteça, só o trem-bala entre Paranaguá e Antofagasta.
FOLCLOREOs sem-votos impediram que Lerner entrasse no PSDB e agora negam ao senador Requião, no PMDB, a condição de delegado da zonal 177. O devoto, mais uma vez, se sobrepõe ao de voto.
CROMOQuando o caracol - que não é sem-teto - der volta ao mundo sai a reforma.
AFORÍSTICOQue tal uma pesquisa com os correntistas do Banestado para ver se o desejam público do jeito que está ou privado, como se pretende?





