Luiz Geraldo Mazza
Conforme a nova lei eleitoral brasileira, acertar negócios no interior do palácio governamental, em meio à campanha, é facultativo. Antes a resistência era radical, tanto que se tentou enquadrar Álvaro Dias no crime de prevaricação por haver recebido o falso Ferreirinha no Palácio Iguaçu, como homem de muitas mortes e ao invés de encaminhá-lo à polícia, providenciou a sua ida ao comitê eleitoral da aliança pró-Requião, que o governo sustentava.
Nos Estados Unidos é diferente. Tanto que, enquanto Clinton fazia seu périplo pela América Latina, jogando habilmente a Argentina contra o Brasil até para dividi-los com relação àquela história de figurar no Conselho de Segurança da ONU, o parlamento norte-americano, com maioria republicana nas duas casas, liberava o clip das relações perigosas com financiadores de campanha num flagrante dentro da Casa Branca.
Vejam como o que é formal se torna substancial: se o encontro fosse em outro lugar e houvesse a gravação não escandalizaria tanto como o fato de haver se dado na sede do governo. Aqui, na gestão passada, a TV Educativa mostrou cenas de pessoas que frequentavam o sindicato dos transportes, o que nada tem demais, mas que foram usadas com interpretação dirigida de políticos com o lobby. O governador liberou a fita para a exibição e o sindicato moveu ação, que ganhou e que obriga o órgão estadual a indenizar os vereadores que apareceram. O título da matéria, repetida à exaustão, foi Ligações Perigosas, nome de obra romântica e moderna de Choderlo de Laclos, um dos clássicos da literatura, quase uma colagem porque centrado em cartas que traduziam a ação e a densidade. Essa divulgação foi feita com o propósito de prejudicar a eleição da presidência da Câmara Municipal e que deu em nada, pois o grupo Pró Cidade, como sempre, levou a melhor.
Como temos o hábito de copiar instituições externas e dominantemente as de extração norte-americana, seria o caso de lembrar do caso Clinton para remendar a lei. Aqui, ao contrário, pretende-se o liberou geral para o Palácio, seja o da Alvorada ou o Iguaçu. A formalidade ianque foi insuficiente para impedir essa manifestação de corrupção endêmica, doença de lá, doença daqui.
BIZARRICE Essa estória de político fazer-se passar por gente do povo (caso de Clinton em embaixadas e tamborilando na Mangueira) nem sempre foge ao ridículo. Quando, porém, o alvo tem uma origem esportiva até pode emplacar como se deu com Ney Braga que, ao inaugurar um ginásio de esportes, arremessou do meio da quadra uma bola e a encestou, como se tudo fosse editado. Os adversários de Ney Braga, irritados com a façanha, tentaram subestimá-la porque o governador teria lançado a bola no estilo lavadeira, jurássico para aqueles tempos, feito com as duas mãos, curvando-se o corpo e dando-se o máximo de força ao arremesso. Ao Hélcio Borel du Vernay ficou a incumbência, como juiz e ex-jogador, na condição de adepto do neysmo, de explicar que o estilo não era tão antigo assim. E o Borel teve sua aurora boreal intelectual ao sustentá-lo. Vá ser governista na casa do chapéu!
SPRAY A tragédia cerca a família Wright: anteontem foi assassinada a fotógrafa Leila em sua casa no Jardim Social. Leila era filha de Paulo Stuart Wright, ex-deputado catarinense, cassado em 64 e torturado e morto em 1973.- Quando Paulo foi assassinado, Leila tinha apenas 12 anos e morava com a mãe e irmão de 7 anos, em Curitiba.- O irmão de Paulo, James, foi do Conselho Mundial das Igrejas Evangélicas e formou com dom Paulo Evaristo Arns a resistência à tortura e pelo retorno da democracia. Leila tinha 36 anos, era fotógrafa e foi morta em casa a facadas.- Até hoje o governo tem dificuldades em reconhecer Paulo como vítima da ditadura e espera-se que não haja impunidade também no caso de Leila.- A proposta de publicização da Prefeitura de Curitiba está sendo revista em função de Medida Provisória baixada pela presidência na semana passada. Uma curiosidade: ela transfere ações públicas para organizações sociais num momento em que formas de terceirização passam a ser olhadas com desconfiança e como fatores de ineficiência. Exemplo: Eluma, Pirelli Cabos, montadoras, estão rejeitando o que até outro dia era apontado como panacéia e modismo incontestado.- Frederico Wiltemburg deve reeleger-se para a Federação do Comércio Varejista. O sistema Senac, que se incorpora a esforços internos para integração de processos educacionais, é no Paraná bastante eficiente pelo mix de cursos de formação profissional.- Copel apurou que na divisa Paraná-Santa Catarina, numa encosta de Agudos do Sul, portanto em nosso território, os ventos constantes são de melhor proveito para energia do que Palmas, apontada como paradigma.- Senado está discriminando o Paraná, como se vê de suas resoluções: a de número 97 autoriza o Rio Grande do Sul a emitir Letras Financeiras do Tesouro do Estado, cujos recursos serão destinados à liquidação da oitava parcela, bem como da correção monetária relativa à sexta e sétima parcelas, de operações com precatórios. O Paraná é mais ajustado do que RS, não usou o sistema de precatório, não emitiu títulos e não é atendido. Falta de prestígio político e com ajudazinha de oposição.-
FOLCLORE A Prefeitura de Curitiba decidiu que o próximo símbolo da campanha do trânsito seria um pavão, sabidamente expressão da vaidade, apesar da feiúra dos pés. Num concurso de brincadeira para ver que político lembrava o pavão, houve o domínio de um, bastante enxuto, e de outro, muito gordo. Façam seu jogo, senhores.
CROMO Diante de El Ni¤o a prova de que só lembramos de Santa Bárbara quando ronca a trovoada.





